Flash/Supergirl/Arrow/Lendas temporada 2016

Eu vejo as séries da DC com um ano de atraso, porque espero que elas entrem no catálogo da Netflix.

Uns meses atrás entraram as temporadas novas das séries e eu dediquei algumas semanas para ver todas.



Não dá para dizer que as séries são espetaculares. A produção é bem fraquinha, o que é compreensível pois essas séries são ambiciosas demais para o orçamento limitado da TV. Os atores são sofríveis, mas, pelo menos, parecem estar bem a vontade no papel e, pelas entrevistas que dão, parecem gostar muito das séries e sempre se empenham para divulgá-las.

O Stephen Amell, ator que faz o Arqueiro Verde, que é um dos campeões de canastrice, sempre está divulgando o personagem, tem até uma participação bem legal dele em um programa dos EUA chamado American Ninja que é um reality onde os atletas competem em um circuito bem difícil e o Amell foi lá e mostrou que não precisa de dublê para a parte física da série.

Mas mesmo com essas questões de má atuação e produção precária, o que segura mesmo a série foi a opção por um roteiro despretensioso, com foco em ser mais divertida do que pseudo inteligente. Esse tom mais livre de certa forma começou com o Flash e se espalhou por todas as séries. Mesmo Arrow, que tinha começado mais sombria, tentando ser uma espécie de Batman (aliás, fazendo várias temporadas baseadas em histórias que nas HQs eram do Batman) foi encontrando um tom mais leve.

Aliás, o Arrow, em 2016, finalmente trouxe uma história que é dos quadrinhos do Arqueiro Verde e dedicou a quinta temporada as aventuras do Oliver Queen como prefeito de Star City ao mesmo tempo que comanda seu grupo de vigilantes.

O Arrow no fim, apesar de ter iniciado esse universo das séries interligadas, como sempre tem uma temporada razoável, não tem nada de memorável, mas também não é ruim.

Nessa mesma linha está o Lendas do Amanhã. O Lendas faz uma verdadeiro catado dos personagens que sobram das outras séries, não é uma série excelente, mas funciona ao seu modo e tem até alguns grandes momentos. Na temporada 2016, por exemplo, tem um combo de vilões do Flash e do Arrow formando a Legião do Mal e tem uma ponta da Sociedade da Justiça da América. Ou seja, são umas referências bem bacanas aos quadrinhos que junto com outras sacadas divertidas que acabam segurando a série.

Indo para o conjunto das melhores séries temos o Flash, que, pra mim, teve sua temporada mais fraca em 2016.

A série continua divertida, mas na mistura de realidades paralelas, multiverso, viagem no tempo a série começou a embolar. Fora que o Barry da série, apesar de toda sua tragédia pessoal, sempre foi um tanto mais leve enquanto personagem. E, essa temporada, começa com ele desmanchando a realidade paralela que ele criou e, dali para frente, ele passa o tempo todo carregando uma culpa imensa pelo estrago que fez.

Talvez o problema dessa terceira temporada não tenha sido o roteiro mais complexo e sim o peso excessivo no drama que, por mais que tenha o seu valor, não combina tanto com o que eu espero da série.

Agora, a nova queridinha das séries da Waner é sem dúvida a Supergirl.

A segunda temporada parece que já foi com muito mais liberdade do que a primeira. Pra começar eles diminuíram o lado Diabo Veste Prada da primeira temporada e, depois, finalmente eles pararam com a frescura de dizer que tem um Superman e o personagem aparece na série, tem um papel importante e não ofusca em nada a Supergirl, muito pelo contrário, a presença dele só engrandeceu a série e a personagem.

E não tem como, a série da Supergirl se provou a campeã em saudosismo. Por um lado ela trás um clima bem da era de ouro dos quadrinhos, com um tanto de nonsense e coisas sem muita explicação. Um exemplo disso é o episódio com o Mxyzptlk, um vilão clássico do Superman com um poder mágico quase ilimitado e, é claro, o episódio do crossover do Flash que é um musical! Algo que não é inédito (muitas séries fazem isso) mas que é uma mostra de que a série favorece a diversão em vez do realismo, o que é uma marca dos quadrinhos antigos que eu acho muito válida, um retorno para o caminho do entretenimento.

Ainda na linha do saudosismo, a série caprichou nas participações especiais, como o Dean Cain e a Teri Hatcher (a Superman e a Lois da série de sucesso dos anos 90) e a Lynda Carter, a Mulher-Maravilha dos anos 70.

Apesar da série da Supergirl ter sido projetada para ser algo a parte do universo do Flash/Arrow, no fim, ela não só se integrou bem como se mostrou a melhor de todas as séries.