Divirta-se com um lápis – Parte 1 – Rostos

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Essa série de posts mostra os exercícios do livro Fun With a Pencil do grande Andrew Loomis. Veja todos os posts aqui http://diletanteprofission1.hospedagemdesites.ws/tag/fun-with-a-pencil

Veja a playlist com os vídeos do livro aqui 





Continuando minha série sobre aprendizado de ilustração que é composta de entrevista e exercícios clássicos, vou começar a explorar um pouco a obra do Andrew Loomis.

Loomis é um ilustrador dos EUA que viveu entre 1892 e 1959, que trabalhou para publicidade, editoriais e foi professor. Ele também escreveu sete livros sobre técnicas de desenho, composição e pintura. (tem um vídeo sobre a obra dele com vários exemplos do desenho e da pintura dele aqui https://youtu.be/2dZWneOzVgQ)

Ele é um caso bem curioso, o trabalho dele é sempre lembrado, seus métodos foram copiados a exaustão, mas o livros dele nunca foram publicados no Brasil e, mesmo nos EUA não são mais tão comercializados. Minha teoria é de que por se tratar de um método tão tradicional usado por muitos artistas e professores as editoras prefiram publicar livros parecidos escritos por artistas populares no momento.

Mas as versões pdf pirata dos livros dele são bem fáceis de achar.

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Decidi começar o estudo desse autor por Fun with a Pencil (Divertindo-se com um lápis) por ser o primeiro dos livros dele e por ter uma proposta na linha “qualquer um pode desenhar”.

Eu sei que a princípio pode parecer algo assim:

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Mas tenha um pouco de paciência que vale a pena.

O método do Loomis propõe algo que eu acho que é um dos melhores caminhos para se começar: quebrar uma forma complexa em formas mais simples (esferas, cubos, etc). Você olha o que quer desenhar, compõe a estrutura principal com figuras simples (que não precisam ser desenhadas perfeitamente com régua e compasso) e a partir daquilo vai dilapidando o desenho.

Loomis começa seu livro com propostas para desenhar rostos.

Rostos são ótimos para começar porque é muito fácil a gente enxergar um rosto em qualquer coisa e ele pode ser simplificado de várias formas, por exemplo =p

Por outro lado, é preciso muito cuidado se o seu primeiro contato com o desenho forem os rostos. Você pode aprender a desenhar rostos legais rapidamente e corre o risco de quando for desenhar uma pessoa de corpo inteiro ficar ali trabalhando o rosto nos mínimos detalhes antes mesmo de esboçar toda a ilustração e aquele rosto, no final, pode não caber no desenho.

Então vale seguir a proposta do Loomis e começar se divertindo com rostinhos, mas não fissure nisso.

Basicamente, você vai desenhar um círculo, traçar duas linhas centrais que direcionarão e darão tridimensionalidade e irá compondo o seu desenho acrescentando nariz, olhos, orelhas, sempre usando as linhas como guia e sempre desenhando outras estruturas simples como precisar.

Loomis propõe também desenhar dois ou três círculos que se cruzam de qualquer posição e criar um rosto em cima disso. Veja, esse exercício em particular não tem um grande valor, porque você vai criando coisas sem um objetivo, ele é mais um passatempo.

Na imagem abaixo tem alguns desenhos que eu eu fiz baseados nos exemplos do Loomis.

Uma técnica de design que ele sugere que está nesse exemplo abaixo é alternar curvas e retas, que é algo que funciona bem e cria uns resultados bem legais.

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Essa página abaixo, é mais um exemplo das construções divertidas proposta pelo Loomis, usando três bolinhas dispostas de formas diversas, você pode construir um rosto do jeito que quiser.


Algo importante para se atentar quando criar seus rostos são as expressões faciais. As expressões são a mensagem que você quer passar com o rosto, no fundo a expressão é a parte mais importante do desenho e é importante lembrar que expressão não é composta só pelo movimento da boca. A expressão distorce o rosto como um todo, alonga ou comprime vários músculos e é importante pensar em que direção cada peça do rosto deveria ser mover para compor a expressão.

Essa próxima página mostra uma composição um pouco diferente de esferas e outras figuras.

