A Lenda de Tarzan

Curto e grosso: o filme é ruim, mas é bom.

Tarzan é um personagem que já foi explorado de todas as formas possíveis. Livros, quadrinhos, filmes, séries, animações, o Rei das Selvas esteve por todas as mídias e já foi explorado a exaustão.

Então, para que um novo filme?

Sei que essa pergunta é muito feita, mas vamos combinar que uma grande ideia, um grande personagem é muito difícil de compor e fazer um novo filme do Tarzan é muito mais honesto do que tentar chupar a ideia e tentar mascarar apresentando um personagem novo que na verdade é o mesmo. Fora que esses ícones precisam ser redescobertos a cada dez a vinte anos para renovar o interesse das novas gerações que podem, inclusive, a partir daí buscar os textos originais. E para aqueles que consideram uma ofensa a história “sagrada” do personagem, basta ignorar e reler o material antigo.

E por isso o que o filme é ruim?

Na verdade não, a questão de usar o personagem exaurido conduziu o roteiro para um caminho diferente e bem interessante, começa com o Tazan já vivendo como um Lorde Inglês e depois ludibriado para voltar para a floresta e com isso o filme abordou um tópico histórico pouco lembrado que foi bem bacana.

O filme é ruim porque estruturalmente a narrativa segue exatamente a mesma fórmula de centenas de outras histórias. Você vê cinco minutos do filme, um trailer ou mesmo a sinopse e já sabe exatamente o que vai acontecer e essa previsão acontece religiosamente como as formulinhas consagradas mandam.

Não é nem spoiler dizer que o Tarzan salva o dia e que tem uma cena épica com animais. Você sabe que isso acontece e tudo bem, no fim, saber isso entra exatamente no que eu disse no começo, é ruim porque é óbvio, mas é bom porque, no fundo, o que você espera quando vê um filme de ação do Tarzan são grandes cenas de luta e um bando de animais funcionando como “cavalaria” no momento que tudo está perdido.

Por isso o filme é bom, é divertido, é bem dirigido, entrega a ação, entrega um bom personagem, entrega uma atuação bem decente do Alexander Skarsgård (ator que fez o vampiro Erick em True Blood e que é filho do Stellan Skarsgård protagonista da série River e coadjuvante em Thor e Os Vingadores, essa informação em si é irrelevante, mas eu fiquei meio surpreso com essa curiosidade). O Tarzan de Alexander tem um cuidado no trabalho físico que vai além da força e fisiculturismo, a movimentação dele, o semblante, tudo lembra alguém deslocado, que aprendeu a se movimentar com animais.

E, retomando o lado histórico, o filme trata da exploração do Congo pelo Rei Leopoldo II da Bélgica, considerado um dos monarcas mais cruéis da história por conta da sua sede por riquezas através da exploração cruel do Congo.

O filme conta com dois personagens históricos no elenco principal, que são o George Washington Williams (interpretado pelo Samuel L. Jackson) que foi o responsável por denunciar ao mundo a crueldade da exploração do Rei Leopoldo II; e Léon Rom (antagonista interpretado por Christoph Waltz) que recebeu o apelido de O Açougueiro do Congo por sua brutalidade na administração belga no Congo. Fora eles há várias outras participações históricas e o simples fato desse filme levantar essa parte da história, que é pouquíssimo falada devido a inexpressividade da Bélgica no contexto político-internacional é bem interessante..

Enfim, o filme é bacana, mas não é lá aquela obra-prima.

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