Holy Burger e o mito do seu Oswaldinho

Quem é de São Paulo, principalmente se for do Ipiranga, já ouviu falar do seu Oswaldinho, dono emérito do posto de melhor hambúrguer da cidade.


Antes de mais nada quero esclarecer que eu era cliente frequente do seu Oswaldinho quando ele ainda era vivo e sua lanchonete minúscula era extremamente concorrida na hora do almoço.

A lanchonete foi fundada 1966, está aberta até hoje sob o comando da família e é um daqueles mitos locais. O atendimento mal humorado, só come quem está sentado e só tem meia dúzia de bancos, não tem refrigerante, só suco de máquina, não tem batata, só hambúrguer. Com toda essa simpatia, Oswaldo conquistou as pessoas fazendo o que poucos faziam na época, um hambúrguer artesanal, feito no dia, ingredientes frescos sem congelar, maionese artesanal e, sua marca registrada, um molho de tomate também feito na casa que substituía o tomate em todos os lanches.

Com o tempo eu desenvolvi o que eu chamo de categoria “seu Oswaldinho” para todo tipo de restaurante. Lendo minha descrição da lanchonete parece algo extraordinário? Não, e não é mesmo. Seu Oswaldo fazia o que seria o mínimo, não vender um hambúguer congelado como a maioria das padarias fazem, não usar maionese industrializada e por aí vai. E, em uma época onde a industrialização parecia a grande maravilha do mundo, ele estava contra a corrente e se destacava.

Hoje em dia… a lanchonete pode até manter um título em consideração pelos anos de bons serviços, mas está longe de ser um exemplo de topo, ele se tornou um exemplo de mínimo, o padrão “seu oswaldo” é o mínimo para se considerar uma hamburgueria decente.

É mais ou menos como falar: nossa tem aquele restaurante italiano que faz a própria massa. Pra mim isso não é diferencial, isso é ponto de partida, se um restaurante italiano não faz a própria massa, não deveria nem estar aberto, se a hamburgueria não faz o hambúrguer, a maionese, etc pode baixar as portas.

Com isso eu tenho uma tendência a julgar os lugares que eu vou pelo padrão do seu Oswaldo, se fazem o mínimo é ok e não memorável.

Aí que entra o Holy Burguer, que é uma das hamburguerias que eu mais tenho ido nos últimos tempos. Óbvio que tem o fator da proximidade – assim como seu Oswaldo já foi próximo do meu trabalho no começo dos anos 2000, hoje o Holy é quem está próximo.

Fui no Holy na semana que abriu e depois, no ano seguinte, quando começaram a funcionar no almoço passei a ir sempre.

Como já falei antes, eles obviamente cumprem o mínimo – hambúrguer bom, não congelado, artesanal, maionese da casa – e tem um toque autoral excelente nas receitas e vários detalhes que os colocam no topo de qualquer lista de hamburguerias da cidade. Na real o Holy pontua em todo o meu checklist: tem um cardápio enxutíssimo (8 hambúrgueres, 1 batata e 3 sobremesas), hambúrgueres em um tamanho decente (nem muito grande ao ponto de desmanchar, nem pequeno ao ponto deixar fome), tem água filtrada como cortesia (esse era um movimento que estava crescendo, mas que depois da crise hídrica deu uma recuada, mas eu acredito que a água como cortesia tinha que ser um regra, não exceção) e o ponto da carne correto (antigamente tudo era bem passado, felizmente hoje tem crescido os lugares que apresentam a carne com o miolo vermelho suculento).

As sobremesas da casa são um capítulo a parte, o pudim de leite condensado e calda de cumaru servido na latinha é perfeito e o cheesecake é excelente em um nível que mesmo quem torce o nariz para esse doce acaba gostando.

Enfim, estando em São Paulo, vá ao Holy, mas vá cedo, a casa é pequena e enche rápido.

Serviço
Rua Dr. Cesário Mota Jr. nº 527
Segunda a sexta 12h às 16h
Segunda a quinta 18h à 0h, sexta até a 1h
Sábado 12h à 1h/ Domingo fecha
Delivery e contatos http://www.holyburger.com.br/

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