Desenhando com o lado direito do Cérebro – Final – O Zen do desenho e resumo em 1 exercício

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[Veja a playlist de vídeos com os exercícios do livro https://www.youtube.com/playlist?list=PLf2cO1HvlOe7mdti23nBqAKQAurwNJUQ_ ] Chegamos ao final do livro clássico da Betty Edwards, vou falar primeiro do capítulo final que ela chama o Zen do Desenho e depois vou dar minha própria conclusão para o livro. No último capítulo a Betty Edwards busca o conceito do satori no Zen para sintetizar a proposta dela de transição dos modos lógicos do cérebro. Segundo a citação de D.T. Suzuki, satori é a visão intuitiva das coisas, em contraposição ao conhecimento intelectual e lógico, significa a descoberta de um mundo até então despercebido. Isso é uma coisa que sintetiza bem a proposta da autora de um desenho feito através de uma conexão direta entre o olho e mão. Ela recomenda que se continue a estudar, a desenhar todo tipo de tema, isso de fato é algo importante porque é muito fácil ceder a tentação de desenhar só isso ou só aquilo e se tornar alguém muito bom em algo específico mas totalmente limitado, porque isso vai reconduzir você de volta para o mesmo caminho que estava tentando fugir no começo do livro. Uma vez, em uma sessão de modelo vivo, a pessoa que organizou a sessão colocou a modelo em uma pose bem clássica (aquelas que remetem às estátuas gregas) e, no final, o resultado do desenho dessa pessoa era algo bem “bonito”, algo que parecia realista, mas que não era a modelo. Porque o artista em questão não estava olhando de verdade a modelo para desenhar, ele estava reproduzindo uma fórmula de desenho que ele decorou. Fica bom, é claro, mas você foge da proposta de observar e desenhar porque justamente sai do modo intuitivo e recai nas fórmulas. Aí está um ponto que a autora não fala, mas que é algo que acontece de fato. Quando a pessoa começa a desenhar a representação “lado esquerdo”, pra ficar na terminologia dela, é algo muito grosseiro, um ponto é um olho e pronto. Com o passar do tempo suas fórmulas ficam mais refinadas, você passa a ter um olho cheio de volume no seu repertório, ou um olho bem estilizado. Isso pode fazer parte do seu estilo pessoal, que, aliás, a autora diz que é algo a se perseguir e a investir conforme ele vai surgindo aos poucos. Contudo, quando você tenta fazer um exercício de observação em si, com o objetivo de apenas representar o que está sendo visto, é preciso fugir dessas fórmulas. Veja, isso não vai resultar em uma obra de arte, longe disso, é um mero exercício, mas são exercícios que você tem que praticar a vida toda para reforçar as estruturas da intuição. A autora ainda sugere que se continue estudando, buscando os grandes mestres do passado e do presente, mas, sempre, ficando atento ao que é um fundamento e ao que é um estilo pessoal desse mestre, pois a ideia é aprender técnicas para formar o próprio estilo e não copiar um estilo pronto. Por fim ela completa o conjunto de habilidade que ela tinha apresentado no decorrer do livro: arestas, espaços, relacionamentos, luz e sombra, gestalt, memória e imaginação/diálogo. As duas últimas habilidades que ela não apresentou no decorrer do livro e, justamente, é o que a maioria das pessoas almeja. Memória seria desenhar “de cabeça”, sem um referência e imaginação é compor algo que não existe (um dragão, por exemplo). Principalmente quem não entende de desenho acha que o desenho são essas duas últimas habilidades, que isso compõe o “dom de desenhar”. Isso é uma decorrência natural. Ao longo do tempo, como eu disse, você cria uma biblioteca refinada de fórmulas que permitem compor algo sem estar olhando e, até, derivar algo a partir das suas referências e desenhar uma coisa que não existe. Essa é a parte divertida do desenho, é algo a se explorar, mas é algo que tem que vir naturalmente e que tem que ser compreendido de forma a não suplantar o que foi aprendido que na hora de fazer um exercício, o que importa é o que se está vendo e não o conjunto de fórmulas que você acha que está vendo. No fim ela fala sobre usar o lado direito não só para desenhar, mas, principalmente, para ver o mundo de forma diferente, isso é algo bem importante, porque o caminho do desenho é basicamente a conexão desses dois sistemas, o como você vê o mundo e o como você representa o que vê. Minha conclusão e o resumo em um único exercício Bom, depois dessa jornada imensa onde eu li esse livro inteiro umas 3 ou 4 vezes o que eu posso dizer é que continuo detestando o fundamento pseudocientífico da autora sobre a divisão do cérebro, mas, acredito muito que ela encontrou um caminho de ensino do desenho muito relevante. Eu acho que o que fez esse livro ser um sucesso tão grande até hoje é o fato de vender a ideia de que desenhar é fácil, que é inerente a todos, basta entrar em um estado místico de consciência e acessar essa habilidade natural. A gente adora isso, os atalhos, o segredo que está em nós mesmos e uma mera virada de chave dá acesso instantâneo. Quem compra o livro pensando nisso já