Mr. Robot – Temporada 1.0

Antes de mais nada, vou tentar falar de forma genérica de Mr. Robot porque tem algumas surpresas na série que eu não gostaria de estragar, mas, como tem algumas coisas que eu quero falar que envolvem spoilers reservarei esses comentários para depois das fotos da série.

Descobri Mr. Robot pelo trailer da segunda temporada que foi promovido com anúncios no youtube. Achei a estética do trailer bem bizarra e interessante, me lembrei que já tinha visto algumas pessoas comentando sobre essa série, aparentemente de forma bem positiva e decidi assistir.

A série atualmente está no meio da segunda temporada (estou esperando fechar para ver tudo de uma vez essa nova temporada) e, segundo o IMBD, já está com uma terceira temporada programada para 2017.

É uma série de 10 episódios por temporada sobre um hacker “do bem”, Elliot, interpretado por Rami Malek, com várias fobias sociais e um problema com drogas, que usa seu conhecimento para ajudar algumas pessoas. Essa premissa dá um tom meio de “caso da semana” mas, apesar do piloto ter uma cara de que cada semana ele vai ajudar a prender um bandido, é uma série de história contínua que, aliás, é muito frenética.

Logo no primeiro episódio Elliot é abordado pelo misterioso Mr. Robot (Christian Slater), que o convida para um grupo de hackers cujo o alvo é a empresa E Corp (Evil Corp), um mega conglomerado que está envolvido em todas as etapas imagináveis do consumo. O objetivo é apagar completamente os bancos de dados da empresa para que todo o cidadão americano que tem uma dívida com ela ficasse livre dessa escravidão financeira.

A primeira temporada é bem boa, muito tensa, cheia de ganchos ao final dos episódios e daquelas espirais de complicação que vão tornando todas as missões planejadas para serem simples em algo totalmente impossível.

O ponto alto da série é a visão paranoica de mundo de Elliot. A loucura dele, o interlocutor imaginário com quem ele fala constantemente – que muitas vezes dá a impressão de que ele está falando com o espectador, mas funciona como recurso narrativo para explicar os planos dele e para deixar tudo mais neurótico -, os personagens bizarros a redor dele, todos com excentricidades que os tornam extremamente curiosos e intensos, e o próprio mundo superconectado em que vivemos que torna a história assustadoramente real.

Não é uma série perfeita, não é exatamente original – falo mais sobre isso junto com os spoilers -, mas é uma série ágil, interessante e instigante. Pelo menos na primeira temporada ela te segura e puxa do primeiro episódio para o último sem dar trégua.

O texto continua com spoilers depois das fotos.

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Então aos spoilers.

Como eu disse a série não é original. A grande surpresa da série é copiada diretamente do Clube da Luta. Mr. Robot é na verdade o pai de Elliot, mas ele supostamente foi morto pela negligência da Evil Corp, então ele também é apenas uma projeção da mente perturbada e cheia de buracos de Elliot.

Sabe-se desde o início da série que o personagem tem um problema sério mental, que ele tem um interlocutor imaginário – aliás outro ponto que tira um pouco a originalidade ao deixar a narrativa semelhante ao Dexter – , mas não se tem noção da profundidade do problema dele até que é revelado que ele não é capaz de lembrar de grandes trechos da sua vida – como o fato de ter uma irmã – e que ele tem uma dupla personalidade e não se lembra de nada do que acontece quando está agindo como Mr. Robot.

O plano em si, destruir um conglomerado financeiro libertando a sociedade da montanha de dívidas impagáveis que muitos se enfiaram, também é uma derivação de Clube da luta.

A máscara usada pelo grupo de Elliot, a FSociety, remete totalmente à máscara do V de Vingança, as linhas são extremamente semelhantes, inclusive, que foi apropriada pelos movimentos hackers e de protestos nos últimos anos.

Então, obviamente, a série tem um sério problema de originalidade que, ao mesmo tempo, é uma decepção para quem se chocou com o final do Clube da Luta, mas, não chega a ser algo que invalide a série como um todo. A reutilização de conceitos é cada vez mais frequente e sempre há uma tendência de questionar isso, há uma linha tênue entre um bom reaproveitamento, um plágio e um clichê e, na minha opinião, Mr. Robot está na casa do bom reaproveitamento.

É provável que quem nunca viu O Clube da Luta (o filme já pode ser considerado antiguinho, é de 1999) se impressione mais e se empolgue muito mais com a série e é provável que os fãs do filme se revoltem, mas, ainda assim, por todo o entorno, pela construção do personagem, pela narrativa em si, acho que Mr. Robot ainda é uma série que vale a pena apesar de todas as ressalvas.