Mesa de luz, grade e outras gambiarras para transferir e ampliar desenhos

Compre material de arte aqui https://amzn.to/319Uws6 Compre livros aqui https://amzn.to/2DdjmNk Uma coisa que parece que sempre é uma dúvida de muita gente é como transferir um desenho de um papel onde foi feito o esboço para onde ele será finalizado (seja só uma versão limpa do traço ou um desenho limpo para pintar em um papel melhor). Outra questão é como ampliar o desenho feito em uma área menor para uma maior. Essas questões parecem coisa do passado hoje que a maioria das pessoas busca a facilidade e a rapidez da arte digital. No desenho digital o trabalho está pronto ali, dividido em camadas, depois pode ser vetorizado e ampliado para ser impresso de mil forma diferentes. O tempo e o trabalho economizados com os processos digitais é incalculável. MAS, sempre têm pessoas, como eu, que por prazer ou para buscar um resultado específico se mantém na arte tradicional e como isso é de certa forma uma coisa do passado, as soluções também são do passado e, muitas vezes, parecem mais uma gambiarra do que uma coisa normal. Quando eu vou fazer um desenho para pintar, a partir de uma referência, normalmente eu abro uma foto no computador, recortada com a mesma proporção do meu papel e marco na beirada dois eixos centrais no meio da largura e do comprimento da foto. No meu papel eu faço o mesmo, não chego a desenhar a linha, faço só uma marcação na lateral, mas pode-se fazer a linha em si também. Essa divisão em quadrantes ajuda você a se orientar melhor no desenho, você passa a ter mais referências para medir, ajuda, inclusive, para usar com mais facilidade técnicas como o desenho do espaço negativo (veja sobre o espaço negativo aqui). Como eu não sou um desenhista muito experiente, isso me ajuda muito a me orientar no espaço do papel e a construir as coisas mais ou menos na proporção, porque vou pensando, isso está mais para esquerda, mais para cima, bem no meio, mais no canto. Criar dois eixos, mesmo mentais, ajuda você ter quatro espaço menores, cada um com quatro limites que servem como referência. Mas, se você precisa fazer algo bem mais complexo, um desenho com muitas linhas e planos diferentes e/ou precisa ampliar o desenho, você pode ir um pouco além de fazer uma grade de verdade, dividindo o desenho em 16 ou até mais espaços. O jeito mais fácil de fazer isso é ver quanto mede seu original (no exemplo do vídeo o original era 13×18) e qual medida cabe no seu papel final e encontrar um fator multiplicador que seja adequado (no exemplo, era possível multiplicar as medidas por 1,5, ou seja, o desenho final ficou com 19,5×27). A partir dessas medidas, eu risquei no meu original o eixos do meio do papel e depois dividi cada novo espaço no meio de novo, tanto na largura quanto no comprimento, formando uma grade com 16 quadros. Fiz o mesmo no papel final, dividindo no meio e no meio, ficando com 16 espaços que são 1,5 vezes maior que o original. Daí é questão de desenhar, algo que, mesmo sendo uma “cópia” não é simples de fazer. É possível abordar essa etapa de várias formas, eu prefiro desenhar como desenharia sem as grades, mas as usando como ponto de referência. Isso é um exercício muito parecido com várias coisas do livro Desenhando com o Lado Direito, que eu estou destrinchando completamente aqui nessa seção do site. Então eu vou me orientando dentro desses quadrantes e pensando onde as linhas começam, terminam e qual o trajeto. É possível também trabalhar quadro a quadro isolado, construir cada um como se fosse um todo mais simples que você está copiando, contudo, eu acho que isso tira totalmente a fluidez do desenho, apesar de poder ajudar bastante no realismo, então é uma escolha a se fazer. Feito o desenho, você pode finalizar e apagar a grade ou passá-lo para um papel final que tem o tamanho exato desse onde você ampliou. Para isso tem vários truques. O mais simples é o decalque. No verso do papel que você desenho, você passa giz, grafite ou carvão, coloca esse papel sobre o papel definitivo e vai com o lápis cobrindo o desenho para que ele seja transferido para o papel de baixo. No geral não é necessário colocar muita pressão, mas vai muito da sensibilidade dos materiais. Outra alternativa é a mesa de luz. Você reforça o desenho que está na grade, coloca ele na mesa de luz e, em cima dele o papel final. O traço vai aparecer e você copia só o traço final. Ah, mas eu não tenho mesa de luz. Tem infinitas gambiarras. Uma mesa com o tampo de vidro e um abajur é uma mesa de luz. Colocar os desenho colados na janela durante o dia resolve perfeitamente também. Ou uma prancheta de acrílico transparente, essas que tem em qualquer papelaria por $10, é só colocar os papéis na prancheta e segurar ela perto de um abajur que você vai enxergar tudo que precisa. Lembre-se sempre de, em qualquer método, prender bem com fita ou com um grampo os papéis, porque eles não podem se mexer durante o processo. Para formatos realmente grandes, apesar do conceito da grade funcionar, ele pode não ser tão prático. Para isso é possível usar um projetor, que pode ser tanto um projetor digital como um chamado tracer (veja um vídeo do uso dele aqui) que é basicamente um jogo de espelhos e lentes para projetar o seu desenho em grandes formatos (para você pintar em uma parede, por exemplo). Algumas considerações: Não tem nada errado em copiar um desenho para treino ou mesmo para usar de base para uma pintura. Conheço vários pintores que partem de um cópia ou até mesmo da projeção de uma foto para marcar a proporção inicial e depois aplicar a técnica que eles usam na pintura. O desenho é base de uma boa pintura, mas a força está na técnica final, então não tem nada errado em partir de um desenho realista ou mesmo diretamente de uma foto projetada para chegar em um resultado as vezes surreal. Usar as grades, ou apenas dois eixos centrais, para fazer um desenho a partir de uma referência também não é um problema, principalmente quando você está aprendendo, isso segue o mesmo princípio de muito do que está no livro da Betty Edwards sobre o plano de imagens que é uma ferramenta para o início que, após muita prática, você vai internalizar na sua mente e passará a não precisar de uma grade física porque fará correlações mentais. Mesmo artistas muito experientes usam mesa de luz, porque o esboço naturalmente é mais solto do que um desenho que você já está com a preocupação de ser final. Então você pode esboçar livremente, reforçar as linhas finais e passar só o desenho limpo para o papel final. Não tem “roubo” nisso. Só não vai imprimir e copiar o desenho do coleguinha e postar dizendo que é seu, porque isso já é bem feio. Eu já usei várias fotos de base para retratos que eu ia pintar, pois o meu foco era a técnica da pintura. Com o tempo fui percebendo que eu não precisava mais decalcar a foto, já conseguia mapear os pontos chaves e construir o desenho a partir dali, ou seja, é a cópia é um mecanismo muito válido de aprendizado. O quanto e como você vai usar uma referência fotográfica é um assunto mais extenso, mas, basicamente, esse uso vai depender do tipo de resultado que você quer, que é algo que passa pelo tipo de finalização. É isso, tem o vídeo demonstrando esses processos aí embaixo para caso algum passo não tenha ficado claro. Pode deixar as dúvidas nos comentários também que eu esclareço caso algo tenha ficado confuso.