Blade Runner 2049

Eu assisti o Blade Runner original pelo menos três vezes.

Pra quem não sabe, o filme é ficção científica noir em que o policial  Rick Deckard (Harrison Ford) tem que caçar replicantes (robôs idênticos aos humanos). O filme é de 1982, dirigido pelo Ridley Scott e inspirado no livro Androides Sonham com Ovelhas Elétricas? do Philip. K Dick. Na época o filme foi um fracasso retumbante nos cinemas, mas depois se tornou um cult.

A grande questão do filme era se Deckard era ou não um replicante que acreditava ser humano. O filme teve três reedições depois e cada versão acrescentava ou tirava uma cena que apontava para uma das possibilidades dessa dúvida.

Esse é um dos motivos que eu não estava muito a fim de assistir o novo Blade Runner, porque obviamente ele colocaria um ponto final nessa questão aberta para se construir. O outro motivo é que, pelo trailer, presumi que eles iam transformar a nova história em um blockbuster de ação, o que seria o total oposto do filme original.

Mas, compelido pela opinião valiosa de um amigo, fui assistir essa continuação de Blade Runner que tem praticamente 3 horas de duração.

Tenho que confessar que eu me surpreendi muito. Não é um filme noir de baixo orçamento como o original, mas também não é a pirotecnia gratuita que o trailer indicava.

A nova história se passa mais de 20 anos depois do original. Os replicantes foram proibidos por um tempo depois voltaram a ser fabricados em novas versões criadas pelo cientista  Niander Wallace. O personagem principal é o replicante dessa nova geração, o K (Ryan Gosling) que trabalha para polícia caçando o restante dos replicantes da geração anterior.

No fim das contas, o filme é sim um espetáculo visual, mas não pela ação (que é quase ausente) e sim pela fotografia e pela assombrosa beleza e magnitude dos cenários. Sinceramente é de tirar o fôlego ver a arquitetura criada para cada momento do filme. Tanto a concepção dos espaços quanto o trabalho de fotografia neles por si só já vale o ingresso do filme. Aliás, eu achei a amplitude e a grandiosidade dos cenários tão protagonistas na história que é provável que quem deixar para ver o filme em casa não seja tão impactado por ele.

Até porque, ele é um filme lento, muito contemplativo e bem existencialista. São três horas de uma ficção científica que é mais reflexiva do que ativa, algo cada vez mais raro de ver nos filmes que só pensam na ação imediatista e nos cortes rápidos de cena.

É uma pena que o filme não tenha um final tão aberto quanto o original, para deixar mais reflexão ainda para o espectador, mas, no geral, está longe de ser uma continuação inferior ao filme que lhe deu origem.

Não acho o Gosling um baita ator, mas, para um papel que tem uma única expressão o filme todo, ele está bem. O Jared Leto está excelente, até porque o personagem dele, o Wallace, é genial. Ele é um cientista todo cheio de metáforas e poesia que claramente se vê como deus. Ford está longe da sua forma original, mas dá pro gasto e até o Edward James Olmos, que tinha um papel importante no filme original, faz uma ponta muito bem colocada.

Eu acho difícil convencer alguém a ver um filme de 3 horas, que além de tudo, apesar de não ser nem um pouco cansativo, é lento.

Mas, se você viu o original vai gostar desse. Dá pra assistir sem ver o original, mas não recomendo, primeiro porque ver o original dá uma ideia não só da história, mas do tipo de filme, segundo porque o original é um bom filme até hoje.

Veja a resenha em vídeo aqui