Konstanz

Em uma simpática casa no bairro de Moema, com uma arquitetura que remete ao arquétipo que temos no nosso imaginário de uma casinha das regiões montanhosas da Suíça ou da Alemanha, está, desde 1981, o restaurante Konstanz.



Já falei sobre essa questão do velho vs o clássico quando comentei sobre O Gato que Ri e o Konstanz sofre seriamente do problema de não ter se transformado em algo clássico, o caso ali parece até um pouco mais sério do que o do Gato que Ri, pois no Gato parece que o fluxo de dinheiro permite uma manutenção mínima para se manter como um velho enxuto, enquanto o Konstanz parece seguir mais pela linha da luta pela sobrevivência.

Tem detalhes que parecem bobos, mas que acabam importando. Você tem uma brigada completa de garçons, bem uniformizados, mas nas mesas coloca uma tolha que não cobre a mesa inteira e que, sem outra toalha por baixo, fica escorregando toda hora. Ou, apesar da casa não estar cheia, o garçom precisar pedir para tirar os kits de mostardas da sua mesa para levar para outra.

São bobagens, mas vão tirando pontos.

Agora, a comida que interessa. Nos pratos do almoço executivo (na faixa de $35 com salada entrada e uma sobremesa), faltou um pouco justamente do sotaque alemão que a casa deveria ter. O único prato do executivo que não parecia genérico era um com duas salsichas e salada de batata.

Arriscamos pedir uma porção de bolinhos de cerveja, que, apesar de não ter nenhum gosto de cerveja, estava bem decentes, principalmente acompanhados pela seleção de mostardas. O problema é que, mesmo sendo uma porção até que farta, com 9 bolinhos, custa $39, ou seja, mais do que uma refeição completa!

Aliás todo o cardápio fora do executivo tem o preço bem puxado, os pratos alemães tradicionais eram mais de $100, para dividir para duas pessoas e os foundues iam de $130 até mais de $300.

E, a julgar pelo que comemos no almoço executivo, definitivamente a casa não entrega nada que justifique esse preço.

A salada da entrada era ok. O prato de salsichas já começava a complicar, as salsichas em si são boas, mas a salada de batatas, além de ter as batatas um pouco duras, parecia ser feita com maionese industrializada e não tinha sabor algum, o tempero passou bem longe dali. O filé a diana (um clássico dos pratos fora de moda) deixava um tanto a desejar. A carne podia estar mais rosada e molho que dava cremosidade ao arroz tinha um gosto que lembrava de tempero pronto.

A sobremesa seguiu a mesma toada fúnebre, um pudim com um gosto marcante de água, quase desabando no prato de tanto que lhe faltava estrutura.

É uma pena. Uma casa tão antiga, com um espaço tão bacana, poderia e deveria buscar nas suas raízes alemãs um menu mais autêntico e poderia colocar um pouco mais de carinho e consideração em todas as etapas do processo. Por exemplo, ter um pretzel como couvert. Evitar ingredientes industrializados que deveriam ser feitos na casa. Colocar uma toalha a mais na mesa ou desencanar da toalha e partir para um jogo americano de couro ou mesmo um descartável de papel. Enfim, dar uma atualizada para não ficar apenas na sobrevivência.

Conta: $123,00 para duas pessoas no executivo com uma entrada a parte. (preços de junho/2017)

Vale? Com certeza não. Mesmo o executivo que com o serviço fica $40 não vale, porque a casa não serve nada mais do que mediano e o velho mediano acaba perdendo para o clássico PF da padaria pela metade do preço. Fora do executivo, com os preços acima de $100 então… definitivamente não é um lugar recomendável. Se pensar que paguei só $20 a menos do que no almoço maravilhoso que fiz no Ecully, a situação fica de chorar.

Caso queira se aventurar, endereço, telefone e demais informações aqui http://www.konstanz.com.br