Capitão América: Guerra Civil

Depois de algum tempo de expectativa, depois de Vingadores 2 que foi legal, mas até certo ponto foi uma replicação da fórmula que gerou o sucesso estrondoso do primeiro filme, finalmente chegou o Capitão América que não apenas dá prosseguimento ao excelente Soldado Invernal, mas também amarra as questões deixadas nos dois filmes dos Vingadores, cobre a ausência de um quarto filme do Homem de Ferro e, de quebra, introduz o relativamente desconhecido Pantera Negra como um grande personagem e finalmente inclui o Homem-Aranha no Universo Cinematográfico Marvel/Disney.

Acho que isso é credencial mais do que suficiente para qualquer um que assistiu os filmes anteriores e gostou pelo menos um pouco ir até o cinema para mais essa etapa desse projeto que promete ser uma grande apoteose quando encerrar esse primeiro ciclo gigante em Vingadores 3.

É meio repetitivo, mas é preciso dizer que a cada passo o projeto da Marvel se torna mais único. Ele não só está amarrando uma dúzia de filmes e algumas séries – o que por si só já seria uma revolução -, ele já ganhou vida própria, ganhou a sustentação para fazer o que as pessoas achariam uma aposta louca em outras épocas: presumir que o espectador não é um idiota que tem que ser relembrado de tudo. Não é preciso mostrar um resumo de quem é o Capitão, quem é o Homem de Ferro, nem mesmo o Homem-Aranha que não fazia parte da história precisa ter tudo recontado. Quem não sabe que o Homem-Aranha foi picado por uma Aranha e ganhou seus poderes? Mesmo que a pessoa passou por toda a vida sem ver uma HQ, um desenho, um dos cinco filmes, mesmo se nunca viu uma referência e não sabe a origem dos poderes de Peter Parker, a forma como ele foi inserido no filme, aliás, a dinâmica toda do Universo Marvel dos cinemas, dispensa grandes apresentação.

Não sabe quem é o Homem-Aranha? Sem problemas, assiste o filme, curte o personagem, a participação dele na história e quando chegar em casa procura no google.

Não sabe quem é o Pantera Negra, quais são seus poderes e onde fica Wakanda? Relaxa, você vai entender tudo e depois ainda vai ter um universo para se expandir.

Aí está a beleza da coisa. Primeiro, toda a base já se consolidou no imaginário se não da maioria da população pelo menos na imensa maioria das pessoas que se dispõem a ir até o cinema ver um filme de super-heróis por diversão. Não precisa mostrar a aranha picando, não precisa mostrar o tio Ben, não precisa mostrar os pais do Batman morrendo ou Kripton explodindo. Segundo, as “regras” do Universo Marvel são simples, tudo é bem despretensioso e mesmo um filme que caberia algo mais sisudo, como Guerra Civil, tem que partir dessas premissas livres.

Você pode discutir as questões sérias do mundo pós-11 de Setembro, a postura da ONU, controle de armas e tudo o que quiser, MAS mantendo em mente que é um universo onde pessoas fantasiadas com poderes são as armas mais poderosas. Tem um nível de “realismo”, sim, em questões práticas como uniformes mais funcionais, instalações mais científicas e consequências mais sérias, mas isso vai só até um ponto, pois realismo demais joga tudo no campo do ridículo.

No fim, Capitão América: Guerra Civil é o filme que eu como leitor de quadrinhos de super-heróis sempre quis ver. Tem tudo que eu espero das revistas, tem ação – não há sentido nos super-heróis sem ação -, humor no lugar certo, tem extremismos nos lugares certos, tem personagens icônicos e obscuros trabalhados com o tempo justo, é compreensível para quem não leu os quadrinhos e trás uma tonelada de referências para quem leu.

Mesmo se quiséssemos analisar o filme como algo isolado, compará-lo com a Guerra Civil nos quadrinhos, ainda assim é uma grande adaptação. O roteiro capta a essência da história e a universaliza (não limita só a questão da identidade secreta e sim da atuação do superser como um todo), tira as amarras obscuras (como o estopim ser uma ação dos Novos Guerreiros) e oferece ao mesmo tempo algo novo e algo que leu as HQs reconhece.

Sim, é o baita filme que todo mundo está falando. Se possível, evite saber as surpresas da história porque se você souber vai perder muito da tensão do final da história; e o trailer, apesar de revelar algumas coisas, é editado de forma enganar o público, então mesmo nas cenas que você já viu podem ter várias surpresas.

Sobre o Homem-Aranha, que foi a grande surpresa na produção, dá para notar que o personagem foi inserido a posteriori na história. A sequência dele é claramente uma peça sobressalente, contudo, os 15 minutos desse novo Homem-Aranha são tão bons que facilmente superam alguns dos filmes fracos que fizeram com o herói.

Não tem erro, veja o Capitão América, vale a pena.

Ah, mas você quer saber quem ganha? Quando amigos brigam, ninguém nunca ganha ;-P

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