Caderno de Recortes do Diletante Profissional – Edição Nº7

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Mais uma semana e nada de novo no front. Na verdade rolou muita água embaixo dessa ponte de madeira mas nada de prático mudou.Enfim, como diz a música de Wynn Stewart: “another day, another dollar
Labirinto
A situação da vacina no Brasil é tão emaranhada que, talvez, nunca saibamos de verdade o que aconteceu. O colunista da Folha, Celso Rocha de Barros, lançou essa teoria:
Acho uma teoria justa porque explica vários outros desdobramentos, como a posição inflexível de Lira, que, para a surpresa de absolutamente ninguém, já tinha uma gaveta vazia para receber o tal “superpedido” de impeachment.
Vinícius Torres Freire/FSP01/07/2021
Vinícius Torres Freire/FSP01/07/2021
Ao meu ver, a questão de Lira é outra, a roubalheira que come solta por Brasília foi bem distribuída com o “centrão” e eles estão deitados no sol como ratos fazendo a digestão de barriga cheia.Por outro lado a opinião pública virou. A popularidade do presidente caiu e a ideia de que ele mete a mão em mais do que uma porcentagem do salário de funcionários fantasmas está consolidada.Se o impeachment entrar em pauta, Lira constrangerá os colegas. Eles teriam que, em rede nacional, se alinhar a um Presidente que cruzou todos os limites. O que complicaria quem depende do voto ano que vem. Até porque, imagino que cada vez menos pessoas sérias queiram ser retratadas dessa forma:
Por um lado, concordo com muitos que dizem que é necessário o impeachment porque o país não pode ficar inerte sob a sombra dessa montanha de crimes de responsabilidade poucos anos depois de derrubar uma presidente por uma tecnicalidade. Por mais que esse seja um instrumento político e jurídico, quando o congresso nem analisa o caso, dá o recado claro que, se o “centrão” está bem alimentado, o presidente pode fazer todos os absurdos que imaginar.Por outro, minha formação baseada em filmes, livros e séries me faz achar que o processo lento do impeachment não é o desfecho mais adequado para essa história. Essa trama que vem em uma crescente absurda, uma espiral surreal de acontecimentos sinistros repletos de momentos limite que, até então, têm nos frustrado com desfechos anticlimáticos. Assim, acho que o Brasil precisa que essa história tenha um final surpreendente e repentino. Um “breaking news” que apresente algo que seja uma mudança real, radical e imediata.Se não for assim, a outra alternativa que se encaixaria nesse arco bizarro da nossa história, um embate épico nas urnas, implicaria em trincar os dentes por mais um ano e meio disso tudo.
Ideias roubadas
Empreendimentos
Eu sei que o foco é a vacina e a pandemia, mas a gente não pode normalizar a passagem das boiadas. Vários meios repercutiram esse anúncio aqui:
Os jornais focaram nessa questão da escolha da vacina, mas, sinceramente, acho que essa é uma questão menor, até porque a pandemia vai passar e esse fetiche pela marca da vacina será irrelevante. Contudo, veja o grifo em vermelho que diz que é necessário registro no MEI e que a jornada de trabalho é de uma modalidade nova, escravidão de meio período. São tantas facadas nos direitos trabalhistas que eu nem sei por onde começar. UMA folga por mês OU 15 dias de férias depois do contrato. Necessário registro em MEI para burlar a lei do trabalho doméstico.
Você pode dizer que esse caso é uma exceção, uma pessoa com uma ascendência escravagista anacrônica, um monstro mesquinho sem igual na sociedade contemporânea. Mas, a verdade é que nunca saberemos. Os empregos PJotizados escorrem pelas frestas do sistema corroendo a existência da legislação trabalhista até que tudo desabe.Note essa chamada que saiu na capa da Folha (02/07/21)
