Armada

 

Depois de ter lido e adorado o Jogador nº 1 fui com uma certa sede atrás de Armada o livro seguinte do escritor Ernest Cline. Infelizmente o livro não ficou à altura da minha expectativa. Veja, não estou dizendo que é ruim, nem chato, ou algo assim, só que se fosse indicar para alguém ler um livro super nerd, certamente indicaria Jogador nº 1 e não Armada.

Vou fazer uma breve sinopse e de cara já vai ficar evidente o problema.

Zack Lightman é um adolescente de 18 anos, prestes a terminar o colegial e sem grandes interesses na vida além de jogar videogames, em particular um simulador de guerra contra alienígenas chamado Armada, uma das únicas coisas em que ele é realmente bom.

Zack realmente não tem grandes aspirações, ele não quer fazer faculdade, não sonha em fazer games, só gosta de jogá-los. Seu pai morreu em um misterioso acidente quando ele era criança e ele cresceu assistindo os vhs de filmes e séries que o pai gostava, as músicas que ele gostava e, principalmente, jogando todo tipo de jogo que o pai colecionou.

Um dia ele vê uma nave idêntica às do jogo Armada sobrevoando sua cidade e começa a achar que está louco, algo que ele imaginava ter puxado do pai que deixou um diário repleto de uma complexa teoria da conspiração de que o governo estaria usando os videogames para treinar a população e a cultura pop para preparar todos para uma invasão alienígena.

Lendo essa sinopse, qual caminho que você imagina que essa história vai seguir? Você se lembra de Kingsman, Harry Potter e outro infinitos filmes de garotos meios perdidos nas suas vidas que descobrem um grande talento (talvez até hereditário) e podem se tornar o grande salvador do mundo?

É inevitável pensar nisso porque nos últimos anos fomos inundados por esse modelo narrativo e ele praticamente se exauriu. Quando uma história começa a se enveredar por esse caminho quem a acompanha já sabe de antemão para onde tudo vai.

É curioso que no decorrer da trama o personagem Zack se pergunta diversas vezes se tudo aquilo é orquestrado e em última instância, a grande virada na história ironicamente aponta diretamente para a maior fragilidade do livro.

Ainda assim, é uma história divertida, uma grande homenagem aos ícones da ficção científica e certamente será transformado em um filme interessante, ou pelo menos o autor deve esperar isso, já que parece que esse livro foi escrito para ser adaptado para o cinema.

Definitivamente não é um livro tão bom quanto Jogador nº 1 (que pra mim foi a melhor coisa que eu li em 2015), mas as infinitas referências, o ritmo bom da história, o torna divertido o suficiente para ser um passatempo agradável, mas não um livro essencial.

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Nota 1 – Eu ouvi esse livro também e se cabe uma recomendação é ao audiobook que, a exemplo de Jogador nº 1, também é lido Wil Wheaton. Se o seu inglês é bom, garanto que o audiobook vale a pena, porque a interpretação de Wheaton no decorrer da texto acrescenta muito na história.

armada


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