Mayara e Annabelle

Tem umas histórias que passam e mesmo quem acompanha razoavelmente bem não lê – o que pode ser considerado uma falha, mas no fundo a perda é só de quem não leu mesmo.

Não sei como passei tanto tempo sem ler Mayara e Annabelle.

Eu acompanho o trabalho do Pablo Casado desde os fanzines e sempre gostei muito do que ele escreve e mais de uma pessoa tinha me dito que eu gostaria dessa HQ.

Mas eu não li, passou o tempo e eu não li. Até que outro dia vi uma resenha da HQ e fiquei enfezado, tinha que ler aquilo e tinha que ser naquela hora.

A única vantagem que eu tive de ter esperado tanto para ler é que já tem dois volumes disponíveis, mas ao ler eu vi que uma história assim não poderia ter passado da forma como deixei passar.

Mayara e Annabelle é divertido demais.

Pra quem como eu fez o erro de não ter lido, em resumo, a Secretaria de Atividades Fora do Comum é responsável por combater elementos místicos, demoníacos, paranormais etc no Brasil. Mayara é Assessora Técnica em Combate (ninja) da SECAFC de São Paulo, o estado que tem mais eventos fora do comum no Brasil e, apesar de ser uma das melhores funcionárias, se envolve em um problema que obriga um amigo dela do alto escalão a transferi-la para a Secretaria do Ceará, um estado onde a incidência de atividade fora do comum é quase nula.

No Ceará, além do secretário, a única funcionária da SECAFC CE é a Assessora Técnica em Magia (bruxa) Annabelle. Essa é a equipe responsável por cuidar do estado todo e, mesmo assim, Annabelle passa a maior parte do tempo à toa vendo seriados.

Na primeira edição fala-se um pouco sobre o que aconteceu para Mayara se exilada e na segunda edição abre-se mais a história de Annabelle e “o acordo” que mantinha as atividade fora do comum sob controle no Estado.

Só a sinopse dessa HQ já é uma premissa excelente e ela cumpre o que promete. Tem muita ação, tem muito humor e chega até a transpor a crítica social/política ao coronelismo nordestino para o plano fora do comum.

O desenho da HQ é de Talles Rodrigues, um cara uma baita noção de design e narrativa que ele usa muito bem para manter as cenas sempre dinâmicas e sempre funcionando. O traço dele tem uma influência forte do mangá, do cartum e algo lembra o Bryan Lee O’Malley – tanto que volta e meia falam que a HQ tem uma pegada de Scott Pilgrim, mas, pra ser justo, o desenho de Talles é mais elaborado que o de O´Malley.

Mayara e Annabelle é uma daquelas HQs que me deixa empolgado, é rápida, bem desenhada, engraçada, divertida. Queria ler uma nova edição dessas todo mês.

Se você não conhece, compre no site da editora Fictícia as duas edições que vale muito a pena.

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