15 escritores que me influenciaram

Esses dias estava rolando uma corrente de facebook onde as pessoas tinham que dizer meio de bate-pronto 15 escritores que as influenciaram. Eu sou meio avesso a correntes, mas fiquei com isso na cabeça então vou mandar uma listinha de 15 escritores e uma breve explicação. Não tem uma ordem de importância ou cronologia, é meio que foi vindo na memória

1 – Carlos Heitor Cony: esse escritor é muito conhecidos pelas crônicas, mas os seus romances sobre os “dissabores da classe média” são espetaculares, tanto que algumas pessoas falam que as duas décadas que ele ficou sem escrever foram os anos perdidos da literatura Brasileira. Em especial eu recomendo o Romance sem Palavras que foi reeditado recentemente.

2 – Moacyr Scliar: fantástico é uma palavra que define bem o autor, tanto no seu estilo como no resultado. Scliar fazia um realismo fantástico que tratava o cotidiano com mágica e simplicidade, os livros dele são diversão garantida. A coletânea O Imaginário Cotidiano, em particular, é muito boa.

3 – Lourenço Mutarelli: tem pessoas que falam que ele é um escritor menor, mas eu acho os livros dele espetaculares e aquela voz narrativa neurótica presente em todos os livros dele é algo que eu admiro muito, fora que eu nunca demorei mais de uma semana para ler os livros dele, uma vez que você começa é desesperador até chegar no fim. Eu considero A Arte de Produzir Efeito sem Causa a melhor porta de entrada para o universo do autor.

4 – Cristovão Tezza: ele me veio na memória quando eu falei de voz narrativa, os livros do Tezza, principalmente depois do Filho Eterno, são únicos, poderosos e com uma técnica superior.

5 – Nick Hornby: as pessoas podem questionar a qualidade do autor, mas lido na época certa (final da adolescência) é muito bom. Eu me apaixonei por Alta Fidelidade, Grande Garoto e li e gostei de todos os livros que ele escreveu. Pode não ser o suprassumo da literatura, mas tem algo muito humano e sincero ali.

6 – Rex Stout: esse entra na categoria de prazeres culpados, autor de uma série policial longa, é o tipo de “baixa literatura” extremamente divertida. Acho que conhecer Nero Wolfe é essencial para uma vida feliz como leitor.

7 – Isaac Asimov: eu tinha um preconceito com ficção científica até conhecer Asimov e sua Fundação. Ele que me fez perder esse ranço e abriu um novo gênero para mim como leitor.

8 – Jonathan Safran Foer: Extremamente Alto Incrivelmente Perto é um livro que me fez repensar a ideia de que o livro de papel estava morto. O trabalho quase concretista desse autor – fora a carga emocional absurda tanto desse livro como de Tudo Se Ilumina – é algo que até hoje me fazem pensar.

9 – Jonathan Ames: eu acho um pecado não ter nada desse autor publicado no Brasil. O conheci através do seriado Bored to Death e depois li quase todos os livros dele. Ames é um autor fantástico que olha para si mesmo de uma forma muito peculiar.

10 – Amelie Nothomb: outra autora que é foi abandonada completamente no Brasil. Essa escritora franco-belga tem os romances mais peculiares e poderosos que eu já li. A Higiene do Assassino, As Catelinárias, Dicionário de Nomes Próprios, alguns dos poucos títulos dela publicados aqui são espetaculares e infelizmente já estão esgotados e são difíceis de achar até em sebo. Uma pena.

11 – Haruki Murakami: Na contramão, Murakami é um autor japonês que é tão fácil de achar que é quase impossível entrar em uma livraria sem ver um título dele. Eterno candidato ao Nobel de Literatura, Murakami cria os personagens a deriva produz um turbilhão emocional tranquilo (sim é uma contradição que só lendo para entender) que sempre me encantou.

12 – Neil Gaiman: Também deveria estar na lista de prazeres culpados, Gaiman é um escritor quase monotemático e que não passa de um certo limite. Ele pode ser acima da média em quadrinhos, mas talvez isso diga mais sobre a média da indústria do que sobre ele em si. Mas não dá para negar que tantos os livros dele quando a HQ Livros da Magia foram uma influência grande para mim.

13 – David Foenkinos: Esse escritor francês me pegou logo no primeiro livro que eu li dele, Em Caso de Felicidade, a habilidade dele de ter um prosa quase poética. A partir dele fui conhecendo outros autores que eu adoro como Martin Page e Muriel Barbery.

14 – Luis Fernando Veríssimo: romances, contos, crônicas, o humor do Veríssimo é uma referência para qualquer um, li tanta coisa dele, tanta coletânea que nem preciso indicar algo em específico. Qualquer livro que pegar dele é garantia de diversão.

15 – José Saramago: eu li Ensaio Sobre a Cegueira muito novo para o tipo de leitura que ele exige, mas é um livro que me impressionou tanto que eu lembro vividamente até hoje. O Saramago tem lá o seu estilo meio hermético, mas é de fato um escritor superior.

Essas listas sempre são meio furadas, né? Você começa achando que nunca vai completar 15 e termina pensando nos infinitos autores que ficaram de fora. Como você pode ver, eu não sou um grande leitor de clássicos, os contemporâneos não só me influenciaram muito como são uma influência contínua a cada novo livro. Coloquei os link para comprar os livros dos autores aí em cima, espero que essa lista seja útil para alguém conhecer novos autores.