Esquadrão Suicida

Está rolando uma polemicazinha meio boba em torno do filme porque as pessoas – sabe-se lá porque – decidiram que tudo sempre tem que estar dividido em dois lados – talvez seja para simplificar, o mundo moderno é tão corrido que não dá tempo de pensar, tudo tem que ser pré-moldado.

Enfim, independente disso fui assistir ao Esquadrão Suicida (principalmente por causa da resenha do Guilherme Kroll) porque ele disse a palavra chave para mim: o filme é divertido.

No fim, depois de todas as análises técnicas objetivas e subjetivas, acho que isso é exatamente o que mais importa. Um filme do Esquadrão Suicida produzido pela Warner, dirigido e escrito pelo criador de Velozes e Furiosos certamente não será o ganhador de melhor filme do ano em Cannes e certamente não terá uma qualidade artística que transcende nossa alma para outro patamar, então, oras, se ele não for divertido, pra que serve?

E olha que o filme tinha tudo para dar errado. É um filme de origem com uma dúzia de personagens desconhecidos que precisam ser apresentados, que precisam ter um mínimo de tempo de tela individual e que o diretor tem que somar a isso uma história maior que deixe tudo mais ou menos fazendo sentido.

É bem difícil esse trabalho protocolar, MAS, mesmo essa etapa do filme foi bem dosada. Com muita música, colagem de cenas e um trabalho de letreiros estilizados, a dinâmica de videoclipe que impera no filme dando  o ritmo certo para um conjunto tão grande de histórias rolarem de forma ágil. Vale dizer aqui que essa coisa meio videoclipe é algo que me agrada muito, é raso, óbvio, mas eu gosto, tudo bem que a trilha escolhida é de “sucessões” já um pouco gastos, mas funciona para o meu gosto.

Nem todos os personagens do filme são trabalhados. O Deadshot do Will Smith e a Harley Quinn da Margot Robbie ficaram com o mais próximo de um protagonismo dentro do grupo, tem suas histórias mais bem trabalhadas. Já o Crocodilo de Adewale Akinnuoye-Agbaje praticamente é um musculoso aleatório sem direito a maiores explicações.

Do outro lado do filme, a Amanda Waller da Viola Davis talvez seja a única atuação realmente memorável.

Se você chegou até aqui e não sabe o que é o Esquadrão Suicida vou resumir rapidamente. Amanda Waller, a poderosa líder de uma empresa de segurança ligada ao exército, propõe a criação de um time com vilões de segundo escalão da DC para missões suicidas. O grupo tem chips implantados na cabeça e se eles desobedecem, morrem.

O plano da Warner é dar uma consolidada na sua franquia da DC então a motivação do filme foi o surgimento do Superman e o filme conta com a presença do Batman que em 5 minutos de filme tem cenas 50 vezes melhores que todo o Superman v Batman, e, na sua cena extra pós-crédito, copiando quase que literalmente a cena extra de Homem de Ferro, faz uma chamadinha para o filme da Liga da Justiça.

De tudo, a única derrapada real do filme é o Coringa. Está absolutamente tudo errado ali, o conceito do personagem, o visual e a atuação sofrível do Jared Leto. Fora que a história do Coringa é um mero adendo a história da Harley que certamente foi estendida mais do que o necessário pela seguinte lógica: para contar a origem da Harley tem que ter o Coringa >> só que o Coringa é um vilão mais icônico que todos os outros personagens do filme somados e multiplicados aos infinito >> logo, não se pode compor um personagem para uma única cena, ele precisa de um arco próprio >> o resultado é que nem o personagem ficou bom, nem o encaixe dele ficou legal.

No geral, não vou dizer que o filme vale os quase quarenta reais que os cinemas de são paulo chegam a cobrar de um ingresso 3D, mas, dentro da sua proposta de filme de ação divertido é um grande sucesso. Se não quiser pagar para ver, daqui uns meses quando ele estiver acessível vale a pena conferir.

Nem vou colocar um trailer aqui no post porque a Warner gastou tanto dinheiro enfiando esse trailer em tudo que é canto que ele já me cansou profundamente apesar de eu ter gostado na primeira vez que eu assisti.

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