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Blacksad

Tem umas histórias que a gente lembra para o resto vida.

Pra mim, Blacksad é uma delas.



Quando a Panini lançou esse material fantástico em 2006 (seis anos depois da versão original) eu fiquei encantado.

Eu cheguei até a fazer resenhas das HQs para o Universo HQ (veja aqui as resenhas do vol. 1, 2 e 3), mas tem títulos que por mais que a gente grite aos 4 ventos que é bom, eles não engrenam no Brasil.

Assim, a série foi deixada de lado pela Panini e, agora, 11 anos depois da edição nacional e 17 anos depois da original a editora Sesi-SP, que, diga-se de passagem, vem fazendo um baita trabalho legal, relançou os dois primeiros volumes de Blackasad e, com sorte, em breve, veremos material novo.

Pra quem não conhece ainda, Blacksad é uma HQ publicada originalmente na França, pela editora Dargaud, desenhada pelo espanhol Juanjo Guarnido e escrita pelo também espanhol Juan Diáz Canales.

A história segue a risca o estilo dos romances policiais noir, para fãs de Raymond Chandler é imperdível, são ambientadas em Nova Iorque nos anos 50 e o personagem central é o detetive particular durão Blacksad.

O grande diferencial da história é o uso de animais antropomorfizados como personagens da história.

Blacksad é uma pantera em um mundo de ursos, cobras, crocodilos, ratos, raposas e tudo mais que você pensar.

Esse lance dos animais é muito interessante por vários aspectos.

Primeiro pelo lado visual, o desenho do Juanjo Guarnido é simplesmente espetacular. A criatividade e expressividade com que ele projetou os personagens, com que ele pensou como eles se movimentam, como se expressam, é algo surpreendente.

É evidente que a passagem dele como animador pelos estúdios Disney tive uma grande influência no seu trabalho, mas essa influência é algo que vai além do visual da concepção em si dos personagens. O desenho de Guarnido é ágil, cheio de vida e movimento e expressão. Fora as cores, o trabalho dele é de uma beleza absurda, um controle de temperatura de cor para dar o tom de cada cena…

Blacksad é uma daquelas HQs que só pela arte já se garante muito bem.

A isso você alia uma história bacana, às vezes provocativa, como a do segundo volume que trata de forma interessante sobre o racismo, com um grupo de animais brancos.

Outra sacada boa do roteiro é saber usar as característica que tradicionalmente já são atribuídas aos animais para construir de forma mais simples os personagens. A raposa malandra, os répteis traiçoeiros e por aí vai. São arquétipos, mas são arquétipos que funcionam bem dentro do contexto da história. A escolha do animal funciona como uma caricatura, por exemplo, para retratar um policial usar um pastor alemão, é uma caricatura levada mais ao extremo.

Ah, e é sempre bom lembrar que, apesar da história protagonizada por animais e do visual que lembra algo da Disney, Blacksad é uma HQ adulta, com violência, sexo, crimes e tudo mais que pede a estrutura noir da história.

Se não ficou claro ainda, se você nunca leu Blacksad, compre agora, porque é bom demais.

 

 

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