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Norman Rockwell e a era de ouro da ilustração

Norman Rockwell (1894-1978) é um dos mais emblemáticos pintores/ilustradores norte-americanos.



Capista de várias publicações, com ilustrações marcantes ele tinha um estilo realista muito cheio de vida e detalhes.

Sou grande admirador do trabalho do Rockwell, já tentei fazer várias releituras de pinturas deles, ele é um artista com uma técnica que funciona muito bem para o trabalhos comerciais (editorial, publicidade) mas sem perder a qualidade artística. Os retratos dele dos presidentes americanos são alguns dos trabalhos que eu mais gosto.

Infelizmente o trabalho do Rockwell é sintomático por outro motivo. Ao mesmo tempo que ele foi um ícone da era de ouro da ilustração, ele é um representante da decadência da pintura figurativa como grande arte.

Vou simplificar muito os conceitos aqui só para fins desse texto: pintura figurativa seria essa como a do Rockwell que representa uma imagem onde se compreende uma figura, mesmo que de um ser imaginário, em oposição a pintura abstrata que tem um significado mas sem uma representação direta de algo. E “grande arte” seria aquelas valorizadas por museus e galerias no momento em oposição a uma arte comercial que pode ser decorativa ou para imprensa, editorial e publicitário.

Rockwell estudou arte e design, era um pintor meticuloso que estudava em separado cada elemento do seu quadro, as roupas e proporção de cada personagem e depois os unia no quadro definitivo.

Ele pintava a óleo, com extrema precisão e isso sempre lhe garantiu emprego como capista de revista e ilustrador, mas, muitos dizem que chegou em um ponto que ele tinha um grande reconhecimento como ilustrador mas as pessoas não o viam como pintor. Algumas pessoas atribuem, inclusive, que o auto-retrato dele pintando seu auto-retrato era uma tentativa de mostrar para as pessoas como eram feitas de fato suas ilustrações.

Um crédito que é sempre dado a Rockwell é que as pinturas dele tinham uma narrativa.

A imagem que ele fazia não era uma mera representação, elas contavam uma história, elas conduziam o olhar e a atenção de quem estava vendo para um ponto. Ele era uma mestre da composição visual e do design e da comunicação através da imagem.

O interessante é que isso não exatamente uma questão de pintura, apesar de tudo isso compor o resultado, mas é algo que ele trabalhava desde a referência. Tem imagens interessante colocando lado a lado a foto feita para referência, com tudo posicionada como deveria ser a pintura final do Rockwell.

Ele acrescentava a dimensão da cor, dos contrastes e resgatava aquela vida, aquele brilho e aquele movimento que muitas vezes se perdia na foto.

Outra questão importante do trabalho dele é que ele foi uma espécie de cronista político e de costumes do seu tempo, é possível fazer infinitas análises sobre a temática que ele usava, tudo bem, no geral isso vinha das demandas editoriais, mas ele colocava o seu viés quando conduzia o olhar do leitor da revista que publicava uma imagem sua.

Não há como negar que ele era um pintor virtuoso. Ele tinha suas estilizações, suas simplificações, suas caricaturizações (como não notar as clássicas bochechas rosadas em quase tudo), mas o resultado era extremamente preciso, é reducionista dizer que era uma pintura fotográfica, porque o trabalho dele é muito mais do que isso, mas ele tinha uma técnica surpreendente.

E, acima de tudo, ele era um comunicador visual habilidoso, com uma imagem ele era capaz de criar uma narrativa, contar uma história.

Talvez ele não seja lembrado pela história da arte como pintor, mas certamente está na história do design, da publicidade e da comunicação visual como um dos grandes ilustradores da história.

 

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