As Caça-Fantasmas e Os Fantasmaníacos

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Não sei se é uma nova mania dos tempos modernos, mas parece que a maioria dos filmes são sentenciados logo nos primeiros trailers e a nova versão de Ghostbusters foi massacrada na internet.

Na época do trailer – que eu tinha gostado muito, aliás – eu queria comentar essa reação das pessoas, mas preferi esperar para ver e não correr o risco de morder a língua.

Vi várias resenhas de trailer (sim, chegamos ao ponto em  que a pessoa faz um tratado de quinze minutos sobre uma colagem de cenas que de não passam de dois minutos) e, de todas, a que mais que chamou a atenção e que me fez ficar pensando até agora foi uma garota dos EUA que disse: se você for assistir aos novos Ghostbusters, você será responsável pelo remake de De Volta para o Futuro.

Vamos combinar que isso é uma espécie de maldição que chega de fato a assustar.

Eu não sou daquelas pessoas que acham que um filme, um personagem ou qualquer coisa é sagrado. Quer refazer o filme? Vai lá. Se ficar bom eu vejo, se eu achar que não vai me agradar ainda tenho a versão que eu gosto para assistir quando quiser.

E, mais importante, gosto muito de Ghostbusters, mas não sou fanático pelo filme, devo ter assistido a minha cota de reprises na vida, mas não tenho mais consideração por esse filme do que por vários outros que eu gosto.

Pra mim, a única coisa especial no filme é a trilha sonora. Nossa, como ouvir aquela música me diverte, tanto que em todos os trailers, era só tocar a música de alguma forma que eu já me animava.

Mas vamos ao filme. Primeiro eu achei a comunicação inicial do filme péssima. Tinha trailer que indicava que seria exatamente o mesmo filme refilmado com mulheres, tinha trailer que insinuava que seria uma continuação 30 anos depois e mais uma dúzia de trailers que a Sony enfiou em todos os lados. Direto ao ver um vídeo no youtube entrava um anúncio com o trailer e, pelo menos para mim, esse excesso acaba irritando, porque parece que o estúdio acha que o filme é ruim e que precisa queimar dinheiro para salvá-lo (o filme excesso do momento é o Esquadrão Suicida).

Daí você vai ver o filme e descobre que não é nada daquilo. Tem várias semelhanças com o roteiro original, mas é outra história, não tem ligação nenhuma com o filme original e nem é tão cômico pastelão como os trailers (e a presença da Melissa McCarthy e da Kristen Wiig) sugeriam.

O filme é equilibrado, é engraçado sem exageros, tem ação, milhares de referências (inclusive há uma estátua do falecido Harold Ramis, além das pontas de Bill Murray e Ernie Hudson) não só ao filme original como a vários outros clássicos pop como Os Fantasmas se Divertem e Tubarão.

Óbvio, não é o roteiro mais brilhante do mundo, não é o grande filme da sua vida (se bem que já voltamos a esse ponto), mas não é ruim, longe disso.

Depois do filme eu pensei em rever o original, pesquisando na Netflix descobri que eles tinham o Ghostbusters 2 e não tinham o primeiro. Mas, nessa pesquisa eu também descobri o documentário Fantasmaníacos sobre os fãs do filme.

O documentário é sensacional porque dá uma dimensão do filme que eu nem imaginava. As pessoas têm suas “franquias” dos Ghostbusters em todos os estados dos EUA e em diversos países. Pessoas que são extremamente apaixonadas pelo filme, que se vestem com uniformes e mochilas de prótons que eles montaram, que criaram réplicas dos carros, participam de eventos e criaram toda uma comunidade em torno do filme.

Pode parecer coisa de louco, mas as histórias são sensacionais. Uma garota que venceu o alcoolismo vendo o filme (segundo ela, cada noite que ela ficava em casa e assistia os dois filme em vez de beber era uma pequena vitória que a levou a sobriedade), pessoas cujo o filme é a conexão com um parente querido que se foi e diversas outras histórias de pessoas que o fato de ser fã desse filme tornou a vida delas especiais.

Óbvio que deve ter centenas de documentários diferentes sobre os mais diversos fãs de filmes distintos e todos teriam histórias mais ou menos semelhantes, mas é incrível como uma história relativamente despretensiosa de trinta anos atrás ainda ecoa tanto.

Enfim, vale dar uma chance para as novas Ghostbusters, não tem aquela urgência, é claro, dá pra economizar o dinheiro do ingresso (em São Paulo normalmente é uma paulada) e esperar para ver daqui uns meses, mas vale a pena.

E quem curte uma curiosidade e um túnel do tempo eu falei um pouco sobre uma parte obscura dos bastidores do filme nesse post.

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