Caderno de Recortes #31 – listinha de livros para o Natal

Olá. Essa semana eu só passei para desejar a todos um feliz natal e que 2022 seja melhor. Eu não sou daqueles que acredita em espírito natalino ou na renovação mágica das energias no dia 31 de dezembro, mas não dá para negar que esse final de ano é significativo pois marca o inicio da contagem regressiva dessa gestão presidencial e legislativa que marcou de forma trágica a história do país.
Ao que tudo indica, ano que vem teremos menos mortes evitáveis, talvez seja o ano do fim da pandemia, mas, independente disso, será um ano terrível de guerra política, de muitas fake news e de uma propagação infernal do ódio pelo “outro”.Assim sendo, essa semana não tem notícias. Trouxe apenas uma lista de livros e o aviso de que vou dar um mês de folga para você.Volto com as edições no meio de janeiro. Respira fundo, se cuida e até lá.
Ideias roubadas
Frase de Gregório Duvivier - FSP 09/11/21
Frase de Gregório Duvivier – FSP 09/11/21
Ideias roubadas
Como eu disse, não queria entristecer ninguém, mas tenho que registrar essa charge de João Montanaro por que ela me impactou demais. Considero essa charge uma das melhores sínteses desse ano que não esqueceremos.
Listinha do Papai Noel
Fiz essa listinha de livros que considero bons presentes de natal. Não é uma “lista de melhores do ano”, não é uma seleção de lançamentos, nem nada disso. Garanto que nenhum desses livros vai mudar sua vida, nenhum deles vai fazer de você uma pessoa melhor ou mesmo mais culta. É uma lista de livros do jeito que eu gosto, livros para divertir, livros que nos fazem querer ler mais porque ler é uma uma diversão fantástica.
Já falei em uma edição anterior que Murakami está entre os meus autores favoritos. Normalmente eu indico O Incolor Tsukuro Tazaki e seus anos de peregrinação como um “romance de entrada”, mas, como esse ano apareceu no Brasil ao Sul da fronteira, oeste do sol, acho que esse passou a ser um ótimo começo para quem nunca leu nada dele, com uma vantagem: quem já leu vários livros do Murakami sabe que todos são, em certa medida, iguais. Sul da fronteira não foge a regra, é igual, mas, em muitos aspectos, é um livro diferente, de um momento anterior a introdução de um aspecto mais místico/onírico que passou a dominar os livros mais famosos dele.
Rex Stout é uma obsessão pessoal minha. Sim, sou fã de romances policiais e o universo mágico da Nova York dos milionários dos anos 30 em que Nero Wolfe e Archie Goodwin orbitam resolvendo crimes é sensacional. Tem um aspecto muito interessante no detetive criado por Rex Stout, Wolfe vive entre os milionários, tem gostos caríssimos, mas é um trabalhador que não tem o objetivo de acumular riqueza. Ele cobra “honorários caros, mas não exorbitantes” e os gasta por completo com as melhores refeições e as orquídeas mais belas. Pra mim, nada é mais divertido que um livro de Rex Stout. Apesar de a obra completa dele nunca ter sido publicada no Brasil, tem vários livros dele por aí nos sebos e, como uma opção introdutória, Serpente é uma boa pedida.
Quis acrescentar na minha lista uma opção de não ficção, então falo, novamente, de o Checklist do gênio. Eu traduzi esse livro e considero ele um ensaio bem interessante sobre a história da genialidade humana. O autor aborda as características que formam um gênio as analisando de uma ótica psicossocial. É um livro gostoso de ler e repleto de curiosidades.
Aqui é um meio do caminho entre a ficção e realidade. O desaparecimento de Joseph Mengele é uma investigação jornalística séria sobre essa figura mítica do nazismo (que é o personagem central do romance ficcional The Boys From Brazil, um romance bem bacaninha que, salvo engano, nunca foi publicado aqui). Apesar de ser uma história real baseada em informações documentais, a história foi convertida em um romance intrigante que prende o leitor do começo ao fim. Um tempero especial é o fato de que parte da história se passa no interior de São Paulo.
Voltando as leituras leves, As desventuras de Arthur Less é um romance bem simples e divertido sobre um escritor em crise. Ok, ok, tem milhares de livros autorreferenciais com escritores como personagem central. Você pode até estar cansado do tema, mas ele nunca vai se esgotar. Então, se conseguir deixar de lado ojeriza por algo que tem tudo para ser “mais do mesmo”, tente ler Arthur Less, é parecido com vários outros livros, mas é muito divertido e engraçado.
Eu já fui um leitor voraz de quadrinhos, hoje leio tão pouco que faria fácil essa lista sem qualquer HQ, mas, o Manual do Minotauro, que reúne as tiras dos 10 primeiros anos da fase atual da Laerte é, para mim, um título incontornável. A coletânea mostra uma autora se reencontrando em uma mídia que dominou com maestria por décadas, explorando livre de fórmulas um espaço gráfico que parece limitado. Não são tiras para rir, muitas vezes não são nem para refletir, mas, várias delas são quase proféticas e a arte é linda do começo ao fim.
Mesmo quem não lê, compra livros infantis, o que é muito bom. Se você quer comprar um livro infantil de presente, uma opção bem interessante é o Concerto de Piscina do Renato Moriconi. É um livro sem texto, com uma arte simples e elegante e uma concepção muito divertida.
Para fechar a lista, mais um livro infantil: Masha e o Urso: o conto russo original. Essa história inspirou um desenho que é uma febre entre as crianças e a Balão editorial trouxa a versão original dela com a arte linda da Samanta Flôor. É um presente excelente.
P.S.
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