Caderno de Recortes #48 – salários dignos deveriam existir/Egon Schiele

Olá pessoal? Tudo bem por aí?
Ideias roubadas
Celso Rocha de Barros 16/05/2022
Celso Rocha de Barros 16/05/2022
Bilionários, ser ou não ser? Essa é a questão?
Com essas idas e vindas do simpático Elon Musk (o especulador sul-africano que usa sua influência nas redes para manipular o mercado de ações em um novo tipo de golpe financeiro que as agências reguladoras dos EUA ainda não conseguiram combater), a deputada federal Sâmia Bomfim disse que “bilionários não deveriam existir”.
É claro que com a rapidez de um clique, muitos vestiram a fantasia do superpolemicista para atacá-la. A estratégia é sempre a mesma:
Helio Beltrão - FSP 03/05/22
Helio Beltrão – FSP 03/05/22
Primeiro você ataca de graça a deputada de esquerda por possuir qualquer bem material e depois fala que os milionários geram empregos. Daí é só finalizar com a boa e velha teoria da meritocracia:
Helio Beltrão - FSP 03/05/22
Helio Beltrão – FSP 03/05/22
Sâmia, é claro, respondeu ao artigo com uma linha também muito óbvia do contraste fome X milionários:
Sâmia Bomfim - FSP 07/05/22
Sâmia Bomfim – FSP 07/05/22
Vamos por partes. Eu tenho várias críticas a Sâmia Bomfim, a principal é que, como vários políticos em começo de carreira, ela se candidatou a vereadora de São Paulo como um teste de mercado, pois, antes mesmo do meio do mandado, deixou o cargo para pular para deputada federal. É do jogo fazer isso, mas me incomoda o fato de essa ser uma prática tão comum que diminui a importância real do legislativo da maior capital do Brasil ao usá-lo como mero trampolim. Mas isso não vem ao caso aqui.
A questão que não foi abordada com a clareza necessária, está na conta desemprego X fome. A taxa de desemprego no país por si só não explica a insegurança alimentar que assombra uma quantidade imensa de pessoas. E isso acontece pelo simples fato de que mesmo quem trabalha não consegue gerar uma renda que seja o suficiente para o sustento próprio e daqueles que dependem dele.
A dinâmica atual do mercado é uma espiral gigantesca de empobrecimento das massas e cortes de gastos para que os serviços e produtos ainda caibam no orçamento apertado das casas. Nessa trajetória para o fundo do poço social as grandes empresas estão criando empregos que pagam cada vez menos, muitos deles nem são chamados de empregos, pois a “pjotização” extirpou até os direitos mais fundamentais de quem trabalha.
Bilionários não deveriam existir e impostos para grandes fortunas também não, mas só em um mundo utópico.
Nessa realidade paralela em que todos são bons e justos, o dono da empresa paga um salário digno para todos os funcionários e mantém a competitividade reduzindo seu lucro. O empresário pode e deve receber uma remuneração justa por tudo que ele coloca em risco para criar algo, mas a questão aqui é aquele limite que torna o sistema justo para todos. Nessa hipótese idílica o bilionário deixa de existir simplesmente porque ele não acumula um dinheiro desnecessário as custas da exploração do trabalho.
Esse é um lado da mão invisível do mercado que ninguém fala. Um imposto confiscatório de grandes fortunas para fazer justiça social nunca seria necessário se quem controla os meios de produção já fizesse por conta própria a distribuição de renda.
E veja, tem um ponto crucial nessa conversa toda. Eu não estou falando aqui que o dono de um restaurante do bairro que obtém com muito esforço uma renda de classe média é o grande explorador do Brasil, muito pelo contrário, pois ele também é uma das partes exploradas do sistema ao ser extorquido, por exemplo, pelas operadoras de cartão de crédito.
Se todo mundo fosse justo com todo mundo, o “estado mínimo” de fato poderia existir.
Infelizmente a única esperança nesse jogo vem da mesma elite dona das grandes empresas. Uma obviedade que está ficando muito mais evidente diante o tamanho do problema é que se o trabalhador não tem uma renda digna ele não consegue consumir!
Marcos de Vasconcellos - FSP 08/05/22
Marcos de Vasconcellos – FSP 08/05/22
Desvalorização estrutural
Ainda sobre esse tema da renda, é importante olhar como a mídia trata sistematicamente o valor do trabalho
FSP 07/05/22
FSP 07/05/22
Qual seria essa pauta-bomba? Seria um reajuste das verbas de gabinete do legislativo ou a criação de emendas orçamentárias impositivas que reduz o poder do Executivo? Não, não, esses dois casos já foram aprovados por Eduardo Cunha no fim do governo Dilma.
Vejamos o que a Folha considera uma ameaça a nação hoje em dia:
FSP 07/05/22
FSP 07/05/22
Não há como ter remuneração justa em um país em que a grande mídia vende a ideia de que elevar o valor MÍNIMO que deve ser pago para trabalhadores que cuidam das vidas das pessoas é um problema.
Volta aos palcos
Depois de um bom tempo os teatros voltaram (algumas peças eventualmente têm seções canceladas quando alguém do elenco pega COVID, mas, ainda assim, as peças estão indo, algumas até com um público considerável.Assim, para quem é de São Paulo, gostaria de recomendar Lady X Macbeth e A Pane, duas peças bacanas que estão em cartaz.
E, como fazia antes da pandemia, no meu site e no meu instagram volta e meia eu comento peças que eu achei bacana.Como é geograficamente impossível ver tudo que está rolando nos teatros, quem tiver dicas e quiser mandar, estou sempre a disposição.
Pintores
Nas próximas semanas trarei algumas imagens de Egon Schiele (1890/1918), um pintor expressionista austríaco que foi discípulo de Gustav Klimt.
Eu separei as pinturas em ordem cronológica então essa semana temos um Schiele em formação, antes de consolidar o estilo que o deixou famoso.
O trabalho com paisagens é meio incomum na obra do Schiele, mas são estudos quase obrigatórios para pintores figurativos em formação.
Esse retrato é bacana por mostrar umas pinceladas bem largas e bem marcadas que revelam muito do pensamento desse pintor. O gestual de como ele espalha a tinta na tela dá um sentido a mais para a forma da figura.
Essa é uma pintura bem acadêmica, mas eu gostei muito desse reflexo no piso.
Aqui já começam os estudos de anatomia e nu que deixaram Schiele famoso. Ainda é um estudo sem grandes distorções apesar de já ter algumas estilizações bem interessantes. Particularmente eu acho esse estilo de desenho mais geométrico lindo.
Esse quadro é interessante porque remete muito ao estilo de Klimt e a arte oriental com essa poltrona planificada em contraponto com a anatomia tridimensional.
P.S.
Obrigado a quem se inscreveu e leu.
Agradeço imensamente a quem puder compartilhar esse e-mail ou divulgar nas redes sociais.
Se quiser comentar algum tópico ou sugerir pautas para a newsletter, basta responder o e-mail que você recebeu.
Os links para me encontrar e ler as edições anteriores do caderno de recortes estão aqui https://linktr.ee/diletante
No linktr.ee você encontra, também, meu link para amazon, se puder clicar nele antes de fazer suas compras, já me ajuda muito.
Abraços e até a próxima.