Caderno de Recortes #18 – lobby/facada plana/setembro verde e amarelo/Monet

Olá, como vai? Espero que bem.


Ideias roubadas

Frase de Conrado Hübner Mendes – FSP 16/09/2021

Quem faz lobby para os lobbystas?

Um dos destaques da CPI da Covid dessa semana foi um sujeito, Marconny Albernaz de Faria, que é lobista de uma intermediadora de saúde. O cara é multifuncional. Faz “análise de viabilidade política” (algo que ninguém entendeu o que é exatamente), abre empresa para filho do presidente, acompanha festas em camarotes e, ao mesmo tempo, diz que não fez nada para a empresa que o contratou.

Lobby parece ser a palavra do ano. Essa profissão, a grosso modo, tem a função de azeitar a máquina pública, ou seja, se um setor da sociedade tem um interesse, contrata esse profissional para apresentar aos agentes públicos (de todos os níveis e esferas) argumentos razoáveis para convencer de que aquilo é de interesse da população. Na prática, o que vemos é algo bem diferente, mas deixemos isso de lado.

Como tudo no Brasil, a indústria do lobby tem um sindicato, a Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig), que vem fazendo lobby para regulamentar a profissão. Por exemplo, meses atrás, a presidente da associação publicou um artigo na folha sobre o tema.

Carolina Venuto – FSP 15/07/2021

O curioso é que mesmo sendo importante para o Brasil essa regulamentação, pois ajudaria a separar o lobby profissional da corrupção pura e simples, além de ser uma das exigências de transparência de órgãos internacionais, essa regulamentação empacou.

Danielle Brant/Bernardo Caram FSP 14/09/2021

Restam duas possibilidades, ou os lobistas brasileiros são ruins de serviço e enganaram seus clientes ao dizer que faziam chover em Brasília se pedissem, ou os lobistas não estão tão interessados assim em aprovar a regulamentação que dizem querer tanto.

A terra nunca foi tão plana

Painel – FSP 17/09/21

A família Bolsonaro pode levar medalhas olímpicas de fakenews, não há dúvidas, mas a esquerda também tem seus gabinetes de mentiras e caça-cliques. Os dois representantes mais famosos são o Diário do Centro do Mundo e o Brasil 247. Esse último lançou um documentário longo em que elenca as peculiaridades do caso da facada contra Bolsonaro.

Eu vi partes do documentário (é chato demais para merecer 2 horas) e li a matéria da Folha que elenca os principais pontos.

Com um verniz de seriedade dado pela apresentação do jornalista premiado Joaquim de Carvalho, o documentário apresenta uma série de coincidências, acasos e situações que, de fato, quando apresentadas de forma sensacionalista e somadas ao sucesso da facada em ajudar com a popularidade do presidente (além de permitir a fuga dos debates), parecem indicar que há algo suspeito.

Por outro lado, não se trata do fato que uma situação como essa mobilizou um número incontável e incontrolável de pessoas. Acreditar que a Polícia Federal agiu de forma criminosa e mentiu na investigação é uma acusação forte, mas que poderíamos tolerar dado o alinhamento de parte da instituição com a família do presidente. Mas acreditar que médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, técnicos de laboratório e todos envolvidos na cirurgia e na logística foram comprados/ameaçados ao ponto de nunca vazar que tudo foi um teatro, já chegamos ao limiar da paranoia.

Agora, enquanto esse documentário estava limitado a um espaço que já é conhecido por suas distorções dos fatos, não havia tantos problemas. É uma opinião, assim como a Terra Plana é uma opinião.

Mas quando um partido, ainda mais um partido importante que já governou o país e tem grandes chances de voltar, dá palco e tenta promover ostensivamente uma coletânea de coincidências misturadas com um punhados de suposições e algumas mentiras… aí temos um problema.

Se ano que vem fake news for combatida com fake news ainda maiores, ganhe quem ganhar a eleição (se houver), teremos Terra Plana, criacionismo e outros absurdos incluídos no currículo escolar.

Diletante

Semana passada eu falei sobre utilitarismo e essa semana uma colunista da Folha tratou sobre o fato de um Ministro do Supremo tocar guitarra

Cristina Serra – FSP 14/09/21

Ela prossegue o texto falando sobre atividades suspeitas de Fux com empresários, mas o que eu queria destacar é sobre como foi apresentado como algo terrível que uma personalidade tenha um gosto por uma atividade artística.

Não sei se ele toca bem ou mal, não importa, ele não está vendendo CDs, shows, e, no máximo, caso seja muito ruim, pode adquirir a fama de “chato” entre os amigos que fogem todas as vezes que ele aparece com a guitarra embaixo do braço.

O que importa é que não deveria causar estranheza que qualquer pessoa tenha uma atividade artística como hobby e que isso não torna essa pessoa nem melhor nem pior. Só é algo que o sujeito faz para se sentir bem.

Setembro Verde e Amarelo

O ano passado foi difícil para todos, esse ano parece se esforçar para ser pior e, 2022, mesmo se houver a sorte de não termos mais a pandemia, será, de novo, um ano crítico.

O Brasil não é um país fácil para ninguém.

Ruy Castro – FSP 13/09/2021

Mas é temos que seguir. Seja com terapia, com remédio, com arte ou tocando guitarra.

Você pode parar de ler notícias se o mundo estiver complicado demais. Pode mergulhar em prazeres bobos (até porque ninguém prazer é bobo). Pode procurar um amigo. Pode até dizer que não aguenta mais, mas infelizmente, terá que encontrar um jeito de aguentar mais um pouco.

Laerte na FSP

Pintores

Por fim, Monet. Última semana, eu prometo. E um Monet que parece bem mais aquele pintor que inventou o impressionismo!

Os girassóis entraram para a história pela mão do Van Gogh, mas vários outros pintores passaram pelo tema. Note não só como as pinceladas são bem mais marcadas, mas como o sentido delas gera uma sensação forte de movimento, em particular nas folhas. Outro elemento interessante é a perspectiva gestual que o Monet criou com esse fundo. As pinceladas do fundo indicam que se trata de algo vertical, paralelo ao vaso, já as pinceladas da toalha marcam um sentido perpendicular.

De novo, repare como o sentido das pinceladas gera o volume no corpo dos pássaros mortos e um sentido na pena das asas.

Essa cena é tão simples que confunde a mente. O que me impressiona demais nessa pintura é a sensação de calor que ela passa. A grama com esse amarelo intenso dá a impressão de um dia bem ensolarado e essa sensação é reforçada pelas cores quentes dos montes de feno.

Não há tantos retratos no conjunto da obra do Monet quanto paisagens, mas, os retratos que ele fez, principalmente na fase mais impressionista, são bem interessantes. Note como a técnica de pintura é a mesma no quadro todo, mas, quando ele entra na parte do lenço e da camisa ele trabalha com pinceladas tão largas que faz com que tudo pareça só uma sugestão visual e permite que o olhar se concentre onde importa, no rosto.

Por fim, outro retrato “simples” de uma criança. Com poucos detalhes Monet constrói um rosto bem realista, sem muita estilização no desenho, mas com um estilo único dado pela desenvoltura das pinceladas.

P.S.

Obrigado a quem se inscreveu e leu.

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