Ditadura no Ar

Estava revendo meus posts do blog antigo para ver se tinha falado algo útil sobre as edições anteriores dessa HQ cuja edição final foi publicada no final do ano passado.

Na época que saiu o primeiro volume de Ditatura no Ar eu estava na comissão do HQMix que indicou o Raphael Fernandes como roteirista revelação no ano que ele ganhou o o Troféu, justamente por essa HQ, e ele foi um dos caras que eu realmente torci na época, inclusive, era ele que encabeçava minha lista de indicações para compor a cédula.

Ao mesmo tempo, naquele ano, fiquei muito triste do Abel, desenhista do Ditadura, que também estava na minha lista de revelações, não ter passado na peneira inicial.

Eu cheguei a resenhar o primeiro número dessa série para o Universo HQ, infelizmente essa resenha ainda reside no limbo de textos que faltam migrar na versão antiga do site.

Mas enfim, o que é importante saber: Ditadura no Ar é uma HQ excelente.

É uma história policial noir ambientada na Ditadura Militar brasileira sobre o fotógrafo Félix Panta que está em busca da sua namorada, Nina, presa pelos agentes do DEOPS. A partir dessa premissa segue uma história nos clássicos moldes da literatura noir com um personagem principal “durão” tentando salvar uma “donzela em perigo”.

O interessante é como tudo funciona bem nessa história.

O ritmo das quatro HQs, com os flashbacks sobre o relacionamento de Félix e Nina, as investigação linear no melhor estilo “quebrar algumas cabeças” para descobrir o que está rolando, a ideia de ser uma história inserida no contexto da ditadura, o que coloca a lei e a ordem e o sistema como vilões da trama, e a arte.

Tenho que abrir um a parte para o quanto eu gosto da arte do Abel (Rafael Vasconcellos) para essa minissérie. A arte tem um quê de Eduardo Risso, um quê de Mignola, com um traço fino, econômico, angulosos, preciso e a cor fantástica, meio ocre, meio sinistra, craquelada, que compõe o clima exato do quadrinho.

Esse é um daqueles casamentos felizes onde a arte capta o roteiro e transpõe a atmosfera visual e narrativa perfeita para a história.

Sobre a edição final que saiu recentemente, quem já estava acompanhando a série tem que obrigatoriamente comprar, quem não estava, dá para ler só a última parte se quiser, mas vale esperar um pouco porque em breve deve sair uma versão encadernada completa ou uma versão digital da história toda.

A edição final é extremamente justa para com a série. Um final intenso, desesperador, digno demais. Pode-se dizer que não existe uma opção única para o final, sempre tem aquelas saídas fáceis, sempre tem as saídas clássicas, mas tem os finais que, apesar de duros, coroam a série, como é o final de Ditadura no Ar.

Apesar de eu gostar imensamente da arte, essa é uma história tão boa que eu gostaria de ver em um filme com esse climão noir aplicado a nossa brasilidade.

Vale a pena procurar a HQ (na loja física da Comix tem todas as edições) ou pelo menos ficar atento para quando o autor anunciar a reedição da história.

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