Creed

Eu sempre gosto de bater na tecla que o problema não é a fórmula narrativa é o uso que se faz dela, principalmente porque o maior problema de usar uma fórmula é que você será julgado por comparação com os outros que fizeram isso antes de você e, se já tiver alguma narrativa original ou mesmo uma narrativa posterior que teve um grande destaque e meio que “esgota a fórmula”, será muito difícil atrair o público para essa nova história.

No caso de Creed, não há nem muito porque temer a fórmula, basta abraçá-la junto com seus clichês e tudo mais, porque, no fundo, a maior parte dos clichês de boxe e de histórias de superação, onde o cara que ninguém bota fé mostra seu valor, foram sedimentadas na série Rocky e, mesmo que não abrace isso diretamente no título, o filme é sim uma continuação de Rocky.

Rocky Balboa e Stallone são, para o bem ou para o mal, mitos de Hollywood. O primeiro filme ganhou um Oscar, teve sequências boas e ruins e teve até o filme que antecede esse, com o Stallone já velho que, por mais absurdo que seja – e vamos combinar que o filme é bem absurdo – nos convence que um cara com 60 anos pode subir em um ringue e oferecer uma luta dura para um garotão com um terço da idade no ápice da carreira.

Ou seja, Rocky Balboa é capaz de qualquer coisa e fazer essa continuação funcionar é algo que ele tira de letra.

Para quem não conhece a história, basicamente Apollo Creed foi o grande adversário de Rocky nos primeiros filmes e depois viraram amigos até ele morrer lutando. A nova história é em cima de um filho bastardo de Apollo, Adonis, criado pela viúva do lutador para ser alguém que não precisasse lutar como o pai.

Mas a vida de Adonis não foi fácil, antes da viúva o encontrar em um reformatório ele viveu nas ruas e teve que lutar para sobreviver. Mesmo crescendo em uma mansão com tudo a sua disposição, a única coisa que ele sabe e quer na vida é lutar como o pai que não conheceu.

Então, nada mais justo que o velhão Balboa para se tornar o treinador relutante desse personagem.

Não preciso contar o resto, né? Ele treina 2/3 do tempo, 1/6 é dedicado ao drama da velhice do Balboa e no outro 1/3 ele chega na luta da vida dele.

A linguagem visual do filme é bem interessante, tem umas sacadinhas modernas de narrativas, tem uma fotografia excelente e uma direção honesta.

É um Rocky para as novas gerações? Definitivamente não. Pode até ser visto por um público de qualquer idade, mas não é feito para criar uma nova geração de fãs que irão torcer por Adonis Creed e sim para dar mais duas horas de diversão para os fãs antigos.

É um filme divertido? Sim, com certeza. Se você gostou de algum dos Rocky, se gosta de histórias de trabalho e superação, vá com tudo que vale a pena. Não vai mudar sua vida, mas é muito divertido e é tudo muito convincente ao ponto de que você não tem como segurar a emoção e se pega torcendo por Creed na luta final. Aliás o Caio Oliveira (curta a página dele aqui) fez essa página que sintetiza completamente a reação ao ver o filme.

caio

PS.: Se você assistiu o novo Quarteto Fantástico que todo mundo fala que é sofrido, talvez seja terapeutico ver Michael B. Jordan em um papel decente.

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