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Hell No! e Rumble Bots

Peguei duas HQs bem divertidas semanas passada.

Uma delas é Hell No!, do Leo Finocchi (autor do excelente Nem Morto) que eu tinha apoiado no Catarse e agora saiu pela Balão Editorial.

Acho que o Catarse do Hell No! foi um dos mais eficientes que eu já vi. Com um apoio a partir de $15 reais você já recebia a HQ em casa. Encerrou a arrecadação em 31/07/17, no meio de setembro já teve lançamento e quem optou por receber pelo correio recebeu autografada até antes de quem foi no lançamento, algo raro e bem justo, sempre fui a favor do apoiador receber a HQ antes de ela estar à venda.

Hell No! segue bem a pegada dos trabalhos do Leo, um desenho excelente, com um estilo cartoon bem elástico, com cara de animação, cheio daquelas poses dinâmicas e enquadramentos exagerados para parecer que o desenho está se mexendo no papel.

Eu realmente adoro essa linha de trabalho que as pessoas que têm passagem pela animação produzem em HQs.

A história não tem nada demais, é divertida, funciona, apresenta os personagens e para em um clímax bacana. É o tipo de HQ para moleque que deveria ser publicada mensalmente e não ser um evento especial.

Isso, aliás, é uma coisa que sempre me incomodou com o nosso mercado consumidor.

Não há um fluxo funcional para HQs nacionais que não são “intelectuais”, “alternativas”, “profundas” e “reflexivas” (e mesmo para esse mercado alternativo o público é pequeno).

As HQs que são divertidas, que deveriam ser compradas e lidas por um público que compra Homem-Aranha, Turma da Mônica Jovem e Mangá não consegue chegar à esse público e não tem lá um grande espaço no mercado alternativo.

Então várias HQs bacanas  como Hell No!, Mayara & Annabelle e algumas poucas outras que deveriam ser lançadas todos os meses saem esporadicamente e, no geral, não alcançam seu potencial porque o público-alvo acaba não sabendo que elas existem ou como comprá-las.

Outro exemplo, que eu só descobri por que fui na loja Ugra no lançamento do Hell No é a HQ Rumble Bots.

Essa HQ do  Mauro Salgado e do De Sorel, adapta um jogo de batalha de robôs e é muito bem feita.

A história é cheia de clichês? Sim, é daquelas que você já leu mil vezes.

Mas o desenho é excelente, o ritmo é bom, as cores e a edição são bem bacanas, o preço é honestíssimo ($7 cada edição, já está na nº 2) e a HQ atende uma proposta de entretenimento despretensioso.

Eu sou muito a favor do crescimento e da multiplicação desse tipo de quadrinhos e, principalmente, da formação de um fluxo que forme leitores de todos os tipos de HQs.

Acho que tem algumas iniciativas interessantes, como a Balão que publicou o Hell No, os Guias do Falido e o Macaco Albino, ou a Dracco que tem um trabalho bem consistente nessa linha de HQ divertida para molecada e parece estar se conectando bem com o público, mas ainda falta, mais constância de produção, de distribuição e, principalmente de compra.

Se eu fosse fazer uma crítica tanto ao Hell No quanto ao Rumble Bots seria a questão da história ser seriada. Isso é um verdadeiro paradoxo, porque esse tipo de história divertida nasceu para ser mais longa e seriada, contudo, por conta de tudo isso que eu falei sobre a dificuldade de venda, acaba sendo difícil pedir para o leitor apostar em comprar uma HQ que a experiência aponta que tem muitas chances de ser abandonada no meio do caminho.

Daí o leitor não compra porque não sabe se vai acabar e HQ não acaba porque ninguém comprou.

Eu mesmo vi na Ugra uma dúzia de HQs que me chamaram a atenção mas não apostei porque eram seriadas.

Se fosse dar um palpite, acho que, no momento, o ideal era que uma HQ igual o Hell NO, que está sendo publicada no Tapastic (você pode ler aqui), fechasse um ciclo maior no digital para depois captar e publicar uma edição impressa. O mesmo vale para o Rumble Bots.

Mas como eu comprei e quero que os títulos continuem, sugiro que vocês comprem também.

Compre Hell No aqui http://www.balaoeditorial.com.br/hell-no.html#

Compre Rumble Bots aqui https://www.facebook.com/aicopop/

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