Aqui tem uma dica importante de design: equilibrar o uso de linhas curva e retas. Apesar disso divergir da realidade, o desenho fica mais interessante quando as linhas têm uma boa alternância de de curvas e retas e, no caso de rostos masculinos ou de idosos, um desenho mais angular, mais cheio de quinas, tende a dar mais característica aos personagens.

No topo da página tem alguns exemplos do Loomis de rostos de bebês, é importante notar que os bebês e as crianças não são miniaturas de adultos, eles têm suas próprias peculiaridades nas proporções.

Agora uma questão mais técnica.

Para essa parte talvez o mais aconselhável seja ver o vídeo que eu fiz que está abaixo.

Essa técnica de projeção serve para você rotacionar um rosto que você criou mantendo as proporções básicas.

Sinceramente, isso não tem uma grande utilidade prática, mas é um exercício importante quando se está começando.

É muito válido criar um rosto de e virá-lo em diversas posições usando essas linhas como uma espécie de guia para conservar as medidas básicas.

Esse exercício abaixo é bem interessante para a construção de novos personagens a partir de um original ou para criar uma caricatura ou um visual mais distorcido e mais interessante da figura que você está trabalhando.

Você cria um desenho normal, coloca ele em um grid (uma caixa quadriculada) e faz uma nova versão desse grid distorcendo de alguma forma e reposiciona os detalhes do rosto seguindo a distorção do grid.

Abaixo o exemplo do Loomis, mas talvez esteja mais claro no meu vídeo.


A seguir são algumas páginas com exemplos do Loomis, ele tem um traço bem engraçado, então vale a pena tentar copiar algumas de suas fórmulas para treinar. Tem também uma tabela de expressões faciais. Sempre que eu olho algo do Loomis eu me impressiono como o desenho dele é atual e ao mesmo tempo característico da época dele. Não sei se é por ele ter sido inspiração para muitos artistas em atividade, ou se ele estava mesmo a frente do tempo dele em termos de design, mas o trabalho dele salta ao olhos até hoje.

Abaixo a parte mais técnica desse capítulos, as medidas de Rostos propostas pelo Loomis (isso serve como referência para o vídeo de fórmula mágica de desenho de rostos)


Loomis explica que nem todos os rostos  seguem exatamente a distribuição que ele propõe, mas que essa fórmula onde você cria a esfera, projeta com a mediana a linha do queixo, tem a linha da sobrancelha como guia para a orelha, a distância entre o nariz e o cabelo igual a do nariz e do queixo e os olhos e boca na metade dessa distância ajuda a desenhar quando se tem um prazo apertado. É uma fórmula que serve, inclusive, como método de checagem para entender porque um rosto talvez pareça estranho.

Minha dica é pegar um foto, e observar onde caem essas linhas e, reproduzir esse rosto usando essas marcações. Foi o que eu fiz com o Ted Dawson aí embaixo. Fiz todas as marcações à lápis, fui detalhando aos poucos os elementos e depois cobri as linhas necessárias.

Outra técnica que está nessa imagem é a de usar linhas guias para girar um rosto, basicamente isso ajuda você a manter as proporções do desenho original quando vira o rosto, alguns desenhistas montam um conjunto de estudos de personagens e fazem esse tipo de checagem quando acham que essa ou aquela posição está estranha.

Caso você não consiga visualizar de cara as estruturas básicas, você pode fazer o que eu fiz na figura seguinte, pegar umas fotos em revistas e riscar as marcações, isso ajuda a entender que praticamente tudo cabe em uma forma primária.

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Paciência agora porque eu vou repetir as duas coisas mais importantes desse post:

1- As estruturas padrões de medidas de rostos são importantes para criar rostos do zero de forma não esquisita, lembrando que, como cada pessoa é de um jeito, o legal é aprender as medidas padrões e formas tradicionais e brincar com isso, abrindo o queixo, aumentando o nariz, etc.

2- Apesar desse post se focar em rostos, minha sugestão é que você olhe para tudo a sua volta e encontres figuras simples que permitam desenhar a estrutura básica do que você está olhando, lembrando que o importante não é desenhar um círculo perfeito, ou linhas perfeitas e sim manter as proporções da estrutura, porque isso é o que mais importa na hora de encaixar e recortar os detalhes.


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