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Nino Cucina

Acho que o restaurante italiano é um dos modelos de negócio gastronômico mais disseminado em São Paulo.

É raro um bairro de capital sem um restaurante italiano e é raro uma lista de melhores restaurantes sem restaurantes italianos.

A culinária francesa pode ter a fama de melhor, de superior, de primor técnico, mas a italiana tem aquela cara de comida de dia festivo em casa, mais maternal, mais acalentadora, mais farta e mais barata.

Tudo bem que quando passamos para a categoria da “alta gastronomia”, o mais farto e mais barato pode ser um ponto de equilíbrio difícil de encontrar. Um restaurante bom tem um custo, um restaurante que se atenta a todos os processos, que tem ótimos fornecedores, que não pega atalhos que comprometem a qualidade, que tem um serviço excelente, tem um custo.

A questão é que tem restaurantes que sabem equilibrar melhor o preço final, que sabem cortar o que é frescura e manter o que é qualidade e outros que acreditam que podem cobrar o que quiser por qualquer coisa.

Nino Cucina é um dos que soube chegar em um ponto de equilíbrio quase surpreendente, não é a toa que está sempre lotado e com muitas filas (não vá sem reservar, mesmo indo um pouco fora dos horários de pico a chance da casa, que nem é tão pequena, estar lotada é grande).

Eu simpatizei muito com a cara do restaurante, mas, quando cheguei em um almoço de sexta ao meio-dia e peguei a última mesa ainda livre do restaurante, achei que o atendimento não ia dar conta. Uma coisa que eu não gosto é restaurante que não consegue dar conta do público que tem e que deixa você esperando por falta de garçon ou por ter uma cozinha pequena. E eu duvidei que o Nino daria conta, até deixei um cronômetro rodando para desistir de comer lá se passasse de um tempo razoável sem atendimento.

Como o pessimista só tem boas surpresas, eu fiquei muito feliz ao descobrir que a casa é meticulosamente organizada, com garçons preparados para atender na capacidade máxima.

Não precisamos esperar nada, o cardápio veio rápido, os pedidos vieram rápidos, tudo excelente.

Comemos os pratos do dia, um fettuccine alfredo, delicioso servido em uma bela frigideira, com uma massa em um ponto perfeito e um rigatoni alla gricia, que é um molho um pouco mais pesada, com mais pimenta e guanciale (um tipo de bacon italiano não defumado), é definitivamente um prato para quem gosta de sabores fortes, mas é muito bom.

Como os pratos eram dos do dia (o executivo deles), vieram com uma saladinha verde excelente e davam direito a uma fruta.

Complementamos com o pão da casa ($6 a porção), que é excelente, e eu não consegui resistir a babá na sobremesa. A babá, normalmente chamada de baba de moça, é um bolinho bem macio encharcado em um bebida, no caso deles o limoncello, que é uma das poucas bebidas alcoólicas que eu acho maravilhosas. O doce é surpreendente, adorei.

Conta: $ 134 (duas pessoas no executivo, sem bebidas e com um sobremesa a parte), a média dos pratos está na casa do $55 (outubro/17)

Vale? Sim, o restaurante está escondido no Itaim que, apesar de ser um reduto gastronômico, é longe do centro e dos meios de transporte, mesmo assim vale a visita, a comida é ótima, o preço é justo e o atendimento é excelente, só reserve com antecedência sua mesa para não perder a viagem.

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