House of Cards (temporada 4)

Nesse fim de semana a Netflix disponibilizou a quarta temporada de House of Cards, o primeiro grande sucesso de produção própria da empresa de streaming.

Eu sempre achei House of Cards uma boa série, bem filmada, com uma bela fotografia, grandes atuações. Tudo ali parece tecnicamente perfeito, mas não era uma série empolgante, não era aquela série que você assiste sem parar, desesperado para saber o que vai acontecer. Talvez a primeira temporada fosse empolgante pela novidade, pelo interesse por conhecer os personagens, a dinâmica deles, até onde eles estão dispostos a ir.

É aquele momento que vemos quem é Frank Underwood, o deputado democrata interpretado por Kevin Spacey e quem é sua esposa Claire (Robin Wright) e como eles jogam com as pessoas, como manipulam e amarram quem eles precisam, atropelam quem está no caminho e destroem os inimigos.

Na segunda temporada as pessoas começam a questionar como alguém pode ser tão malandro quanto Frank, como ele pode ser mais inteligente que todos os políticos juntos e várias outras questões sobre a manipulação política, manipulação jornalística e tudo mais.

Para mim a terceira temporada é a que mais consolida essa questão de ser uma série excelente mas que não prende. Nessa temporada, depois de uma série de golpes e artimanhas Frank assume a presidência dos EUA sem ter recebido nenhum voto para um cargo executivo.

Ali começa-se a lidar com os supostos golpes perfeitos que Frank deu pelo caminho, com as pessoas em volta dele que são prejudicadas como o fiel assessor Doug Stamper. Mas, no geral, é aquela temporada que você assiste porque sabe que é bom, mas vê um episódio a cada quinze dias porque não empolga.

Agora, isso muda completamente nessa quarta temporada. Frank está em campanha, Claire está contra ele para conseguir algo além do que ser a Primeira-Dama e tudo parece desesperadoramente perto do fim.

Dos treze episódios, o único “respiro” que a série dá é no final do episódio seis que, de certa forma, fecha um ciclo. Mas, tanto antes quanto depois desse ponto, a temporada prende o espectador com uma tensão tremenda, com uma série de reviravoltas e ganchos bem posicionados.

Eu mesmo assisti aos 13 episódios em dois dias, tamanho era o desespero de saber o que acontecia.

Tem várias coisas a se observar nessa série. Óbvio que tudo aquilo tende a ser impossível e que a maioria dos personagens, o casal Underwood incluso, é uma caricatura de políticos reais, mas é impossível não pensar que muitos políticos sejam como os da série, não tenham filosofia nenhuma, meta social, nada, apenas fome por poder. [Aliás, um parêntesis interessante aqui, em nenhum momento nenhum político da série age para benefício financeiro próprio, não recebe propina, mala de dinheiro, nada disso, tudo que eles fazem por debaixo do pano, tudo que eles corrompem é pura e simplesmente um jogo de poder.]

Outra questão interessante é o oponente republicano de Underwood, Will Conway, interpretado por Joel Kinnaman que faz o tipo do político queridinho da internet, com a família perfeita, com uma fachada perfeita, mas que no fundo é tão oportunista quando Frank.

Como sempre a Netflix investiu bastante em publicidade e comprou a capa das revistas semanais que noticiaram a campanha de Frank Underwood entre várias outras ações.

Independente disso, o importante mesmo é que finalmente nessa temporada a série chegou em um ponto que ela não é só boa, é tensa e empolgante. Com certeza House of Cards é uma série que vale a pena.

house

House-Of-CardsNet

 


Inscreva-se na newsletter do site e receba todas as atualizações do site diretamente no seu e-mail.

anuncioamazon