está indo para o caminho totalmente errado. Desenhar é uma repetição infinita de exercícios e, o que há debaixo de toda a falação da autora é uma série de exercícios refinados pela experiência do ensino que de fato funcionam, porque a lógica real que ela esconde é que ela ensina a importância de observar e olhar de fato para o que quer se desenhar. Ela ensina técnicas para se forçar a parar de usar umas fórmulas prontas e passar a desenhar o que se vê mesmo. Isso é algo importante até para quem já desenha, porque ironicamente, o trajeto natural é formar um repertório de fórmulas que será o seu estilo e ao retornar para essa observação direta, cria-se a oportunidade para refinar todas essas fórmulas prontas. Agora, depois de ver todos os exercícios eu cheguei a conclusão que basicamente o livro pode ser reduzido a um método que abarca tudo. Escolha um objeto, de preferência real, mas pode ser uma foto Delimite o espaço que ele e o entorno dele (espaço negativo) vai ocupar no seu papel para ficar com uma boa composição. Comece a demarcar o objeto de fora para dentro e, depois, a parte interna deve ser pensada da mesma forma, medindo a posição das coisas em relação a essa nova fronteira que você marcou. Determine os pontos chaves do seu desenho, aqueles lugares onde formam linhas claras e que servem como medida para todo o resto. Sempre faça comparações de coerência interna para ver se tudo está no lugar. Marcadas as linhas principais, passe a se preocupar com as massas. Comece a demarcar as sombras, construa aos poucos os valores tonais, escurecendo aos poucos as áreas pelos tons médios até chegar nos mais escuros. Se você quer um desenho mais realista, faça o mínimo de marcação possível de linhas e invista nesse desenho das sombras tratando elas não como partes de um olho ou de um dedo, mas como uma massa com um formato que você você está vendo e com as variações tonais que você está vendo. Sempre é possível recorrer para desenhar algo de ponta cabeça ou em linha contínua para ajudar a soltar a mão ou romper alguma dificuldade específica. Termine e faça outro e outro e outro.
Basicamente o exercício é esse, um desenho muito semelhante ao desenho que os pintores fazem na hora de começar um quadro. Marca-se a forma geral, os elementos principais e depois as massas de sombras que envolvem as luzes. Ajuda trabalhar em um papel matizado com grafite, pois o tom médio já está feito, basta escurecer as sombras e usar a borracha para abrir as luzes. Vale usar o plano de imagens, principalmente se você tem muita dificuldade em marcar a forma geral no espaço disponível do papel. Os exercícios específicos ou esse resumido é algo para se fazer a vida toda, não tem uma prescrição de quantas vezes, o livro não é uma escola onde você passa de um módulo e vai para outro. O importante é praticar sempre, desenhar todos os dias o máximo possível (por isso o importante é que o desenho seja algo que você goste, você não pode desenhar porque tem uma cota do dia, você tem que desenhar porque quer muito fazer isso). Tente ferramentas novas (giz, marcadores, tinta), procure sessões de modelo vivo, ou, se na sua cidade não tem, junte um grupo de amigos e reveze posando. Desenhe de tudo e sempre olhe a forma que as pessoas representam as coisas. Como ponto de partida eu deixei essa pasta no pinterest https://br.pinterest.com/oliboni/referências-basicas/ Ela tem uma série de referências, se você quiser uma ordem para estudá-las eu diria para começar por releituras (reproduzir desenhos de outras pessoas), passar para desenho de esculturas e por fim ir para as fotos. O conteúdo dessa pasta é um exemplo apenas, um ponto de partida para você montar a sua própria pasta de estudos com muito mais coisas. Com esse post eu considero encerrado meu estudo desse livro e em breve começo outro livro diferente. Se houver dúvidas deixe nos comentários aqui ou no youtube. Procure sempre um professor para acompanhar sua evolução, se alguém quiser me mandar seu desenhos para eu ver, meu e-mail está aí a disposição, mas, eu não tenho a menor condição de substituir um professor de fato e minha orientação será sempre procurar um bom professor. Caso eu perceba que surgiram muitas dúvidas frequentes, eventualmente eu faço um vídeo com o FAQ, por isso, se ficou alguma dúvida em um dos vídeos, deixe ali nos comentários.
Os vídeos abaixo demonstram o exercício.


Lembre-se, essas propostas são exercícios que fazem parte de um processo longo de aprendizado e não um mecanismo ou um truque para desenhar algo. O resultado desses exercícios não tem como objetivo criar um “desenho bonito” e sim ajudar na internalização de um processo bem mais complexo. Ressalto que minha proposta aqui não é dar um curso de desenho, mas sim compartilhar o que eu tenho estudado. Veja todos os textos sobre o livro aqui Quem quiser comprar o livro, mesmo pagando caro, tem aqui http://amzn.to/2r6QT6E Se você também está estudando desenho e tem alguma dúvida, quer ver outros tipos de exercício mais específicos, deixe nos comentários para que eu possa melhorar os posts.