Bone

Um dia eu estava em uma livraria e vi uma garota desencavando em uma caixa de promoções três edições de Bone da Via Lettera. Pensei seriamente em ir avisá-la para não comprar. Bone é um daqueles trens que partiu da estação e não tem volta.

A HQ comemora esse ano 25 da sua publicação inicial nos EUA com direito, inclusive, a uma história inédita de Jeff Smith.

No Brasil a história da HQ é bem mais complicada.

Ela começou a ser publicada pela Via Lettera em 1998 e seguiu errática até 2010 quando a editora lançou a edição #14 e abandonou a série sem os últimos quatro volumes.

Em 2015 a HQM começou a publicar a versão colorida da série, mas, ao que tudo indica, a série novamente não verá final e, convenhamos, publicar uma série relativamente longa como Bone é uma tarefa complexa, porque parte dos leitores tem o começo da história e poucas editoras tem a credibilidade suficiente para convencer novos leitores que terminará uma empreitada como essa.

Toda essa situação é uma pena porque quem teve a oportunidade de começar a ler a história e gostou demais do que viu, infelizmente tem como única alternativa importar a edição – como eu fiz – ou piratear.

Bone é uma grande história e que pegava o leitor tanto pela estética mais alternativa para época – um traço simples que misturava personagens cartunesco com realista e uma arte final mais orgânica com cara de pincel – quanto pela narrativa épica, aventuresca, medieval e bem humorada.

Resumindo a história, os primos Bone – um grupo de criaturas cartunescas fofinhas – são expulsos de Boneville e chegam em um vale onde as monstruosas criaturas-ratazanas ameaçam o lugar que foi um antigo reino. Lá conhecem a garota Espinho, a avó dela, a durona e misteriosa Vovó Ben, além de um Dragão e uma série de forças em movimento que trarão um conflito do passado

Olha, não vou dizer que tecnicamente é uma história acima das outras ou algo assim, porque eu tenho um afeto muito grande pela hq que acaba nublando qualquer análise.

Eu sempre gosto dessas narrativas “épicas” bobinha e várias cenas me marcaram muito por muito tempo em Bone.

Primeiro o Dragão que em um dado momento salva o Fone Bone e depois aparece para ele esporadicamente. Tem uma cena em que o Bone pede a ajuda do Dragão e ele não aparece, mais tarde eles se encontram e o Bone questiona porque ele não o salvou e o Dragão fala: Nunca jogue um Ás se um Dois resolve.

Outra cena legal do Dragão envolve a Vovó que está lutando com um monte de criaturas-ratazanas – o que já era uma grande surpresa – e é salva pelo Dragão, depois da luta os dois se cumprimentam como velhos conhecidos que tem alguma rusga.

Essas pequenas surpresas, o desenrolar cheio de mistérios da história, as piadas, a aventura ritmada da história tornam Bone um épico infant0-juvenil muito especial.

Agora, sobre o final que muitas pessoas nunca viram, tenho que dizer que pode não atingir uma expectativa de quase vinte anos, porque é um final normal, justo para a HQ e não algo revolucionário, mas o que importa mesmo na história é toda a jornada, não seu final.

Aliás, outra cena me que fez lembrar de Bone recentemente é essa aí embaixo sobre o inverno na floresta que uma hora estava calor e de repente caiu um cobertor de neve, mais ou menos como aconteceu em São Paulo esse ano.

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