Demolidor – 2ª Temporada (sem spoilers)

Depois do sucesso da primeira temporada de Demolidor (resenha aqui) e de Jessica Jones (resenha aqui) a Netflix retorna com a segunda temporada do herói cego da Cozinha do Inferno.

Não tenho muitos volteios para dar. Eu gostei muito da primeira temporada e gostei bastante dessa também. Óbvio que não tem mais aquele climinha de coisa nova, a tensão de saber “o que é que eles podem fazer?”, mas a série cumpre sua obrigação mais importante: entregar exatamente o que os fãs conquistados na primeira temporada querem.

Os ingredientes do sucesso estão ali, uma pancadaria frenética, um herói urbano pé no chão um pouco mais “realista” (plausível? verossímil?) que a maioria dos super-heróis e uma trama cheia de ganchos que puxam com muita facilidade o espectador pela treze horas de história dessa temporada.

Óbvio, não é uma série “cabeça”, não é uma série para grandes reflexões, não pretende mudar o rumo da teledramaturgia nem nada assim. É uma série divertida, uma adaptação bem honesta do que são os quadrinhos do herói.

Aliás, nesse aspecto da adaptação, com a entrada de novos personagens (o Justiceiro e a Elektra) sempre há a preocupação de como tudo será amarrado e se os produtores resistirão a tentação de ligar todas as origens, como é a tendência nas séries. A Elektra, tudo bem, sempre esteve conectada com Matt Murdock e roteiristas diferentes aproximaram mais ou menos as origens deles. O esperado para o seriado – ela estar ligada ao Stick e/ao ao Tentáculo – é bem coerente com tudo que se vê na HQ.

Já o Justiceiro deixa um pouco de margem para preocupação. Felizmente acertaram bem a mão no personagem. A origem dele é independente do Demolidor, mas seus caminhos se cruzam e o choque deles se dá em torno do dilema que sempre foi pauta de todos os encontros deles nos quadrinhos: os métodos de cada um. Aliás, uma das cenas da série é uma reprodução extremamente fiel de uma das HQs dos personagens.

Achei o Justiceiro no geral muito legal. O ator é bom, o personagem é coerente e a participação dele na série é dosada na medida certa, nem é o antagonista principal nem é um adversário intermediário que é tem seu arco e depois some.

Fora que, para mim, duas das cenas mais legais da temporada são os dois diálogos longos entre o Justiceiro e o Demolidor.

A série começa com foco nele e depois abre para o retorno da luta mais ancestral, mais mística, contra o Tentáculo, retomando uma subtrama pouco explorada da primeira temporada que envolvia o Stick e o ninja Nobu.

Nessa questão da presença dos ninjas na série eu diria que, como leitor de quadrinhos, senti falta daquela cena em que o Demolidor se vê cercado por um número infinito de ninjas e tem que sair quebrando tudo. Mas compreendo que essa cena não caberia dentro da lógica da série onde o Demolidor não é tão invencível assim, muito pelo contrário, ele sempre apanha, sempre é ferido e quando enfrenta meia dúzia de inimigos encerra a luta esgotado, ofegante.

No geral tudo está no lugar certinho na série, no tempo certo, fiel as HQs e os produtores mostraram que ainda têm fôlego para levar a história para frente sem cansar.

Sobre as opções de tradução da Netflix, pessoalmente acho que deveriam ter usado as traduções consagradas de Justiceiro (manteve-se Punisher) e o Tentáculo (ficou A Mão).

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O que ler do Demolidor e do Justiceiro


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