Joan of Arcadia

Eu sempre lembro com muito carinho dessa série de TV que eu assisti entre 2003 e 2005.

Eu nunca fui religioso, nem sou de categorizar “sou ateu”/”sou agnóstico” ou algo assim porque realmente eu acho a crença religiosa uma questão insignificante para mim, então pode ser meio estranho alguém como eu gostar de uma série cujo o mote é a intervenção de Deus através de uma Joana D´Arc adolescente moderna.

A questão é que pra mim a religião não é o charme dessa história e sim sua potência narrativa. Aliás esse é o motivo que eu sou um grande fã de histórias da bíblia, principalmente do antigo testamento, que são histórias com uma narrativa sensacional e com o melhor personagens de todos, Deus criador todo-poderoso e onisciente.

Mas enfim, voltando para Joan. A série fala sobre Joan Girardi, uma adolescente, filha de um policial e de uma artista, com um irmão mais novo nerd e um irmão mais velho em uma cadeira de rodas por causa de um acidente de carro. Logo após a família mudar para a cidade de Arcadia, Joan passa a receber visitas regulares de Deus, que assume as mais diversas formas e vai lhe dando missões aparentemente esquisitas que sempre conduzem por caminhos indiretos aos resultados mais diversos.

Falando assim parece uma série água com açúcar, final com moral da história e todos felizes para sempre e, talvez, em algum nível, a série seja assim, mas tem um refinamento na história, tem uma trabalho narrativo tão interessante, tão emocional conduzido pela Barbara Hall, criadora e roteirista da maioria dos episódios, que vale muito a pena ver essa história.

Pra mim a série tem alguns grandes momentos. Um dos que eu mais gosto é a história kafkaniana do Kevin, irmão da Joan interpretado por Jason Riter, que estava no carro dirigido pelo amigo bêbado que bateu o carro deixando Kevin paraplégico enquanto o amigo saiu ileso.

O interessante é que o Kevin as duras penas consegue encontrar seu caminho e ficar bem enquanto o amigo dele que saiu fisicamente ileso ficou emocionalmente destruído, chegando ao ponto da família dele processar o Kevin por não ter impedido ele de dirigir bêbado.

A situação em si é tão surreal, mas funciona de um forma tão bonita na série que torna tudo extremamente grandioso.

Já a personagem principal, interpretada por Amber Tamblyn, tem vários momentos grandiosos, mas um que eu gosto muito é uma cena em que ela se depara com uma pessoa realmente louca em um momento altamente destrutivo, uma situação arquitetada por deus para ela ver o que era loucura de verdade e entender que ela mesma não estava louca.

O final da série é outro momento que eu acho memorável. Apesar da série ter sido cancelada e de nos últimos episódios ter claramente sido plantados elementos para uma terceira temporada, eu gosto do final da série. Digo mais, após assistir a série novamente tenho a sensação que se não fosse cancelada ali ela tinha muitas chances de perder a mão e certamente é melhor terminar muito bem do que continuar até perder a mão.

Enfim, apesar de não ser uma série que ficou popular é uma série que eu gosto muito, tem Joe Mantegna como pai da Joan, tem aquele climinha emoções a flor da pele do colegial, tem um lado com histórias policiais, drama familiar, humor, tudo na medida certinha.

Eu vi em alguns site um debate sobre a posição religiosa da série. Olha, apesar de não ter uma representação maior de religiões, aparece na série mais diretamente a igreja católica e o judaísmo, a série meio que segue pelo caminho que deus transcende as religiões, não exatamente levando para um lado agnóstico, mas para um lado que qualquer forma de crença é válido.

Como eu disse a série não é das mais populares, então não tem como achá-la em DVD ou na Netflix restando apenas a pirataria. Não vou colocar o link direto aqui porque alguns sites acabam bloqueando a navegação se você coloca o link para sites de pirataria, mas procure no google o site Cultura com Legenda, lá você vai achar um arquivinho com todos os torrents e legendas. São duas temporadas de uma série bem redondinha. Vale a pena a curiosidade.

(l-r) Jason Ritter, Joe Mantegna, Amber Tamblyn,  Michael Welch and Mary Steenburgen star in JOAN OF ARCADIA, a drama about a typical family facing atypical situations -- not the least of which is their daughter's sudden, unexpected conversations with God, broadcast Fridays on the CBSTelevision Network. Photo: Cliff Lipson/CBS ©2003 CBS WORLDWIDE INC.  ALL RIGHTS RESERVED.

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