Doctor Who – 10ª Temporada

Encerrou mais uma temporada de Doctor Who, a última de Peter Capaldi no papel principal.

Se você não sabe do que eu estou falando, Doctor Who é um programa de ficção científica da BBC sobre um alienígena, humanóide, de uma raça chamada de Senhores do Tempo, ele tem uma nave capaz de viajar no tempo e no espaço e vai para onde é necessário para salvar o dia. A série tem mais de 50 anos de existência com uma história única e o segredo disso é que a raça do Doutor é capaz de, próximo da morte, regenerar e continuar a vida com um corpo novo (isso justifica a troca de atores, 13 até agora).

Eu fiquei fã da série depois que ela retornou ao ar 10 anos atrás (essa contagem de temporadas se refere a essa nova fase, mas não desconsidera a história contada na fase clássica). Essa é uma série que me resgata uma sensação que eu tinha quando amava quadrinhos de heróis. Doctor Who me fez acreditar de novo que as histórias bobas podem ser mais do que excelentes.

A série é bem concisa, inteligente, divertida, com um uso absurdo de bom de viagem no tempo e roteiros muito, muito engenhosos. É difícil ver os dois primeiros anos dessa nova fase e não se apaixonar pelo personagem.

Particularmente eu achei que o Capaldi entrou em uma fase meio de baixa criativa da série, a temporada anterior eu achei bem morna, apesar de sempre ter um ou outro grande momento.

Essa temporada, com a nova companheira de viagem,  Bill Potts, a divertida Pearl Mackie, e o Nardole, Matt Lucas, me veio como um eco de uma temporada que eu adorei, a terceira, com a Martha Jones, Freema Agyeman, como companheira.

Essas duas temporadas têm muitas simetrias, aparentemente Bill será uma companion de uma única temporada, como Martha, tem um episódio, o dos Monges, que tem uma história muito semelhante ao episódio final da Martha; tem a volta do  John Simm, que foi o Master na temporada da Martha; ambas têm praticamente um companion a mais (na terceira o Capitão Jack e nessa o Nardole); e, na minha opinião, tanto a Bill quanto a Martha são companions que sofrem muito as consequências de viver essa aventura com o Doctor.

Enfim, a temporada teve ótimos momentos, ótimos discursos do Doutor contra o capitalismo e contra a guerra, teve uns paralelos e umas referências bem curiosas com o momento político conturbado do mundo (com referências ao Brexit e até ao Trump) e, terminou com um gancho mais do que sensacional para o episódio de natal.

Isso não é spoiler do episódio em si, mas no final que foi quase um clipe para o próximo episódio, com a participação do David Bradley, como primeiro Doutor (vale lembrar que ele já fez esse papel no belíssimo An Adventure in Space and Time que conta os bastidores da origem da série, aliás, procure e assista esse filme se você não viu, ele fez parte das comemorações de 50 anos do personagem e é muito, mas muito lindo, principalmente a atuação do Bradley, que é tocante).

Enfim, achei essa temporada um pouco melhor que a anterior, valeu pelos bons momentos, mas não está me empolgando tanto quanto no começo. Mesmo assim, que venha um novo Doutor e que seja grandioso e divertido e emocionante de um jeito que só Doctor Who sabe ser.


Tem vários livros do Doctor Who agora no brasil, olha nesse link que sempre tem promoção boa para comprá-los http://amzn.to/2skuwaW


Versão em vídeo da resenha