Nem vou entrar no mérito do quão mal escrito está esse texto para a capa de um jornal, o fato é que 661 mil passaram do trabalho formal para um PJ. Nunca saberemos as condições em que essa transição foi feita, mas é razoável pensar que muita gente está em situações como a do anúncio, com uma jornada de trabalho que não é só precária em comparação com um trabalho tradicional, mas que não tem nenhum tipo de rede de proteção.Tem uma construção da Vitacon em frente ao meu prédio. Quando a incorporadora parou de pagar os funcionários, um carro de som do sindicato da categoria ficou por dias avisando do calote para todos do bairro.
Normalmente pensamos nos direitos trabalhistas como questões individuais, contudo, o processo de PJotização não visa apenas a corrosão dos direitos em troca de um suposta livre negociação vantajosa, em última instância a ideia é tirar toda e qualquer rede de proteção do sistema. O PJotinha sozinho não tem como reclamar do calote, não tem como garantir condições decentes, ele só sobrevive, na melhor das hipóteses. Para alguns funciona? Sim, provavelmente, mas o conjunto perde como um todo.
Pintores
Entre os pintores clássicos, temos, no Barroco, Anthony van Dyck, que virou nome de cor e corte de barba. Tem um vídeo antigo no canal sobre ele, mas separei algumas pinturas para comentar.
Eu acho esse quadro muito curioso. Não é certo que a autoria dele seja de van Dyck, mas o museu que tem ele na coleção atribui ao artista. Olha como esses personagens são caricatos. O desenho como um todo é bem peculiar para um quadro barroco. O sujeito no fundo com as flautas e as bochechas inchadas, o rosto vermelhinho desse Baco. O quadro é uma bela contradição, porque tem o desenho naturalista do barroco, mas o conjunto como um todo é meio estilizado.
Outro trabalho notável para o período. Veja como o quadro conta uma história, como as expressões têm vida, note a severidade do olhar dos velhos. Um ponto interessante é uma construção curiosa de profundidade na pintura, ele cria vários planos com os recortes (a estátua do anjinho a frente, a mulher no meio e uma certa perspectiva atmosférica no pedaço de céu ao fundo).
Esse é um retrato mais tradicional mas tem um olhar bem curioso, uma pose quase dinâmica, apesar de ter muito cara de pose (não parece alguém parado com naturalidade). Fora isso é interessante as texturas diferentes que ele retrata (a coluna, a cortina, o céu ao fundo). Outro ponto que eu acho muito interessante é a opção da luz que bate no rosto e na mão, criando um foco de atenção nesses pontos.Vale notar, nessas três pinturas o predomínio do marrom terroso no entorno dos quadros, algo que marcou o trabalho do artista a tal ponto que esse pigmento passou a ter o nome dele.
Sinceramente é preciso peneirar bem o trabalho do van Dyck, daria para fazer uma seleção só de pinturas com alguns problemas sérios, contudo, no meio de tudo tem retratos lindos como esse. Repare como tudo tem um movimento belo e delicado, como tem um cálculo na construção da figura. Tudo está certo nesse retrato, tem profundidade, tem contraste, tem uma cor linda, não tem áreas tediosas para o olhar, tudo é bem arquitetado. Muito antes de existir os conceitos de estilização e design, van Dyck intuitivamente criava um retrato desses e, por trabalhos assim, que esse pintor é lembrado até hoje.
Por fim, um desenho. Eu adoro ver os desenhos dos pintores. Pelo desenho dá para notar como o cara se planejava, o que era importante para ele. É interessante como já no desenho você sente uma compreensão da forma e uma preocupação com o gestual da ferramenta que ele está usando.
Ideias roubadas
Elio Gaspari (FSP/27/06/21)
Elio Gaspari (FSP/27/06/21)
P.S.1
Para quem tiver curiosidade, eu bati um papo com o Amalio Damas e o Adilson Terrível, foi bem bacana e está disponível no canal deles:

https://youtu.be/OgLA8rsTeWs

P.S. 2
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