John Singer Sargent

[Esse post tem uma versão em vídeo aqui https://youtu.be/QLcTFk4OBvE]



 

Sargent é um nome muito citado entre ilustradores e pintores figurativos, mas quem é John Singer Sargent na história da arte?

Nascido em 1856, em Florença/Itália, Sargent viveu até 1925, e, apesar do seu trabalho ser um pouco fora da curva das escolas artísticas da época, ele viveu durante a transição do realismo para o impressionismo e, no final da sua vida, com a ascensão do expressionismo, do fovismo, do abstracionismo e do cubismo, seu trabalho passou a ser considerado antiquado e fora de moda.

A maior parte do trabalho desse artista era focado em retratos a óleo, mas ele teve uma produção gigantesca de aquarelas.

Como retratista ele se destacou por trazer técnicas impressionistas para o seu estilo predominantemente realista, o que fazia com que ele captasse mais do que apenas a imagem dos retratados, ele conseguia refletir a personalidade, as aspirações e as características distintas dos seu objetos. Segundo Andy Warhol ele “fazia todos parecerem glamourosos. Mais altos. Mais magros.”

O trabalho de luz e sombra desse artista é impressionante. A forma como ele deixava algumas cores da primeira camada de tinta (underpaint) surgirem no meio da pintura final e os recortes feito nas sombras com a luz criavam não só volume, mas áreas de grande atração visual. Outro destaque era o uso de pinceladas grandes, marcadas (visíveis até em reproduções digitais de menor resolução), ele mantinha o realismo ao mesmo tempo que trazia o frescor do impressionismo para dar vida aos quadros.

Não só sua técnica de pintura era impressionante, mas estudos prévios para os retratos mostram um desenho com uma inclinação para a estilização que tinha tanto refinamento que até hoje seu estilo de desenho parece atual.

Sargent estudou com Charles Auguste Émile Carolus-Duran, na França e depois se mudou para a Inglaterra, onde passou a maior parte da vida. Com Duran ele aprendeu a respeitar os grandes mestres, como Anthony van Dyck, Rembrandt van Rijn e Diego Velazquez e foi incentivado a fazer seus quadros sem estudos preparatórios, iniciando o desenho do retratado diretamente na tela, criando figuras mais vibrantes ao mesmo tempo que respeitavam a qualidade do desenho.

Foi grande amigo de Claude Monet, o que aproximou sua obra das técnicas e filosofias impressionista.

Além dos retratos e das paisagens amplamente conhecidos, Sargent fez muitos estudos de nus masculinos, mas esse material foi mantido em relativo segredo pelos amigos artista para proteger a carreira do artista. Ele era grande amigo do escritor inglês Henry James (leia sobre ele aqui) e, supostamente, tiveram um relacionamento.

Abaixo eu separei uma série de pinturas (óleo e aquarela) e alguns desenhos para dar uma ideia geral do trabalho dele.

Observe que que coisa linda é a composição das pinturas, como ele tinha um cuidado de posicionar os retratados de maneira as vezes pouco usuais, alguns até formando uma perspectiva peculiar, outros se misturando como o fundo (como o retrato da pessoa de roupão vermelho).

Note a diferença entre os trabalhos onde predominam uma atmosfera mais escura, mais carregada de marrons com sombras profundas e envolventes e os compare com as aquarelas com cores saturadas carregadas de azul e predomínio da luz.

Repare também a expressividade e a agressividade das pinceladas, algo que torna o trabalho dele único, gestual e quase impossível de reproduzir, de tão pessoal que são os movimentos marcados.

Aliás, há alguns estudos sobre o uso do branco (chinese white) nas aquarelas do Sargent que são bem interessantes, pois essas pastilhas compõem praticamente todos os estojos de aquarela e a maioria dos professores opta por não usá-las. Esse vídeo (em inglês) mostra em detalhes algumas aquarelas e o uso de branco nelas, seguindo uma lógica semelhante ao processo das pinturas a óleo https://youtu.be/QGTMBq7dm3k é bem interessante observar os detalhes e as opções para o uso do branco nas pinturas dele. O professor que fez o vídeo explica, inclusive que isso ilustra que o uso de branca funciona, mas que ele mesmo prefere não usar, pois no caso do Sargent isso era um reflexo da técnica bem particular seguida por ele.

Apesar de não ser um daqueles nomes que “todo mundo conhece”, Sargent influencia até hoje muitos pintores e a releitura da sua obra deve estar na lista de estudos permanentes para qualquer pintor.


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