Henry James

Por Diego Figueira

Henry James foi certamente o mais britânico dos escritores norte-americanos. Sua admiração pelo Velho Mundo fez com que se naturalizasse inglês em 1914, um ano antes de sua morte aos 72 anos.

Nascido em Nova York, em uma família cheia de intelectuais – o pai, Henry James Senior, foi um teólogo muito reconhecido no final do século XIX; o irmão William, filósofo e psiquiatra de relevância até hoje; e a irmã Alice, escrevia diários – Henry passou boa parte da vida viajando por países da Europa, desenvolvendo um gosto refinado por toda cultura e arte do velho continente. Foi grande amigo do pintor John Singer Sargent (leia sobre ele aqui).

Muitos traçam um paralelo entre James e Mark Twain, colocando-os em extremos opostos do modo de ser e pensar o homem americano no período pós Guerra Civil. Twain representa a consolidação da imagem norte-americana no final do século XIX como uma espécie de postura bárbara, um tanto rude para os padrões aristocráticos europeus, mas enobrecido pelo espírito aventureiro, desbravador, despojado e arrojado. James por sua vez reverenciava a sofisticação e os modos europeus. Um amante da natureza selvagem das paisagens americanas, outro da civilização e da civilidade europeias, o que os unia era o realismo. Twain de um jeito mais escancarado na representação dos gestos e especialmente no modo de falar, James abusando da sutileza e da ironia fina (que o coloca também em proximidade de Machado de Assis, seu contemporâneo). Boa parte das obras de James tratam do conflito do homem americano em contato com a sociedade, as instituições e os valores tradicionais europeus.

Henry James escreveu contos, romances (alguns de grande fôlego) , peças de teatro, ensaios, críticas e muito mais. Sua enorme produção não recebeu o reconhecimento que merecia em vida. Mesmo hoje, não chega a ser um nome muito lembrado entre leitores de literatura norte-americana e chega ao ponto de ser totalmente ignorado na divulgação da adaptação cinematográfica brasileira de uma de suas principais obras (o fraco “Atrás da Sombra”, transposição de “A volta do parafuso” para o ambiente paulista e um dos últimos trabalhos do ator Domingos Montagner).

Mas a falta de popularidade não ofusca a grandeza de sua obra. Nos mais diferentes gêneros, James foi um daqueles escritores que transcendem os paradigmas de seu tempo, escapando das rotulações dos estilos de época. É uma espécie de ponte entre o realismo do final do século XIX e das tendências modernas, especialmente no retrato psicológico de seus personagens. É apontado como uma das possíveis influências de Virginia Woolf.

Há uma boa quantidade de obras de Henry James traduzidas para o português e editadas no Brasil, algumas pela editora Cosac Naify que podem ser encontradas em promoção após a editora encerrar suas atividades. Também há boas adaptações audiovisuais disponíveis em serviços de streaming, como o filme “Pelos olhos de Maisie” e a peça de teatro “Os amigos dos amigos”.


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