Modelo Vivo

Um dos exercícios mais clássicos do aprendizado de desenho é o modelo vivo.



Já tinha citado o desenho de modelo vivo no post sobre desenho gestual pois aquele exercício lembra um pouco o desenho de modelo vivo no resultado, mas, como havia dito, desenhar gestos a partir de fotos não substitui o desenho real de observação.

Apesar da foto não ter a simplificação das linhas que buscamos através do desenho, ela mostra uma figura planificada (em 2D) o que torna mais fácil para nossa mente converter em desenho. O desenho de modelo vivo é algo infinitamente mais complexo.

Estar ali, diante de uma pessoa de verdade, observá-la em posições muitas vezes incomuns e traduzir aquilo para um desenho é algo extremamente complexo. Junta-se a isso a velocidade com que as posições são trocadas e as opções limitadas que esse tempo curto oferece e você entende porque esse é um exercício tão importante para o desenho.

Muito se estuda as proporções básicas do ser humano para criar uma representação gráfica de certa forma modular do corpo, mas isso não é real, as pessoas tem formatos distintos que muitas vezes fogem das proporções, a pele se dobra de forma diferente em cada corpo dependendo da quantidade de gordura. As sombras se projetam de forma diferente dependendo da forma como cada parte se sobrepõe e, soma-se a isso a questão da perspectiva que, mesmo você estando em um ponto fixo e o modelo estando em uma área delimitada, pode variar enormemente conforme muda-se a disposição do corpo no campo de visão.

Quando se faz uma ilustração o desenhista pode buscar uma pose de referência, mas nem sempre vai achar a pose certa no ângulo certo com o tipo de corpo certo. E daí você tem que recorrer ao repertório pessoal e se ele se limitar as construções padrões, será difícil criar desenhos que transmitam que aquilo é uma posição de verdade de uma pessoa de verdade.

O desenho de modelo vivo ajuda a desconstruir esse pensamento modular e a aumentar seu repertório mental.

Não tem muito como tentar explicar em palavras o exercício, mas eu garanto que não só é uma coisa essencial como deveria ser um exercício recorrente.

Algumas dicas gerais que eu sempre ouço:

  • tente desenhar o que você está vendo sem estilizar (a ideia é exatamente quebrar os modelos que você tem na cabeça e representar o que está vendo)
  • não tenha apego ao desenho, tudo tem que ser rápido, o importante é representar o gesto. Errou, parte para o próximo.
  • delimite o espaço da figura que você vai desenhar, uma coisa que eu sempre errava quando comecei a estudar desenho eu começava e a hora que eu via não cabia no papel o desenho inteiro, então a primeira coisa é visualizar certo se aquilo que você quer fazer cabe no espaço que tem
  • como complemento disso, é preciso aprender a usar o espaço negativo (área exterior do desenho) como auxiliar para medir as proporções.

No geral, o modelo vivo é com feito por um ator nu ou seminu, pois o foco é estudar o corpo sem se distrair com acessórios. Mas eu já fiz algumas sessões com modelos vestidos que foram muito legais (por um tempo tentaram trazer para o Brasil o Dr. Sketchy que é um modelo vivo com fantasias e mais performático).

Quem é de São Paulo, como sempre eu recomendo a Quanta Academia (não só para modelo vivo, mas para o aprendizado como um todo) que tem aulas quinzenais de modelo vivo. O Centro Cultural Vergueiro também tem sessões gratuitas e fora isso existem infinitas opções com focos diferentes, infelizmente na maioria das cidade do Brasil você pode ter muita dificuldade de encontrar algo assim, mas se estiver ao seu alcance vá.

Abaixo todos os desenhos que eu fiz em uma sessão de modelo vivo na Quanta, o resultado no geral não é legal, mas o importante é o exercício.

 

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