Atômica: Atomic Blonde vs The Coldest City

Vi muita gente elogiando o filme Atômica, com a Charlize Theron e o James McAvoy e fui conferir, até porque ele é baseado na HQ The Coldest City com arte do britânico mais brasileiro de todos, o Sam Hart.

O filme se passa no momento da queda do muro de Berlim, o fim “oficial” da Guerra Fria em 1989.

Basicamente a história é uma trama de espionagem que gira em torno de uma lista de nomes de agentes secretos de todos os países, inclusive o nome de um suposto agente duplo. Lorraine Broughton (a personagem de Theron) junto com David Percival (McAvoy) tentarão recuperar para o governo britânico a lista que supostamente caiu nas mãos da KGB.

O filme é um baita thriller de ação, ação mesmo, uma coisa frenética impressionante. A maior parte do filme é uma trilha sonora só de hits musicais combinadas com cenas de luta, de perseguição e de lutas durante perseguições.

Não é um filme profundo, é um filme de poucos diálogos e com todos os clichês possíveis do gênero de espionagem. Um filme desses, obviamente, não é um grande filme que será cultuado por anos. Mas é um filme divertido e vale porque todas as cenas de ação são excelentes, o que é de se esperar, uma vez que o diretor David Leitch tem uma extensa carreira como dublê e coordenador de dublês.

A opção de fotografia do filme com vários filtros e cores estouradas também funciona bem, dá um ar retrô interessante para a história. E tem várias cenas em que a combinação da ação bem dirigida com a fotografia estilizada geram um resultado acima da média, como a cena dos guarda-chuvas e a cena embaixo d´agua.

Sobre a adaptação do quadrinho, ocorreu um fenômeno curioso e quase raro. O filme é muito melhor que a HQ.

A HQ, não sei se propositalmente, parece não só passar em 1989, mas parece também ser um HQ feita em 1989.

A história é lenta, truncada, praticamente sem ação e carregadíssima de texto, ou seja, o completo oposto do filme.

Aliás, todas as opções do filme que divergem da HQ são excelentes.

A opção por fazer o personagem do McAvoy como um cara caótico, metido em todo tipo de rolo e não um agente almofadinha como na HQ. A escolha do agente francês ser uma mulher (no filme é interpretada por Sofia Boutella) além de abrir a possibilidade de um romance mais fora da caixinha, transformou essa agente em um personagem de verdade no filme e não um figurante quase sem função narrativa.

O filme tem a mesma sinopse da HQ, mas, mesmo com um terço dos diálogos, aprofundou e explorou os personagens mais.

Para o meu gosto, na HQ a única coisa que salva é a arte do Sam Hart, um quase alto-contraste, estilizado, com um uso lindo do espaço negativo. É uma pena que o roteirista praticamente não deixou muito espaço para ele trabalhar.

A HQ foi lançada agora no Brasil pela editora Darkside e, pelo que eu vi em fotos que algumas pessoas postaram, foi impressa com uma pompa e circunstância quase injustificada para uma HQ branco e preto de 148 páginas.

O projeto gráfico da Darkside para o livro parece, no fim, ser melhor do que o livro em si, o problema é que sobe o preço para $54,90.

Definitivamente não é o tipo de HQ que eu compro e, mesmo se ganhasse, não é o tipo de HQ que eu guardaria. É história é no máximo ok, daquelas para ser lidas em capa cartonada e depois passar para algum amigo e não para colecionar.

Mas, quem quiser, principalmente pelo requinte gráfico que de fato é impressionante, os links para compra estão aqui:

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