Belas Maldições – Neil Gaiman e Terry Pratchett

Eu publiquei essa resenha vários anos atrás no extinto Homem Nerd, por causa do lançamento da adaptação do livro, resolvi resgatá-la.

Mantive ela na íntegra porque ainda concordo com ela.

Acrescentaria que esse é um livro bem dos anos 90 e é ideal para se ler quando você é um adolescente ou logo após isso. Ele é divertido, engraçado e despretensioso, como todas as histórias do Gaiman. Não é inovador, não é a melhor coisa do mundo, mas é um passatempo bem feito, aqueles livros para quem está procurando algo divertido, um livro para iniciar pessoas mesmo que tardiamente no gosto da leitura de fantasia e ficção.

Quem jogava RPG nos anos 80 e 90 muito provavelmente leu e pirou com esse livro, porque tem tudo que você espera para um universo de magia dentro do “mundo real”. Quem era dessa geração e perdeu o livro, vale buscar para resgatar essa época em que bastava ser divertido para ser bom.

Muitos dizem que esse livro é o melhor do Gaiman e o pior do Pratchett, acho uma avaliação até que justa, mas o Gaiman é aquela coisa que eu sempre falo, não é genial como falam, mas eu leio todos porque é divertido e isso me basta.


Sinopse: A bruxa Agnes Nutter, como muitos profetas do seu tempo, previu um apocalipse que destruiria a humanidade e deflagraria a guerra entre o céu e o inferno. O problema é que, ao contrário de todos os outros, ela estava certa. Belas Maldições relata justamente esse período profetizado por Agnes, com a chegada do anticristo, a atrapalhada troca de famílias na maternidade secretamente satanista, a reunião dos quatro cavaleiros, as tentativas de alguns personagens de mudar o futuro e todos os outros eventos que antecedem o fim de tudo.

O tema do fim do mundo, principalmente com ligações religiosas, sempre estará em voga. Volta e meia um filme, livro ou HQ explora esse terreno fértil e dá sua visão de como a humanidade encontrará o seu final. Belas Maldições é a versão de Neil Gaiman e Terry Pratchett para essa história.

Por ser uma área tão trabalhada é difícil dizer que tudo ali é surpreendente e inovador. Sem dúvida alguma vários clichês do tema vão aparecer na história, mas isso é facilmente relevável diante o conjunto divertido de boas ideias e bons personagens que se formam.

A linha central do livro é contada acompanhando a história de um anjo, Aziraphale, e um demônio, Crowley. Os dois se conhecem desde o início dos tempos e, como passaram alguns milhares de anos na Terra, acabaram formando uma espécie pacto de não-agressão. Essas duas figuras peculiares e bem menos maniqueístas do que poderia se esperar ficam sabendo em primeira mão da chegada do anticristo e, como gostam muito das suas “vidas” na Terra, decidem tentar impedir os eventos que virão.

O principal nó da história se dá logo na chegada do anticristo na Terra. Ainda bebê ele seria trocado na maternidade – administrada pela Ordem das Irmãs Faladeiras, freiras satanistas que falam tudo que pensam – por um filho de um embaixador e seria criado para destruir o mundo. Contudo, por uma trapalhada de uma das irmãs o bebê é criado por um contador do interior de Londres, se tornado uma criança normal, inconsciente dos seus poderes.

Junta-se a essa confusão uma descendente de Agnes Nutter que, como todos seus antepassados, está tentando decifrar as profecias da bruxa; e os dois últimos remanescentes do decadente e antiquado exercito de caça-bruxas. Além de, é claro, os Quatro Cavaleiros do Apocalipse, que trocaram seus cavalos por motos, e o cão do inferno que deve proteger e obedecer o anticristo.

Com uma história interessante e um conjunto de sacadas engraçadas a leitura a flui muito bem. Não vale a pena enumerar aqui algumas dessas boas ideias, pois correria o risco de estragar a descoberta de ótimas piadas durante a leitura. Mas tenha certeza que você se divertirá bastante com o fantástico apocalipse de Gaiman e Pratchett.

Antes de terminar cabe uma ressalva importante para quem se animou a ler o livro: a versão nacional, feita pela Bertrand Brasil, do Grupo Editorial Record, bem ruinzinha, não sei se as edições recentes melhoraram, mas a primeira edição que eu li tinha uma diagramação ruim e uma adaptação bem fraquinha, com um texto quase irritante de tão literal.

 

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