Death Note

Em breve a Warner fará um filme baseado no Mangá Death Note e eu imagino que tem tudo para ser um filme bem bacana. Obviamente deve se distanciar do mangá em algum ponto e, apesar de ser uma história razoavelmente longa, acho que nos dias de hoje onde os filmes de ação tem um ritmo cada vez mais frenético, Death Note cabe certinho em um filme, talvez até melhor do que em uma série onde correria o risco de ficar arrastado.

Death Note é um mangá que foi publicada no Brasil em 2009 pela JBC em 12 volumes, mais um 13º de extras e um livro com uma história a parte no universo de Death Note. Depois ele foi republicado em uma edição de luxo que ainda pode ser comprada em livrarias.

Vou replicar aqui a sinopse da série tirada do site da JBC para partir direto ao meu comentário:

“Contada em 12 edições, a trama gira em torno de um caderno com poderes inimagináveis, que cai por acaso nas mãos do estudante Light Yagami. O rapaz logo percebe que, ao escrever ali o nome de qualquer pessoa que escolha, ela acaba morta!
Para a alegria de Ryuk, o Deus da Morte antigo dono do Death Note, não demora para Light passar a atuar como justiceiro, eliminando qualquer um que atrapalhe o bem-estar social. Tantas mortes misteriosas chamam a atenção da polícia de todas as partes do mundo. Para solucionar o caso, entra em cena o misterioso L. Conhecido como o maior detetive do mundo, ele começa a montar um imenso quebra-cabeça para capturar Kira – apelido pelo qual Light passa a ser chamado.

A grande questão é: seria Light um herói ou um assassino? Estaria ele fazendo um bem para o mundo ou estaria se tornando um criminoso como aqueles que eliminou?”

Antes de mais nada preciso dizer que gostei bastante de ler a série. É uma história policial bem interessante, com uma premissa mística muito bacana e um desenho excelente. Mas é claro que por se tratar de uma série razoavelmente extensa é natural que tenha seus altos e baixos.

Eu considero os volumes 9 e 10 ruins, principalmente se levar em conta o alto nível que a série tem desde o começo. Vale dizer que não achei que a história se perde como algumas pessoas dizem, ele se perde mesmo na técnica narrativa. Death Note é uma série com muito texto, muitas explicações dos raciocínios dos personagens, contudo nos vol. 9 e 10 a quantidade de texto é maior ainda. Praticamente nenhuma ação ocorre nessa fase e você fica acompanhando o raciocínio dos personagens, os movimentos que eles pretendem fazer e a análise de possíveis cenários.

No  volume 11 a série volta ao rumo e pega ritmo novamente com uma narrativa um pouco mais ágil, mas apenas no último volume que temos realmente um ritmo bacana e frenético, há, inclusive, um capítulo praticamente mudo que é super tenso. O final pode não ser espetacular, mas é bem coerente para o fechamento da história.

Há dois mitos que precisam ser desfeitos para não criar decepção ao ler a série: ela não é essa história genial que todo mundo fala e ela não é para leitores maiores de 18 anos.

Isso é bem esclarecido no volume 13 nas entrevistas com o autor. Mas antes de mais nada é preciso lembrar que a história foi publicada originalmente na Shonen Jump, uma revista semanal japonesa de mangás para garotos. Óbvio que a revista tem alguns leitores mais velhos e do sexo feminino, mas o público alvo dela são “moleques”.

Tsugumi Ohba explica nas suas entrevistas que ele não fez o mangá para provocar discussões sobre bem e mal, vida e morte. Não tinha pretensões de fazer algo inteligente, algo virtuoso, ele fez uma revista de aventura policial com elementos sobrenaturais para garotos. E é isso. Death Note só se propõe a ser uma história divertida e é!

É importante falar isso pois, na edição nacional, por alguma questão de classificação governamental ou auto-censura, a JBC optou pelo selo de +18 como indicação etária para a revista. Isso dá passa a impressão errada de que se trata de um produto mais inteligente do que é, para um público talvez um pouco mais maduro do que a revista se propõe.

Enfim, eu recomendo muito a leitura de Death Note, para todas as idades, mantendo em mente que é uma revista para se divertir, então não espere a maior história policial de todos os tempos. E, é claro, fica a ressalva que se a história ficaria melhor se fosse um pouco mais curta, talvez 10 edições em vez de 12, ou mesmo um pouco mais longa desde que se inserisse mais ação e deixasse a narração mais dinâmica.

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