O Chamado do Monstro / 7 Minutos depois da meia-noite

[Esse texto tem uma versão em vídeo aqui https://youtu.be/nu4Yh_JaaY4]


Já faz um tempo que eu li e gostei muito do livro O Chamado do Monstro (escrito por Patrick Ness, baseado em uma ideia de Siobhan Dowd), por algum motivo eu não resenhei esse título então vou aproveitar que assisti à adaptação cinematográfica, que no Brasil ganhou o nome de 7 Minutos depois da meia-noite (sério que não podiam usar o título do livro que adapta perfeitamente o original A Monster calls?).

Primeiro o livro.

O foco desse livro é um público mais jovem, mas eu diria que isso é mais uma indicação de idade mínima e de ajuste de expectativa do que qualquer outra coisa, porque em termos de prazer de leitura é livro que cairá bem também para os adultos.

O Chamado do Monstro é daqueles livros fácies de ler, mas que tomam um tempo para digerir depois. Ele conta a história do garoto Conor, que está em um momento crítico da sua vida, com a mãe doente, a presença constante da avó que é extremamente severa, a ausência do pai, além de problemas com os colegas da escola. Com a vida fora do eixo, tendo que agir como adulto ao mesmo tempo que é tratado como criança, Conor começa a ter um pesadelo recorrente até que é visitado por um monstro. A criatura é uma árvore que ganha vida e vem até Conor para lhe contar três histórias e, depois disso, exigirá que Conor conte a sua própria história.

As história contadas pelo Monstro fazem um paralelo com o momento da vida do Conor e são uma forma dele observar de outro ponto de vista o papel dos outros e dele mesmo naquela situação e tudo conduz para ele encarar em seus próprios sentimentos uma verdade dura demais para qualquer um admitir.

Como eu disse, é uma leitura “fácil”, mas muito intensa; o autor faz uma construção emocional poderosa e envolvente do começo ao fim.

Quanto ao filme, obviamente se perde muito da intensidade do livro, que vem daquela sensação sufocante que só a leitura oferece (aqueles momentos que você quer descobrir tudo, mas não consegue ler mais rápido, ao mesmo tempo que não quer que acabe).

Não é que o filme seja ruim, acho que o problema é que o público de um filme é mais amplo que o de um livro, as expectativas em jogo são maiores e isso pode desvirtuar um pouco a expectativa do resultado.

A história do livro está bem representada ali no filme, tudo está lá, as atuações são boas e as animações usadas nas histórias do Monstro são simplesmente lindas (já a qualidade da animação do monstro quando ele interage com o garoto fica um pouco aquém,  mas nada que atrapalhe).

Acho que o maior problema é que o filme não proporciona o investimento de tempo necessário para o espectador se envolver de fato com a história como acontece com o livro e isso diminui a resposta emocional que é muito mais intensa quando se lê.

Uma coisa que de fato me incomoda no filme é terem gasto uma grana contratando o Liam Neeson para fazer a dublagem do monstro, sendo que a voz dele é passada por tanto filtro de ruído que fica praticamente irreconhecível.

Fora isso, é um filme ok, mas que, ao meu ver pode ser passado, enquanto o livro já é algo mais próximo do imperdível.

No Brasil o livro foi publicado pela Atica, com as ilustrações do Jim Kay, que inclusive inspira o visual do filme e tem uma versão mais barata da Novo Conceito. Particularmente, eu sugiro comprar a da Ática (enquanto ela ainda está disponível), porque as ilustrações são lindas demais, abaixo os links para compra.

Saraiva: versão da ática /  versão da novo conceito

Cultura:   versão da novo conceito

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