Hawaii 5-0

A refilmagem de Hawaii 5-0 que vem rolando desde 2010 é uma das séries que eu gosto bastante, mas que não me compelem a acompanhar episódio a episódio assim que é lançado nos EUA.

Tem dois fatores aí:

1- A série está no acervo da Netflix, com um ano de atraso nas temporadas, mas está lá. O que me incentiva a esperar para ver ali, uma temporada inteira por vez uma vez por ano (recentemente acrescentaram e já assisti a quinta temporada).

2- A série é boa, é divertida, mas não é, obviamente, a melhor coisa do mundo no momento, então, pra que a pressa rapaz?

Essa série não é daquelas unanimidades (nem positiva nem negativa) e não tem nenhuma comoção em torno dela o que é bem compreensível.

Vou começar dizendo porque a série continua no ar, que são os motivos que me atraem nela.

Hawaii 5-0 é uma série policial das antigas feita ignorando os dias legalistas de hoje. O Comandante Steve McGarrett (Alex O’Loughlin) quando foi convidado para deixar a carreira militar e formar essa força policial especial no estado do Hawaii recebeu “imunidade e meios”. Basicamente ele virou um Duro de Matar/Dirty Harry/qualquer outra história policial dos anos 90 para trás.

McGarrett e sua equipe agem no limiar da lei, não esperam por mandatos, não se preocupam com direitos civis e, apesar de toda uma aura de honestidade onde não roubam nada, não corrompem nada, não fazem nada por benefício próprio, seguem uma linha onde os fins justificam os meios.

Ah, mas isso é errado, ilegal, imoral, impositivo, ditador, militarista, cruel, desumano etc. Sim, no geral é. Mas é importante lembrar, antes de mais nada, que a série é uma ficção onde a preocupação com o realismo é bem tangente – tanto que o questionamento legalista pode ser o menor dos problemas se você tentar entrar no mérito do que é real e do que não é.

McGarret e sua equipe são quase super-heróis, só na quinta temporada impediram duas ameaças que poderiam causar o fim do mundo – sim, não uma crise no Hawaii, mas a destruição de toda a humanidade que se iniciaria nas pequenas ilhas paradisíacas que formam o estado de número 50 dos EUA.

Com isso a série se torna algo parecido com um gibi do Batman. Tem um lado detetivesco, mas que não é truncado, que não é frustrante e que não é maior do que o lado “série de ação com alívios cômicos” que de fato é a cara de Hawaii 5-0.

Outro charme da série é a relação entre McGarret e o detetive Danny Williams (Scott Caan). Os dois parecem um casal, tanto que na quinta temporada eles começam a fazer terapia juntos, exatamente como se fossem casados. O equilíbrio dos dois personagens é excelente. Danny é chato, reclamão, preocupado com tudo, enquanto MacGarret é impulsivo e corre todo e qualquer risco sempre de boa.

Infelizmente a quinta temporada aparentemente teve alguns problemas de produção e, apesar de ter vários episódios onde essa dinâmica da dupla marca bem o tom, teve muito episódios ou sem Scott Caan ou com a equipe agindo de forma separada em dois grupos, como se as histórias tivessem sido filmadas de forma isolada para facilitar a produção sem a interação com todo o elenco principal. Por outro lado, essa temporada já chegou naquele ponto em que as séries se dão liberdades para fazer episódios mais solto, tem um episódio onde encaixaram um excelente “o que aconteceria se” e um feito em estilo noir, ambos muito bons.

Agora, se é a série é tão divertida, se tem audiência para continuar no ar, porque não é tão comentada?

Simples, é uma série arroz com feijão, com roteiro simples (para não dizer simplório), mais de uma vez, já na primeira cena você sabe não só como termina mas como a história inteira vai desenrolar. A mecânica da série telegrafa toda a história e são poucos os momentos de surpresa. Você assiste, se diverte, mas não dá para dizer que se empolga, que fica grudado na TV, que tem uma história maior brilhante.

Hawaii 5-0 é a verdadeira síntese do bom e velho entretenimento.

Pra quem gostava do Lost, além da série também ser filmada no Hawaii e contar com Daniel Dae Kim no elenco principal, tem participações frequentes do Jorge Garcia e esporádicas do Terry O’Quinn.

Fora que a abertura da série tem uma trilha irresistível.

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