Jessica Jones

 

Antes de mais nada, lá nos anos 2000 e pouco, quando Alias foi publicada aqui como carro-chefe da Marvel Max, eu me tornei um grande fã da série (inclusive reli a história por conta da empolgação e fiz essa resenha).

Então era óbvio que dia 20, assim que a série ficou disponível na Netflix, assistiria sem parar e em dois dias terminei os 13 episódios.

O primeiro tópico a se abordar é: é fiel a HQ?

A resposta para isso é um tanto complexa.

Sim, os personagens na sua essência são os mesmos. Jessica ficou perfeita na sua caracterização, na sua atitude e, obviamente, muito se deve à atuação da Krysten Ritter. Luke Cage é um pouco mais “emotivo” que sua contraparte nos quadrinhos, mas a escolha do Mike Colter é perfeita, ele tem um físico condizente e uma voz imponente que dá o tom ideal para o herói (quem assistiu The Good Wife vai se lembrar dele como o traficante Lemond Bishop, aliás a escolha dele como Cage foi uma das opções que mais me agradou nesse universo televisivo da Marvel/Netflix).

Outra grande surpresa é o David Tennant como o Kilgrave. Não há dúvida que Tennant é um grande ator, mas havia o desafio para os fãs do Doctor Who de não vê-lo como o bom doutor e sim como um vilão aterrorizante. Quem não é familiarizado com os quadrinhos não sabe que o Homem-Púrpura sempre foi um vilão de terceira categoria, extremamente mal utilizado até ser transformado nessa figura manipuladora, perversa e intocável em Alias, algo que foi muito bem traduzido na versão televisiva.

Agora, voltando na questão da fidelidade, se por um lado os personagens são fiéis, a história central em si se distancia muito das HQs.

Mas isso é muito natural e esperado. A narrativa principal de Alias é extremamente ligada ao Universo Marvel e é irreal trazer e apresentar todas as situações como se as pessoas soubessem quem é Carol Danvers, Jessica Drew,  Scott Lang e outros tantos personagens que são parte essencial da HQ e que confundiriam em demasia o público além de tornar a série desnecessariamente complexa.

Mas, novamente, o espírito da série é muito preservado, inclusive a predileção de Bendis (criador da personagem) por personagens obscuros. Na série, apesar de não se usar esse nome, vemos o anti-herói Nuke,  uma espécie de supersoldado que depende de drogas que o deixam forte e fora de controle e cujas drogas têm as cores da bandeira dos EUA. Além da volta da Enfermeira Noturna, que já tinha aparecido no Demolidor.

A segunda questão importante é: não espere encontrar outra série como o Demolidor. Enquanto a história do herói da cozinha do inferno era inteira calcada na ação que nunca parava, Jessica Jones é uma narrativa noir, bem crua e cheia de tensão, um suspense pscicológico intenso.

Em poucos episódios o telespectador já está preso na trama de Kilgrave e nas armadilhas impossíveis que ele monta para torturar Jessica. E, quando você se prende na série, é difícil de parar até chegar no final, pois, a falta de ação física a todo momento é compensada por um ritmo narrativo que não diminui em instante algum. Jessica tem que pegar Kilgrave e Kilgrave tem que pegar Jessica, é urgente, não há um momento a esperar, não dá para descansar, um tem que estar um passo a frente do outro a todo momento.

Veja, não é que não tenha nenhuma luta, Jessica e Cage tem várias oportunidade de usarem seus poderes no decorrer da série, só não é algo tão marcante quanto é em Demolidor.

Se cabe uma crítica, seria o final. Ele é um pouco anticlimático, mas isso é o esperado quando se cria armadilhas impossíveis, a solução dificilmente estará à altura do problema.

Óbvio, tem infinitos furos no roteiro, tem infinitas conveniências que são excessivamente convenientes, mas se a gente for se prender nessas coisinhas a diversão acaba muito rápido em tudo.

Por isso vale entrar no clima e assistir essa grande história de quase doze horas, com uma personagem tão falha, tão problemática, tão humana, que o fato dela ter superpoderes parece quase algo normal.

Kilgrave

David-Tennant-Krysten-Ritter-AKA-Jessica-Jones

Jessica Jones poster

 

NEW YORK, NY - MARCH 10: Krysten Ritter filming "Jessica Jones" on March 10, 2015 in New York City. (Photo by Steve Sands/GC Images)

jessica jones

luke cage