Star Wars – Estrelas Perdidas

Antes de mais nada eu tenho que fazer duas ressalvas muito importantes:

1 – Traduzi a maior parte desse livro, então não vou nem comentar sobre a tradução em si e também vale reforçar que eu não ganho nada pela venda dos livros, caso isso ajude melhorar a credibilidade dos meus comentários.

2 – Não sou grande fã e muito menos “entendedor” profundo de Star Wars. Assisti aos filmes duas vezes na vida e a segunda foi só porque estava traduzindo o livro e queria me inteirar mais.

Já adiantei isso porque eu não tenho nada além de elogios para fazer sobre esse livro.

Eu tenho um fraco para essas narrativas quase épicas escritas para “jovens adultos” e acho que o maior mérito desse livro, principalmente para mim que nem sou grande fã de Star Wars, é que, mesmo tirando o cenário espacial e toda a tangencia com os filmes, o livro traz um grande narrativa.

Na história criada por Claudia Grey acompanhamos a vida de Ciena Ree e Thane Kyrell que se conheceram na infância e seguem cultivando uma paixão um pelo outro até em tempos difíceis de guerra.

A trama acompanha basicamente os três filmes originais da série e Ciena e Thane são alguns dos muitos oficias imperiais que estão mantendo a ordem no universo enfrentando a Rebelião. Obviamente o romance entre os personagens será testado no decorrer de todos os eventos.

Durante a história muito se questiona tanto a forma cruel como o Império governa quanto a incerteza da utopia Rebelde ser realmente algo bom para o universo ou se será apenas uma forma de voltar para os tempos de caos e disputas de poder mesquinhas. Outro questionamento interessante que o livro levanta é a morte das centenas de milhares de oficias do Império que apenas estavam seguindo suas ordens trabalhando nas duas Estrelas da Morte que são explodidas pelos rebeldes.

Essas questões, junto com as infinitas referências e pontos de vistas diferentes de várias das histórias dos filmes são o grande “algo a mais” para o fã de Star Wars que, inclusive, lá para o final do livro, tem várias dicas sobre eventos que ainda serão apresentados na nova trilogia que começa nos cinemas nessa semana.

Mas, como eu disse, tudo isso que é tão apelativo e interessante para o fã não foi exatamente o que me prendeu no livro. Apesar da estrutura narrativa ser mais ou menos uma formulinha básica, o ritmo da história é muito bom. Várias vezes eu estava precisando muito fazer uma pausa na tradução entre capítulos e a autora jogava uma virada na história que deixava tudo tão empolgante e tão emocionante que eu não queria parar.

Tudo está certinho no livro, as personagens são bem complexas e coerentes até o final, a trama tem os momentos certos de respiro e desespero, as descrições são boas sem serem cansativas, as participações dos grandes personagens são breves, mas têm todo o peso dramático necessário. Enfim, é um livro muito bem pensado, muito bem editado.

Outra coisa que me agrada muito é o contraste entre Ciena, que tem uma criação onde toda a promessa deve ser cumprida, onde sua palavra e sua honra são as únicas coisas relevantes, com Thane, que é distante da família, que é cético a respeito de tudo. Essas diferenças formam no livro uma dinâmica boa que acaba sendo o grande motor da narração.

Como disse antes, não tenho nada para falar mal do livro e só posso recomendá-lo muito para todos os fãs e até para leitores que estão procurando uma aventura empolgante mesmo sem ser um grande aficionado em Star Wars como eu.

O livro pode ser comprado na Saraiva, Livraria Cultura, Travessa.

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