Mulher-Maravilha é um bom filme para se ver na TV (resenha sem spoilers)

{Esse texto tem uma versão em vídeo aqui https://youtu.be/NA_DOWfY5Gg}

Sinopse: Diana, a princesa das mitológicas Amazonas, sai da ilha paraíso para ajudar Steve Trevor a encerrar a Segunda Guerra Mundial, que pode ter sido causas pelo deus Ares.

Antes de mais nada, vale ressaltar que eu não sou aquela pessoa que se dispõe a pagar um ingresso caro, aturar um monte de pessoas mal-educadas que não são capazes de ficar duas horas sem olhar o celular, só para falar mal de um filme. Se eu acho que o filme não vale, eu nem vou. Espero chegar de alguma forma na minha TV, mas não vou no cinema só pra falar de um filme que eu acho que eu não vou gostar.

E os trailers da Mulher-Maravilha e as primeiras críticas me encheram de esperança, o filme parecia que seria um cruzamento entre o primeiro filme do Capitão América e o primeiro do Thor. Parecia que ia fugir um pouco da linha naufragante de Superman v Batman e marcar uma guinada para nos deixar muito ansiosos pelo filme da Liga.

Então eu fui no cinema, querendo voltar e falar que o filme é a melhor coisa do mundo… mas, infelizmente… a magia não aconteceu.

Sabe, não é que seja um filme de todo ruim, mas ele acumula uma série de problemas que tornam a experiência muito difícil.

Primeiro, como sempre, tem o problema do tom de “realismo” que a Warner tem tentado colocar nos filmes da DC ao mesmo tempo que eles tentam atender os anseios das pesquisas de mercado e colocar humor e alguma leveza.

O resultado disso é uma combinação meio bizarra, o filme da Mulher-Maravilha são dois filmes bem diferentes editados juntos, meio Orgulho e Preconceito e Zumbis.

De um lado você tem um filme de guerra sério, com cenas muito duras, protagonizado pelo espião Steve Trevor (interpretado por Chris Pine) que precisa deter um último ataque nazista antes do fim definitivo da Segunda Guerra. Esse em si é um grande filme, com cenas bem dramáticas e pesadas sobre o horror da guerra.

Por outro lado você tem um filme de super-herói (com direito a piadas, plano do mal, jornada do herói, ação e tudo mais que o gênero pede), com a Mulher-Maravilha e a sua história ligada a mitologia grega.

Esses filmes, apesar de amarrados juntos, não se conversam esteticamente. As piadas (aliás todas estão no trailer, então é meio difícil rir no filme) diminuem o drama, a luta espalhafatosa heroína vs megavilão diminui o sacrifício dos heróis de guerra.

Fora isso dá para elencar uma série de probleminhas que podem parecer implicação, mas que valem elencar.

A atuação da Gal Gadot é meio sofrível. Ela é uma mulher muito bonita, manda muito bem nas cenas de ação, mas, ou ainda não está pronta como atriz ou foi mal dirigida, de qualquer forma, o resultado é algo no nível da atuação do Stephen Amell em Arrow.

O filme tem aquela estética escura, abusa das câmeras lentas  e, na sua maior parte, tem um fotografia bem ruim, sendo o ápice dos problemas a cena da luta final com uns efeitos especiais com a mesma qualidade que víamos em Highlander e outros filmes dos anos 90 para trás. (A falsa esperança de um filme mais colorido que as cenas na Ilha Paraíso nos deram no trailer, fica ali no primeiro quarto do filme. Olha, eu até aceito a alegação de que foi uma opção, a Ilha estava em um ponto utópico e o mundo lá fora é sombrio, mas o resultado não é dos melhores).

Ainda no visual, faz tempo que eu não vejo um filme com uma qualidade de 3D tão ruim, o único uso do 3D no filme é para arrecadar mais com o ingresso. Aliás, fuja da tentação do IMAX, pois o filme não foi filmado com essa tecnologia, ele foi “melhorado” na sala de edição para poder  faturar mais nesse tipo de sala.

A lógica dos idiomas no filme é meio absurda, até daria para tolerar, mas é deprimente a cena onde eles estão em um baile do alto comando alemão onde todo mundo fala inglês com um sotaque tosco alemão (inclusive Pine teve que passar por essa humilhação).

Juntando tudo isso, ainda tem alguma coisa bem OK ali. A história em si funciona, a Mulher-Maravilha foi muito bem caracterizada, o papel dela como heroína e como voz da razão no meio dos velhos generais é excelente. E dá para relevar um monte de coisas e só relaxar e se divertir, mas, talvez, seja bem mais fácil fazer isso se você estiver na sua casa, sem gastar com ingresso e sem aturar pessoas no celular (aliás, da metade para frente do filme, tinha tanta gente desinteressada e mal-educada que os celulares iluminavam a sala mais que a tela).

No fim, pra mim, o filme da Mulher Maravilha está no mesmo nível da série de TV Arrow, que eu gosto, apesar das atuações ruins, da produção perdida, mas gosto de ver em casa. Se o filme fosse exatamente como é, mas dividido em uma minissérie de 4 episódios para TV, eu seria um grande defensor dele.

Eu acho que a Mulher-Maravilha merecia um filme com bem mais acertos, mas, como eu disse, vale assistir o filme, só não tem nada ali que justifique que ele seja visto no cinema.