American Gods – Primeira Temporada

[Esse post tem uma versão em vídeo aqui https://youtu.be/InzpiDPaC-I ]

Com apenas oito episódios American Gods encerrou a primeira temporada e, pelos comentários que eu tenho visto nas redes sociais foi um grande sucesso.

Como eu tinha comentado quando falei sobre o livro e o primeiro episódio (veja aqui), continuo com várias ressalvas com a série, a ponto de não me permitiu gostar de verdade da série.

Acho que o fato que me segurou em me entregar a série não foram as diferenças em si com o livro, mas o medo com relação as semelhanças.

Já falei algumas vezes isso, apesar de eu ser um leitor dos livros do Neil Gaiman, considero das tramas dele com uma tendência juvenil. A obsessão pela trama “amarradinha”, pelo sentido que fecha todo o conceito é algo que eu considero um pouco superestimado. É legal fechar todas as “pontas” da história, mas no caso do Gaiman e de muitos autores que seguem essa escola o resultado é extremamente didático.

Eu gosto do conceito do livro Deuses Americanos, mas não tanto justamente a história principal, não acho que a trama que envolve o Quarta-Feira e o Shadow seja algo grandioso. Dentro do conceito do livro, com a história relativamente concisa, o “payoff” final é ok, mas vendo a série, vendo como ela se expandiu para muito além do livro, como ela se colocou como uma série impositivamente grandiosa, me preocupo com o momento que os roteiristas tenham que começar a voltar e chegar no final proposto por Gaiman (algo que, ao que tudo indica, é o rumo que será seguido).

Quando eu comecei a ver a série, achei que tinha história no livro para 4 episódios. Com algum esforço daria para esticar o livro todo pelos 8 episódios da temporada.

Agora, encerrada a temporada, depois de queimar 25% do livro já no primeiro episódio e esticar os 10% seguinte pelos outros 7, consigo imaginar a série se arrastando por pelo menos 3 anos, o que só reforça meu medo de um final de série frustrante que coloque American Gods naquela lista de séries que “todo mundo” elogiava enquanto estava no ar mas que ninguém mais comenta ou recomenda depois que acabou (ou alguém ainda fala: assista Lost, é sensacional?)

Mas o fato de eu não ter me apegado não quer dizer que eu não entenda o porquê das pessoas terem gostado tanto.

Curiosamente, tudo que não estava no livro, tudo que foi acrescido, expandido, esticado são pontos altos da série. O episódio do Leprechaum, os jesuses, a história do Vulcan, o próprio episódio final com a Páscoa são derivações do conceito central do Gaiman que são melhores do que quase tudo que está no livro.

Não me agrada muito a opção que fizeram por transformar a mulher do Shadow em uma espécie de zumbi, no livro ela está mais para um fantasma, mas eu entendo que em termos de produção faz mais sentido dessa forma.

Fora isso, a série tem uma estética visual peculiar, é uma opção que anda ali na beirada do brega, mas que deu um charme para o surrealismo da série.

No fim, não é que eu não tenha gostado da série, assisti a todos episódios com muito interesse, sempre logo no dia seguinte da transmissão, a questão é que eu não consegui me apaixonar de verdade pela série, não é aquela série que que me dá vontade de dizer para todo mundo “você tem que assistir isso”.

É basicamente a mesma sensação que eu tenho com toda a obra do Gaiman, acho muito divertido e acho bom o que ele faz, mas não me compele a sair por aí recomendando com fervor.

 

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