Doctor Who: especial de natal e despedida do Moffat

O episódio de Natal do Doctor Who desse ano foi mais especial pelos bastidores do que pela trama em si.

Tudo bem, é meio difícil você surpreender o público quando toda sua campanha de divulgação envolve basicamente contar o começo e o fim do episódio.



Quando os fãs foram assistir o episódio de natal eles já sabiam que o primeiro Doutor iria encontrar o Doutor do Capaldi, ambos se questionando se deveriam ou não se regenerar. E os fãs sabem que o primeiro Doutor regenera (basicamente 50 anos de série acontecem por causa disso) e sabem que o Capaldi se regeneraria no final do episódio para apresentar oficialmente a nova Doutora, interpretada pela Jodie Whittaker.

Até dava para o episódio ser bem melhor se a história em si que acontece entre o começo e o fim não fosse tão morna, mas é aquela coisa, o episódio é importante por si só, mesmo não sendo tão emocionante na trama, a emoção já estava garantida.

A despedida do Capaldi é obviamente importante, que foi definitivamente um grande Doctor, com uma capacidade imensa de entregar belos discursos com emoção na medida. Todos os Doctor sempre têm bons textos e grandes discursos, porque é um personagem que basicamente vence tudo na inteligência e na conversa, mas cada ator tem seu tom e a sua entrega e, pra mim, dos Doctors da nova fase, o Capaldi é o mais habilidoso nesse quesito.

Mas além do Capaldi, o especial marcou o fim da fase do Moffat como produtor da série. Moffat escreveu alguns dos episódios mais memoráveis e mais brilhantes da fase nova do Doctor e, na sua fase como produtor, apesar de caber algumas críticas, sendo a principal a repetição de ideias, Moffat pegou a série em um novo auge e a manteve como um elemento obrigatório da cultura pop/nerd mundial.

Trouxe transformações, como a Missy, a regeneração feminina do Master que foi tão brilhante que abriu caminho para uma Doutora. Criou a River Song, um personagem com uma história amarrada de um jeito tão lindo do começo ao fim.

Ele amarrou a trama da nova fase com o filme de 96 (que foi um fracasso imenso) e ressignificou tudo com o Doutor da Guerra do especial de 50 anos.

Pode ser que a série não tivesse mais aquele brilho e frescor nos últimos anos? Pode, já não dava mais aquela fissura pelos episódios, mas isso é natural em qualquer narrativa, agora, o fato de várias salas de cinema no Brasil estarem lotadas no dia 25 de dezembro para ver uma série que nunca nem passou direito na TV no Brasil e que basicamente só tem uma base de fãs graças a pirataria… cara isso é um mérito imenso.

Agora, pra mim, fora tudo isso, o grande destaque do episódio de natal é o primeiro Doutor interpretado pelo David Bradley que já tinha feito esse papel no filme An Adventure in Space Time que conta bastidores da criação da série. Particularmente eu acho esse filme uma das coisas mais bonitas e tocantes feitas no especial de 50 anos do Doctor e ajuda muito a entender toda a ficção britânica pela série.

Enfim, Moffat se foi, Capaldi se foi, quero muito ver o que vem a seguir, espero que seja brilhante.