Desenhando com o lado direito do Cérebro – Parte 7 – Aproveitando a beleza da cor

[Veja a playlist de vídeos com os exercícios do livro https://www.youtube.com/playlist?list=PLf2cO1HvlOe7mdti23nBqAKQAurwNJUQ_ ]


Esse capítulo pode não estar disponível em algumas das edições do livro, mas como tem na minha e é um capítulo interessante, acho válido comentar.

A abordagem de cores da Betty Edwards é bem mais intuitiva que praticamente toda a abordagem dela de desenho que, por mais que ela diga que é algo que o lado direito assume, tem uma série de regras e segue bem uma lógica.

Antes de partir para os exercícios vou falar o mínimo que você precisa saber de cor para prosseguir.

A autora fala um pouco sobre a história da montagem do círculo cromático, sobre algumas relações das cores e sensações, mas é algo bem tangente.

O importante mesmo é entender esse gráfico aí em cima, o círculo cromático. Nele temos 3 cores primárias, azul (cyan), amarelo e magenta (atenção, muita gente trata vermelho como primária, mas no sistema de cores predominante para impressão, a cor primária é o magenta).

Da mistura dessas cores surgem todas as outras.

Você parte do branco e vai adicionado cor. Duas primárias formam uma secundária. Duas secundárias uma terciária e por aí vai se derivando por infintos tons de cinza e marrom até chegar no preto, que seria a soma das 3 primárias.

Sempre que você monta uma cor que tem um pouco das três primárias, ela tende para um cinza ou um marrom, por isso alguns pintores dizem que quando a pessoa perde o controle da mistura das tintas, começa a produzir lama na paleta.

As primárias e o conjunto de cor ao lado delas são chamadas de análogas, cores oposta no círculo cromático são complementares.

As análogas sempre combinam entre si, porque vêm de uma mesma raiz e o uso de uma cor complementar realça o que você está trabalhando.

No lado dos azuis temos as cores frias e do lado dos vermelhos as quentes.

O primeiro exercício da autora é algo que eu considero completamente inútil.

Ela sugere pegar uma caixa de lápis de cor, separar as cores e pintar um círculo cromático.

Isso na prática não ensina nada.

Um exercício bem válido é pegar um kit de cores primárias de gouache ou aquarela e, usando somente elas, produzir um círculo cromático, esse exercício de misturar as tintas e formar uma nova cor é algo transformador e importante.

Agora o exercício que vale muito a pena.

A autora sugere pegar um papel colorido e três ou no máximo quatro cores que combinem com o papel

Pode ser lápis de cor ou giz pastel, no vídeo eu demonstro ambos.

A cor do papel será seu tom médio. Você terá cores que serão os valores mais claros e os valores mais escuros e fará os desenhos das massas de luz e sombra de uma referência da sua escolha.

O importante aqui é ignorar a tentativa de reproduzir a cor que você está vendo. Isso é praticamente um exercício de valor tonal onde você acrescenta a cor para dar beleza nele.

Então, por exemplo, você pode pegar um papel verde e trabalhar nele com dois tons de azul mais escuros, um tom de amarelo para o mais claro e um magenta ou violeta (que seria a complementar do papel) para fazer algum elemento que você quer destacar.

Você vai fazer o desenho usando as mesmas técnicas apresentadas no decorrer do livro e nos posts anteriores. Na hora de criar sombras, volumes e planos, você vai identificar o tom médio do seu desenho, esse será representado pela cor do papel e os outros tons.

Vai trabalhar aos poucos, construindo os planos com a cor que você escolheu para as áreas mais escuras, desenhando as sombras de forma a envolver as áreas de luz média que são a cor do papel.

Após desenhar tudo que está mais escuro que o tom médio, você faz as áreas mais claras com a cor que escolheu para o mais claro e pode escolher algum ponto focal no seu desenho (na luz ou na sombra) que possa ser destacado com a cor complementar.

Esse é basicamente um exercício de desenho onde você acrescenta a beleza da cor como um elemento.

Trabalhando com uma paleta reduzida, você verá que as cores, por mais que não representem a realidade combinam naturalmente.

Qual a importância desse exercício?

Além de funcionar como um exercício de revisão do livro todo, ele introduz a pessoa a cor e à noção do que combina e o que não combina que é algo muito instintivo.

Eu uma vez falei sobre um jogo chamado I love Hue que trabalha justamente essa habilidade quase natural de combinar cores e colocá-las em um ordenamento.

Uma coisa muito importante de notar é que o que é mais importante mesmo é o trabalho de luz e sombra, se você acerta nos valores tonais do desenho, o acréscimo de cores vem naturalmente com o tempo, lembrando que, uma boa cor não é um variação infinita e sim uma transição harmoniosa de cores.

Eu não gosto muito de trabalhar com lápis de cor, acho bem difícil de misturar as cores e, apesar de ser uma ferramenta mais natural, não é tão fluída, depende de ter muitas cores para trabalhar e, poucos artistas têm habilidade suficiente para fazer um desenho de lápis de cor que não fique brega. (Tem uma artista chamada Lígia Duque que trabalha bem com lápis de cor e as vezes dá alguns cursos, se quiser uma referência de lápis de cor ela é uma das poucas que eu conheço que tem um resultado legal)

O giz pastel é uma ferramenta clássica de ensino. Ele basicamente é uma barra de pigmento quase puro (por isso é bem caro). Ele funciona muito como um estágio entre o desenho e a pintura a óleo, porque ele permite uma construção onde você pode sobrepor cores, ele permite tanto escurecer o papel quanto voltar abrindo luz, muito semelhante com a técnica de óleo, acrílica e gouache.

O problema dele é que é caro, faz muita sujeira e não fixa muito no papel, você precisa passar um fixador depois para o desenho não sumir e nem sujar tudo que você tem.

Mas é uma ferramenta muito gostosa de trabalhar. Procure sempre trabalhar com um papel que já ofereça um tom médio (como dito no exercício), é possível partir do branco, mas é bem mais difícil.

Particularmente eu gosto muito do gouache como exercício de aprendizado. Permite muita correção, introduz o uso de pincel e ensina com muita facilidade como formar cores a partir de um kit de 3 primárias e um branco para abrir luz.

Mas o importante é praticar o desenho, consolidar o trabalho de luz e sombra e ir acrescentando aos poucos as cores e deixar que sua “intuição”, seu lado direito do cérebro, o leve para o caminho certo.

Os vídeos abaixo demonstram o exercício.

 


Lembre-se, essas propostas são exercícios que fazem parte de um processo longo de aprendizado e não um mecanismo ou um truque para desenhar algo. O resultado desses exercícios não tem como objetivo criar um “desenho bonito” e sim ajudar na internalização de um processo bem mais complexo.

Ressalto que minha proposta aqui não é dar um curso de desenho, mas sim compartilhar o que eu tenho estudado.

Veja todos os textos sobre o livro aqui

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Se você também está estudando desenho e tem alguma dúvida, quer ver outros tipos de exercício mais específicos, deixe nos comentários para que eu possa melhorar os posts.