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Capitão Feio – Identidade

É quase difícil de acreditar, mas esse ano o projeto das Graphic MSP faz 5 anos.

Pra quem não conhece, se trata de série HQs especiais do Mauricio de Sousa em que alguns autores nacionais criam uma história com os personagens do Mauricio, mas no seu próprio estilo.

De lá pra cá, desde que saiu o primeiro Astronauta de autoria do Danilo Beyruth a proposta se mostrou bem-sucedida e teve alguns títulos excelentes.

Os meus preferidos são o Mônica – Força, da Bianca Pinheiro (que eu considero de longe a melhor HQ) e o Chico Bento – Pavor Espaciar, do Gustavo Duarte (um dos mais divertidos).

O bacana dessa série é que abriu espaço para algo que é muito comum no mercado americano que é o fã que cresceu lendo HQ, depois de virar profissional, ter a chance de dar sua cara para o personagem.

Dentro dessa lógica, muitos desses títulos das Graphics MSP são verdadeiros “fanzines” oficiais que vão bem naquele ponto em que os fãs deliram porque nunca puderam ler, como a primeira aventura da turma da mônica, o encontro do bidu e do franjinha, uma aventura medieval com a Turma da Mata e por aí vai. Origens e situações extremas, são sempre uma espécie de fixação para os fãs de todos os tipos de histórias, foi justamente isso que criou muito dos universos expandidos de várias franquias e é uma baita sacada ter uma linha oficial para o grande clássico das HQs nacionais infantis.

Capitão Feio dá uma ideia de ser uma história de origem, mas, na verdade, se passa um pouco depois desse ponto, algo como primeiros anos do personagem.

Pra ser bem sincero, eu não acho que seja uma HQ que alguém deva comprar pela história ou mesmo esperar algo espetacular nesse sentido.

Os autores das Graphics trabalham com uma série de limitações porque sempre têm que pensar que, apesar do público esperado ser mais adulto, é inevitável que o produto seja associado a algo infantil e que seja comprado para crianças, portanto, o roteirista têm que tomar uma infinidade de cuidados.

A situação só piora quando o seu personagem principal é um vilão. Você não pode fazer ele bonzinho, para não descaracterizar, mas também não pode pesar a mão na crueldade.

O caminho que os irmão Magno e Marcelo Costa acharam é interessante, trataram o personagem como um pária incompreendido. A sensação que dá é de estar lendo uma história curta sobre um dos Morlocks (esse é um grupo que aparece nas revistas dos X-Men, são mutantes que vivem escondidos nos esgotos porque, junto com seus poderes tiveram, algum tipo de deformação que impedia que se misturassem na sociedade como os alunos do professor Xavier).

O resultado é uma história ok. Tem uma insinuação de um antagonista bem interessante ali no meio da história, mas que não teve espaço para ser explorado. Se a HQ tivesse uma proposta de ser mais longa, uma série com mais umas 4 edições, talvez a trama crescesse para algo bem mais interessante. Até porque, a cadência da narrativa visual de super-heróis demanda mais páginas para o desenhista poder dar seu show e construir páginas lindas.

Agora, acho importante não julgar o roteiro do Magno Costa por essa HQ, que, como eu falei, tem lá suas limitações. Se você quiser conhecer a grandiosidade desse autor como roteirista, leia A Vida de Jonas (tem uma resenha aqui), uma HQ muito, muita boa, escrita e desenhada por ele (o traço dele não é tão comercial como o do Marcelo, mas tem uma expressividade excelente), outra boa HQ dele que vale conferir é Mary.

Mas, então, porque eu comprei o Capitão Feio?

Por causa do desenho absurdamente bom do Marcelo Costa.

A HQ toda é bem no estilo dos super-heróis americanos, com um traço anguloso, vivo, de enquadramentos fantásticos. Fora a narrativa visual exuberante para a construção das cenas de ação. É um mistério como um artista desse porte não está a frente de um título de primeira linha de uma Marvel, DC ou Image.

É de fato surpreendente a arte dele e ela sustenta a revista tranquilo.

As cores também estão bem bacanas, principalmente o uso do amarelo em algumas cenas. Uma ou outra página me pareceu escura demais, mas pode ser problema de impressão.

No geral é isso, Capitão Feio é uma HQ divertidinha, com uma arte que é praticamente uma aula de como desenhar super-heróis.

Leia e não deixe de ler também as outras HQs escritas de desenhadas pelo Magno, o traço tem outra pegada, que chega a ser até mais interessante, apesar de ser menos comercial, e ali ele se mostra como um grande roteirista.

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