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Como Falar com Garotas em Festas

Como a maioria dos brasileiros que liam quadrinhos nos anos 90 eu acompanho o trabalho dos gêmeos Moon e Bá que transitou dos fanzines, para as coletâneas da Via Lettera e depois para o mundo.

Eles são um exemplo para muitos artistas, tanto de trabalho e profissionalismo quanto de estilo.

Começaram, como todos, com um desenho bem derivado, entraram na febre do estilo do Mike Mignola e foram seguindo e encontrando uma “cara” para o trabalho deles que tanto funcionou como uma marca registrada como um modelo de bom desenho que funcionava como uma arte bem comercial ao mesmo tempo que mantinha o frescor do independente.

Essa escola de estilização do desenho finalizado a pincel e outras características tão peculiares da geração dos Gêmeos tanto aqui quanto no mundo é algo que gera bastante interesse até hoje.

Eles evoluem, como todo artista, aumentam a expressividade, acrescentam um bom trabalho de cores e tudo mais, mas o cerne do que eles fazem bem e do que lhes deu um sucesso está lá.

Agora,  o grande diferencial dos Gêmeos sempre foi o desejo de contar as próprias histórias e o foco em fazer isso. Quando eles começaram os quadrinhos brasileiros raramente eram exportados para publicação no exterior e, apesar de sermos um dos grandes celeiros de desenhistas, o EUA, o principal mercado de cultura POP, não abria as portas nem para roteiristas brasileiros no seu mainstream e muito menos para quem queria contar uma história própria.

E eles foram lá, batalharam, publicaram De: Tales e depois sacaram o Best Seller mundial Daytripper.

Se agora voltaram para as adaptações. Já tinham publicado muito tempo atrás O Alienista, do Machado de Assis, mais recentemente Dois Irmãos e agora Como Falar com Garotas em Festas que adapta um conto do Neil Gaiman.

Não é uma parceria com o cultuado autor, mas eu não consigo imaginar outra história que fosse tão perfeita para eles. Parece até que o Gaiman escreveu pensando nos Gêmeos para quadrinizar.

A história mostra dois amigos da faculdade, um mais tímido, outro mais atirado, que vão em uma festa e, enquanto o mais atirado já se envolve com uma garota o mais tímido transita pela casa ouvindo histórias meio místicas, meio poéticas e meio estranhas das diversas garotas que encontra.

Não é uma grande HQ, não é uma grande história, mas é bonitinha, divertida, honesta, tem cotidiano e magia em um equilíbrio que é a cara do Gaiman e que ecoa muito com a obra autoral dos Gêmeos.

Eles fizeram a cor com aquarela, o que dá um charme bem bacana, mas o que em alguns pontos me incomodou um tanto.

Quem sou eu para criticar a pintura dos outros, mas me incomoda quando eu vejo defeitos que eu estou lutando muito para corrigir no meu trabalho (como a linha de resíduo de pigmento na borda de uma mancha) sendo publicados como trabalho pronto.

Não que eles tenham uma pretensão de fazer uma pintura nas páginas, eles fazem uma ilustração com o traço bem marcado no pincel, acabamento que eles sabem fazer muito, mas muito bem, e acrescentam uma cor nessas ilustrações. Funciona, mas sei lá, a aquarela tem seus “erros” que são lindos, que compõem o visual do que é uma aquarela, e tem os seu defeitos mesmos.

Mas aí é questão de gosto e não é nada que diminua de fato a obra que eu acho que, como todos os trabalhos autorais (sim, uma adaptação pode ser um trabalho bem autoral, eles mostram bem isso) do Fábio Moon e do Gabriel Bá, merecem ser lidos e que, como toda história do Gaiman, é divertida.

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