O lutador

Como estava na vibe da luta livre depois de ver o Glow, resolvi assistir de novo o filme O Lutador, de 2008, estrelado por Mickey Rourke e Marisa Tomei e dirigido por Darren Aronofsky.

Esse diretor tem um currículo curto, 6 filmes, mas com um conjunto bem elogiado e premiado (tendo como ápice o Cisne Negro).

Na obra desse diretor, O Lutador parece um filme fora da curva. Bem pé no chão, com uma carinha de filme alternativão de diretor iniciante declarando seu amor pela arte performática.

Tem vários paralelos entre O Lutador e Glow que vão além do tema luta livre.

Ambas narrativas são meio deprê, com pessoas em uma situação limite da decadência, mas que continuam buscando na arte que escolherem a celebração e o reconhecimento que os faz se sentir vivo.

Mickey Rourke faz uma espécie de “artista da fome”, um cara que foi grande no passado, quando a luta livre estava no auge e, agora, está na pior, trabalhando em supermercado para sobreviver e para poder continuar participando dos poucos eventos de luta livre que ainda existem.

Completamente dedicado à essa performance, ele destruiu totalmente sua vida, o relacionamento com a filha, a saúde e a única coisa que lhe resta são os poucos fãs que ainda vão vê-lo lutar.

O único lugar que o personagem de Rourke está vivo é no ringue e se não houver o ringue não faz nem sentido ele viver.

É um filme lento, sem altos e baixos, sem grandes cenas, com o cenário degradante dos americanos pobres que vivem em trailers, vão em casas baratas de strippers, aliás, Marisa Tomei faz uma stripper também decadente, que já não atrai mais os clientes.

Tem aqueles pontos de comédia, tem aqueles pontos de empatia e pena com o personagem, é composto com uma filmagem crua, às vezes direta demais,  e tudo isso junto forma um filme bem bonito, bem honesto, sobre escolhas, sobre viver e sobreviver.

E, mesmo com toda a canastrice, todas as bombas e plásticas que o Rourke fez, ele caiu perfeito para o papel e parece ter se entregado em construir esse cara as avessas, um lutador torto, de uma luta encenada com toques de realidade.


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