Her

Spike Jonze é um diretor extremamente peculiar, capaz de criar filmes com premissas fantásticas calcadas em emoções tão realistas que o resultado são alguns ícones do cinema contemporâneo como Quero Ser John Malkovich e Ela (Her).

Her é de uma peculiaridade impressionante, primeiro por uma questão temporal muito bem trabalhada que o deixa quase atemporal. Ao mesmo tempo que há todo um questionamento futurista de um sistema operacional que desenvolve uma inteligência real e algo próximo a emoções, toda a ambientação da história tem um ar retrô peculiar.

A própria profissão do personagem principal tem um ar retrô-futurista muito poético. Ele trabalha para uma empresa onde o cliente solicita que um escritor profissional escreva cartas para um parente ou conhecido seguindo alguns parâmetros. Theodore, belamente interpretado por Joaquin Phoenix, simula um carinho e atenção através de cartas ditadas para um computador que as transcreve com uma letra que simula uma caligrafia real. E, completando esse cenário, ele se apaixona por um programa de computador que simula uma pessoa.

Tudo em Her está no lugar certo. A fotografia é linda, a música é precisa, o ritmo que balanceia uma melancolia imensa com momentos hilários como o robozinho do jogo de videogame de Theodore que tem um visual fofo mas só fala através de xingamentos (Fuck you, fucking face!).

Não há o que criticar na atuação do músico Joaquin Phoenix que caiu como uma luva para o papel, com a sua cara de “cachorrinho”.

E, é claro, tem a Scarlett Johansson que não aparece no filme, mas é uma das personagens principais. Ela é responsável pela voz do sistema operacional do telefone do Theodore e por dar o tom dessa personagem que sabe tudo, mas ao mesmo não tempo não compreende nada.

Existem centenas de narrativas que contêm uma inteligência artificial que para o bem ou para o mal saem de controle, mas dificilmente alguém contará uma história tão sensível com esse tema.

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