Exercícios básicos de desenho: 7 dicas para escolher referências para estudar

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Eu quero intercalar alguns exercícios com umas dicas mais gerais e a primeira delas é sobre como escolher referências para estudo e também como montar uma progressão de aprendizado. Essas dicas são mais pensadas para quem está começando no desenho, mas, como o aprendizado de desenho não é uma linha reta, mesmo os desenhistas mais experientes podem aprender muito voltando para o básico. Para esclarecer o vocabulário antes de começar, a referência dentro do conceito de estudo de desenho que eu prático é uma imagem que serve de base, ponto de partida, para o desenho que eu vou fazer como estudo. Veja, a referência não é necessariamente um ponto de chegada, a pessoa decide o quanto ela quer aproximar o resultado da referência ou que elementos da referência vão ser usados. 1 – O que é uma boa referência? Uma boa referência é uma imagem que serve ao propósito que você precisa. Se você só precisa ter uma ideia de como é um elefante, qualquer foto resolve. Mas se você quer estudar luz e sombra, quer fazer uma aquarela, você precisa de uma foto com uma luz mais marcada. Por exemplo, quando eu estudo aquarela, se a referência é uma foto boa, de um bom fotógrafo, com uma boa luz, 50% do meu caminho já está resolvido. Com uma boa referência eu posso focar só na técnica, sem se preocupar com melhorar luz, valor tonal, contraste. Eu sei onde eu quero chegar. 2 – Quais referências o iniciante deve usar? Sempre é mais fácil começar por formas básicas, então procure referências de sólidos geométricos, tente entender o funcionamento deles, compreender a abordagem para desenhá-los. Passe para esculturas, animações 3D, pinturas e desenhos de grandes mestres, porque esse tipo de imagem é algo que já passou pela mão de um artista que resolveu as principais questões de luz, forma e composição, ou seja é muito mais fácil do que o próximo passo que seria as referências fotográficas. A última etapa seria o desenho de observação em si. Colocar um objeto ou um modelo vivo na sua frente e desenhar. Apesar disso ser uma progressão de dificuldade, não quer dizer que você simplesmente passa de um para outro. O grau de dificuldade tem a ver com a sua capacidade. Se você já consegue desenhar uma foto, quer dizer que você vai buscar referências de todos os tipos, inclusive de observação e de formas básicas, porque o desenho é sempre cíclico. Se você não conseguiu superar as formas básicas, pode tentar algo mais complexo, mas vai ser bem mais difícil. 3- Desenhos de outros artistas são boas referências? Sempre que se usa os desenhos de outros artistas é preciso tomar cuidado porque cada artista tem seus vícios e “erros”. Quando a gente se espelha em outro artista é preciso ter o senso crítico para aproveitar ao máximo o que ele tem de bom e descartar o que tem de ruim. Outra questão muito importante é que não adianta simplesmente copiar outro artista. Você tem que tentar entender o processo dele, a partir de suposições e experiências você tem que tentar imaginar como aquele artista esboçou um desenho, como construiu a imagem (tem um vídeo sobre mapa de influências releituras no canal, lá eu falo mais sobre isso). 4- Onde achar referência? Antigamente as pessoas tinham livros e catálogos infinitos de fotos e referências para trabalhar. No japão, os mangakás, que têm um volume de produção absurdo, tem livros inteiros de referências de salas de aulas, de corredores ou diversas outras coisas até muito específicas. Hoje, a internet é uma maravilha para encontrar referência, você joga no google e acha infinitas fotos do que quiser. Eu recomendo o uso do Pinterest, um agregador de imagens. Nele você pode fazer buscas e montar pastas próprias para formar sua coleção de referências. (por exemplo, esse é o link das minhas pastas). Outra coisa legal do pinterest é que quando você acha uma referência próxima do que você precisa, o site sugere várias outras coisas parecidas. 5 – Como abordar uma referência? Primeiro você vai dedicar um tempo para olhar de fato para a referência e para entendê-la. Olhe bem para as formas, as linhas, a ocupação do espaço. Tem vários métodos para desenhar a partir de uma referência. Você pode buscar uma estrutura, você pode tentar desenhar as massas. Você pode usar apenas alguns elementos e aplicar em outro desenho que você tem na cabeça. Agora, você vai ver por aí infinitos truques para copiar um desenho. O importante é entender que quando se usa a referência, por mais que seja o desejo chegar em uma reprodução fiel, copiar é algo que ensina muito pouco. Não importa qual é a abordagem que se usa, o importante é não copiar, não colocar um papel em cima e fazer decalque, não fazer um grid e copiar cada quadradinho. 6 – Mas tem algum truque? Olha, para conseguir me localizar em uma referência muito complexa (uma paisagem, por exemplo) eu marco as medianas da referência. Na lateral do papel eu faço uma marcação no meio das larguras e no meio das alturas, faço o mesmo na referência (obviamente, meu papel é proporcional a minha referência em largura e altura). Se a referência não está impressa, eu faço essa marcação no photoshop ou qualquer editor de foto. Isso me ajudar a navegar melhor e saber melhor onde está cada elemento. 7 – Mas e as pessoas que dizem que usar referência é crime? Tem um monte de gente que diz que não se pode usar referência, que usar referência é roubar… mas é aquela coisa tem gente para dizer todo o tipo de besteira possível. Ninguém desenha do nada. Com o tempo o desenhista desenvolve um vocabulário próprio, absorve uma série de formas e elementos e encontra um jeito próprio de desenhar e muitas vezes não precisa mais de referência para chegar no básico, mas sempre que ele se depara com uma situação onde tem que desenhar algo muito específico ele vai buscar uma referência. A referência é um instrumento de aprendizado e trabalho. O desenho é feito com o processo de olhar e desenhar, não existe um sem o outro, mesmo que o olhar seja uma biblioteca mental e não algo físico. Versão em vídeo do post