O Gigante Enterrado

 

Apesar do estereótipo nerd clássico eu não sou grande leitor das fantasias medievais, nem as tidas como “clássicas” – como Senhor dos Anéis – nem os hits – como Game of Thrones.

Mas esse Gigante Enterrado me chamou muito a atenção e se provou um romance bem interessante e peculiar.

Sim, ele é um fábula medieval, inclusive se passa na Inglaterra uns anos depois do reinado de Arthur.

Mas as diferenças e os caminhos escolhidos são extremamente curiosos. Para começar os protagonistas são um casal de velhinhos, pobres, que vivem em uma comunidade agrícola onde toda a vila mora em uma rede de cavernas.

Além disso, o centro da narrativa não é uma grande aventura e sim um mistério sobre a memória das pessoas que parece desaparecer cada vez mais e a linha de “ação” é uma viagem lenta dos dois velhinhos em busca de uma aldeia incerta onde supostamente mora o filho deles.

No meio do caminho eles se envolvem em um rixa que parece prestes a se reacender entre bretões e saxões e a delicada paz criada por Arthur e Merlin sustentada por um fio.

Em essência, tudo isso serve como uma grande metáfora sobre a velhice, a morte e a memória, principalmente a memória e a escolha entre se lembrar de tudo e carregar uma dor eterna ou não se lembrar de nada e expurgar tudo de bom junto com tudo de ruim.

Algo curioso é que o autor do livro é japonês – Kazuo Ishiguro – mas ele foi criado na Inglaterra e faz uma reconstrução interessante de período mítico do país, misturando a história complexa da formação da nação e do Reino com elementos fantásticos que sempre marcaram as lendas e histórias do passado daquela terra.

Não vou dizer que é o livro mais emocionante do mundo, nem que ele vai de prender do começo ao fim em uma trama intensa, porque não seria verdade. Mas é um romance extremamente interessante, diferente e muito bem escrito que vale a leitura por vários motivos.

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